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13 Abril 2018

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo Lucas, 24, 35-48 que corresponde ao Terceiro Domingo da Páscoa ciclo B, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto

Lucas descreve o encontro do Ressuscitado com os Seus discípulos como uma experiência fundadora. O desejo de Jesus é claro. A Sua tarefa não terminou na cruz.

Ressuscitado por Deus depois da Sua execução, toma contato com os Seus para colocar em marcha um movimento de «testemunhas» capazes de contagiar todos os povos com a Sua Boa Nova: «Vós sois as Minhas testemunhas».

Não é fácil converter em testemunhas aqueles homens afundados no desconcerto e no medo. Ao longo de toda a cena, os discípulos permanecem calados, em silêncio total. O narrador só descreve o seu mundo interior: estão cheios de terror; só sentem perturbação e incredulidade; tudo aquilo lhes parece demasiado bonito para ser verdade.

É Jesus quem vai regenerar a sua fé. O mais importante é que não se sintam sós. Sentem-no cheio de vida no meio deles. Estas são as primeiras palavras que escutam do Ressuscitado: «A paz esteja convosco... Por que surgem dúvidas no vosso interior?».

Quando esquecemos a presença viva de Jesus no meio de nós; quando o ocultamos com os nossos protagonismos; quando a tristeza nos impede de sentir tudo menos a Sua paz; quando nos contagiamos uns aos outros com pessimismo e incredulidade... pecamos contra o Ressuscitado. Assim não é possível uma Igreja de testemunhas.

Para despertar a sua fé, Jesus não lhes pede que olhem o Seu rosto, mas sim as Suas mãos e os Seus pés. Que vejam as Suas feridas de crucificado. Que tenham sempre ante os seus olhos o Seu amor entregue até à morte. Não é um fantasma: «Sou Eu em pessoa». Ele mesmo que conheceram e amaram pelos caminhos da Galileia.

Sempre que pretendemos fundamentar a fé no Ressuscitado com as nossas elucubrações convertemo-lo num fantasma. Para nos encontrarmos com Ele temos de recorrer ao relato dos evangelhos; descobrir essas mãos que abençoam os doentes e acariciavam as crianças, esses pés cansados de caminhar ao encontro dos mais esquecidos; descobrir as Suas feridas e a Sua paixão. É esse Jesus o que agora vive ressuscitado pelo Pai.

Apesar de vê-los cheios de medo e de dúvidas, Jesus confia nos Seus discípulos. Ele mesmo lhes enviará o Espírito que os sustentará. Por isso lhes encomenda que prolonguem a Sua presença no mundo: «Vós sois testemunhas destas coisas». Não têm de ensinar doutrinas sublimes, mas sim contagiar com a Sua experiência. Não têm de predicar grandes teorias sobre Cristo, mas sim irradiar o Seu Espírito. Têm de se mostrar credível com a sua própria vida, não só com palavras. Este é sempre o verdadeiro problema da Igreja: a falta de testemunhas.

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