"Garífunas: Vida e respeito a Deus, à natureza e à mulher"

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28 Abril 2011

A espiritualidade dos povos Garífunas encantou os participantes com suas práticas ligadas ao respeito a Deus e à mãe natureza; isso durante o segundo dia da primeira Jornada Teológica da América Central, que se realiza na Guatemala e se encerra nesta sexta-feira, 29 de abril.

A reportagem é de Douglas Cuevas, da Federação Guatemalteca de Escolas Radiofônicas - FGER, e publicada por Adital, 28-04-2011.

Garífuna, "palavra de origem: Caribe". "Calipona diziam os antepassados, então, para ir espanholizando", foi dando-se nome como Calipona, então, até chegar ao termo garífuna", segundo a definição de Irmã María Suyapa, garífuna hondurenha.

Esses povos são formados por afrodescendentes e têm práticas espirituais muito complexas e profundas no tema da vida e da morte, onde a mulher tem um papel fundamental nessas ações. Ao conversar com Irmã María Suyapa, ela nos contou que tanto encerra... o que outras culturas veriam como "dar a luz"

"Quando a criança nasce, a primeira coisa que faz a parteira é virar a cabeça até o chão e oferecer à mãe terra, depois a sobe e oferece ao Deus Pai. "Na cidade, o máximo que o médico faz no momento de receber a criança é lhe dar uma palmada nos glúteos".

Outra parte importante para esse povo, é a morte, segundo expôs Irmã Suyapa: "o rito do banho dos mortos é algo que está destinado unicamente às sacerdotisas garífunas ou ao sacerdote ancestral". Percebe-se, dessa forma, a grande importância da mulher para esse povo.

Além desse ritual, a comunidade acompanha a família do falecido por um período de quinze dias se for adulto, se for criança, por menor tempo, já que o peso dos pecados de uma criança é mais leve, segundo suas crenças. Segundo Suyapa, "houve um avanço quanto ao apoio" da igreja católica às práticas garífunas, já que antes "era uma rejeição, sobretudo, por desconhecimento do que significava a espiritualidade dentro da vida de um garífuna", afirmou.

Para poder dar uma harmonia total entre a espiritualidade dos diversos povos e a igreja católica, segundo Suyapa, é necessário "que a igreja evolua e conheça o conteúdo dos documentos" próprios de cada cultura, para assim evangelizar de acordo com cada nação, pessoa ou povo.