Curar a surdez

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07 Setembro 2012

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 7, 31-37 que corresponde ao 23º Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

A cura de um surdo-mudo na região pagã de Sídon é narrada por Marcos com uma intenção claramente pedagógica. É um doente muito especial. Não ouve nem fala. Vive encerrado em si mesmo, sem se comunicar com ninguém. Não percebe que Jesus está passando próximo dele. São outros os que o levam até ao Profeta.

Também a atuação de Jesus é especial. Não impõe as Suas mãos sobre ele como Lhe pediram, mas chama-o à parte e leva-o a um local retirado das pessoas. Ali trabalha intensamente, primeiro, os seus ouvidos e depois, a sua língua. Quer que o doente sinta o Seu contato curador. Só um encontro profundo com Jesus poderá curá-lo de uma surdez tão tenaz.

Ao que parece, não é suficiente todo aquele esforço. A surdez resiste. Então Jesus apela ao Pai, fonte de toda a salvação: olhando o Céu, suspira e grita ao doente uma só palavra: “effetá”, que quer dizer, “abre-te”. Esta é a única palavra que Jesus pronuncia em todo o relato. Não é dirigida aos ouvidos do surdo mas ao seu coração.

Sem dúvida, Marcos quer que esta palavra de Jesus ressoe com força nas comunidades cristãs que leram o seu relato. Conhece mais de um que vive surdo à Palavra de Deus. Cristãos que não se abrem à Boa Nova de Jesus nem falam a ninguém da sua fé. Comunidades surdas-mudas que escutam pouco o Evangelho e o comunicam mal.

Talvez um dos pecados mais graves dos cristãos é esta surdez. Não nos detemos a escutar o Evangelho de Jesus. Não vivemos com o coração aberto para acolher as Suas palavras. Por isso não sabemos escutar com paciência e compaixão a tantos que sofrem sem receber o carinho nem a atenção de ninguém.

Por vezes dir-se-ia que a Igreja, nascida de Jesus para anunciar a Boa Nova de Jesus, vai fazendo o seu próprio caminho, longe da vida concreta de preocupações, medos, trabalhos e esperanças das pessoas. Se não escutarmos bem as chamadas de Jesus, não colocaremos palavras de esperança na vida dos que sofrem.

Há algo de paradoxal em alguns discursos da Igreja. Dizem-se grandes verdades e proclamam-se mensagens muito positivas, mas não se toca o coração das pessoas.

Algo disso está acontecendo nestes tempos de crise. A sociedade não está à espera de “doutrina social” dos especialistas, mas escuta com atenção uma palavra clarividente, inspirada no Evangelho e pronunciada por uma igreja sensível ao sofrimento das vítimas, que sai instintivamente em sua defesa convidando todos a estarem próximos de quem mais ajuda necessita para viver com dignidade.

 

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