Van Thuân: a coragem do Evangelho nas prisões do regime comunista

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08 Mai 2017

A primeira impressão que se tinha, ao se aproximar dele, era de uma extrema serenidade. Olhar límpido, bom e arguto, ao mesmo tempo, uma voz que não precisava recorrer a tons altos, modos sempre pacatos. O cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuân exalava paz interior à primeira vista. E nunca se poderia imaginar – não conhecendo a sua história pessoal – que, por 13 longos anos, ele tinha estado na prisão só porque tivera a sorte de ser nomeado arcebispo coadjutor de Saigon poucos dias antes de a capital do Sul ter caído sob o controle das tropas do Norte. “Eles pensaram que eu era um espião dos imperialistas – confidenciou ele ao Avvenire em uma entrevista dos anos 1990 – e me prenderam sem a menor cerimônia.”

A reportagem é de Mimmo Muolo, publicada no jornal Avvenire, 05-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A partir daquele dia de 1975, começou o seu calvário, ele que, aliás, vinha de uma família com muitos mártires (do lado materno, sobreviveu apenas o avô; todos os outros foram trucidados no incêndio do povoado habitado por cristãos). Uma “Via Sacra” que se prolongaria até 1988, e cujas “estações” foram as diversas prisões as quais ele era continuamente transferido, para impedir que ele se tornasse amigo daqueles que deviam controlá-lo.

A tentativa do regime foi em vão, se é verdade que alguns carcereiros foram convertidos por ele. Um deles, Pham Van Cong, em 23 de outubro de 2010, dia em que se abriu o processo de beatificação, estava na primeira fila, com os olhos brilhando por causa da comoção, na Aula della Conciliazione, no Vicariato em Roma.

“Há muitos anos – disse – quando eu estava vigiando esse homem acusado de ter conspirado com o Vaticano e os imperialistas contra a revolução comunista, nunca imaginaria estar aqui.” E o cardeal vigário, Agostino Vallini, acrescentou: “A sua bondade conquistava de vez em quando os seus carcereiros, e isso irritava as autoridades superiores”.

Com efeito, o purpurado, que nasceu em 17 de abril de 1928, foi ordenado em 11 de junho de 1953 e nomeado bispo de Nha Trang em 13 de abril de 1967 (antes de ser transferido para Saigon), por ser considerado um “quase mártir”, já que ele passou os 13 anos de prisão dura em isolamento, com assédios de todos os tipos.

Na prisão, no entanto, o então arcebispo Van Thuân nunca perdeu o bom humor e, de fato, nunca deixou por um só momento de cumprir a sua missão episcopal. Ele celebrava a missa segurando nas mãos alguns pedacinhos de pão e poucas gotas de vinho, conservadas em uma garrafa escrita “Remédio para dor de estômago”, que os fiéis levavam para ele evitando os controles.

Ele tinha conseguido fazer uma cruz de madeira e forjar uma cruz peitoral com um simples fio de ferro. Por fim, escreveu em pedaços de papel obtidos das mais diferentes formas os seus pensamentos e mais de 300 frases do Evangelho, já que não podia dispor de uma Bíblia.

Graças a um menino de sete anos, essas mensagens eram levadas para o lado de fora e divulgadas. Posteriormente, elas seriam reunidas em algumas publicações, também em italiano, cujo fio condutor é a esperança. No ano 2000, quando João Paulo II (que, dois anos antes, tinha-o nomeado presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz e que, em 2001, o criaria cardeal) chamou-o para pregar os Exercícios Espirituais.

No discurso de agradecimento, ele disse: “A sua sofrida prisão nos fortalece na consoladora certeza de que, quando tudo desmorona em torno de nós e talvez até mesmo dentro de nós, Cristo permanece como nosso apoio indefectível”.

E esta é também a grande herança do purpurado vietnamita, que morreu em Roma em 16 de setembro de 2002: “O fato de ter sido – disse Vallini no início da causa de beatificação –, sobretudo, uma testemunha da esperança”.

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