"Inadequado": jesuíta alemão liquida o último livro de Bento XVI

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28 Setembro 2016

"Este livro não deveria existir", disse o teólogo jesuíta austríaco Andreas Batlogg, comentando em uma rádio alemã o livro-entrevista com Bento XVI, editado por Peter Seewald, publicado na Itália com o título Ultime conversazioni [Últimas conversas] (Ed. Garzanti).

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 27-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Batlogg é diretor da revista Stimmen der Zeit, uma das principais e mais renomadas revistas mensais católicas da área alemã, publicada em Munique e fundada em 1865 pelos jesuítas Florian Riess e Gerhard Schneemann.

O julgamento é claro e sem possibilidade de apelação: "Comentar o sucessor foi algo sem estilo e sem tato", disse Batlogg – que, da obra, aprecia especialmente as passagens em que o papa emérito admite os erros cometidos, como o caso do bispo negacionista Williamson e o discurso de Regensburg –, rotulando como "bobagens", um "absurdo absoluto" as frases proferidas há alguns meses na Universidade Gregoriana por Dom Georg Gänswein (secretário de Joseph Ratzinger), segundo o qual, ao lado de um papado ativo, haveria um contemplativo, encarnado precisamente pelo pontífice emérito.

"Francisco disse que há um papa. Ele compara Bento a um avô que se tem em casa, mas há um papa só, e a distinção do prefeito da Casa Pontifícia é uma bobagem."

Mas, mais do que os perigos subjacentes à identificação de Bento como uma espécie de antipapa – na opinião de Batlogg, esse risco existe, especialmente "com o frisson midiático desse livro" – o que parece ter irritado mais o jesuíta austríaco são as observações (definíveis também como bordoadas) que Ratzinger fez sobre a situação da Igreja alemã.

Batlogg não esconde isso, e a falta de tato é aplicável também – precisamente – àquele contexto: "Eu acho que o cardeal Marx, que também é presidente da Conferência Episcopal Alemã, silencia por boas razões. Mas os comentários sobre a Igreja alemã – e Bento já foi arcebispo de Munique e, por muitos anos, professor de teologia – são simplesmente inadequados".

Uma intromissão, portanto, com um papa emérito que se "manteve fiel aos seus espantalhos, aos estereótipos que ele tem desde os anos 1960". Sem medir palavras, o que chamou a atenção foram os comentários sobre o aparato burocrático e financeiro da Igreja da Alemanha, tão distante de ser pobre para os pobres, como muitos dos seus principais representantes dizem em conferências, livros, entrevistas.

Um ponto delicado que Bento XVI tinha tentado curar assim que foi eleito ao sólio petrino. Durante a sua última viagem à terra natal, ele denunciou "um excedente de estruturas em relação ao Espírito".

Nas últimas conversas com Seewald, Ratzinger volta sobre a questão: "Na Alemanha, temos um catolicismo estruturado e bem pago, em que os católicos, muitas vezes, são empregados da Igreja e têm uma mentalidade sindical em relação à ela. Para eles, a Igreja é o único empregador a ser criticado. Eles não se movem a partir de uma dinâmica de fé. Eu acredito que isso representa um grande perigo da Igreja na Alemanha: existem tantos colaboradores contratados que a instituição está se transformando em uma burocracia mundana".

Para deixar claro o conceito, basta notar que, em 2015, a Cúria de Munique (liderada pelo cardeal Reinhard Marx, que, além de ser o chefe dos bispos do país, é também coordenador do Conselho para a Economia, no Vaticano), podia contar com 835 empregados, quase todos leigos.

Sobre o imposto eclesiástico, o Kirchensteuer a ser pago sob pena de não poder fazer parte da comunidade católica – e muitos católicos preferem não se declarar como tais a fim de não pagar o tributo exorbitante –, no livro, Bento XVI foi igualmente claro: "Tenho grandes dúvidas sobre a correção do sistema como ele é. Não pretendo dizer que não deve haver um imposto eclesiástico, mas a excomunhão automática daqueles que não pagam, a meu ver, não se sustenta".

Batlogg objeta: "Ratzinger fez parte desse sistema", e, além disso, "com esse dinheiro, é possível fazer muitas coisas boas", opinião muito difundida do outro lado dos Alpes.

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