Pell recorre ao advogado dos mafiosos australianos após ser acusado de abusos

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19 Outubro 2016

Robert Richter, um dos advogados mais famosos da Austrália, pode ter ajudado um dos mafiosos mais importantes do país a evitar uma condenação por assassinato. Agora, o cardeal George Pell poderá ter entrado na lista de clientes, por causa da investigação sobre a suposta conduta inapropriada do prelado em Ballarat, na década de 1970.

A reportagem é de Cameron Doody e publicada por Religión Digital, 18-10-2016. A tradução é de André Langer.

A polícia do Estado da Vitória segue investigando o prefeito da Secretaria de Economia da Santa Sé depois que dois homens o acusaram em julho de tê-los tocado de forma inapropriada na piscina municipal. Outro homem também denunciou naquele momento que viu Pell nu na frente de três crianças de pouca idade em outra ocasião no vestiário da mesma piscina.

O Weekend Australian informou, no sábado passado, que Pell recorreu aos serviços do advogado Richter para defender-se das denúncias contra ele, o que uma porta-voz do cardeal qualificou como “calúnias”. “O cardeal reiterou sua recusa total e absoluta das acusações de abusos sexuais contra ele em qualquer momento”, assinalaram as fontes. “Também está considerando empreender ações contra as organizações que promovam estas difamações”.

A porta-voz de Pell não quis confirmar até que ponto o cardeal envolveu Richter em sua defesa, mas o simples fato de que tenha consultado o advogado demonstra o grau de preocupação que tem em relação ao progresso da investigação.

Embora Richter tenha atuado para um punhado de personalidades controversas em sua carreira, foi sua defesa do mafioso Mick Gatto em 2004 a mais famosa. Gatto – cuja história apareceu até em uma série de televisão sobre as guerras dos submundos de Melbourne – foi acusado pelo assassinato do criminoso Andrew “Benji” Veniamin. No entanto, graças à astúcia de Richter pôde provar que agiu em defesa própria ao disparar a arma que acabou tirando a vida do capanga.

A polícia vitoriana – criticada por Pell por ter vazado detalhes da investigação criminal ainda em andamento – limitou-se a confirmar ao jornal que as investigações “vão prosseguir”.