Uma ''nova geração'' na comunicação do Vaticano?

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28 Junho 2012

Na série Jornada nas Estrelas original, o capitão James T. Kirk era tanto o brilhante estrategista quanto o galanteador aventureiro. Quando Jornada nas Estrelas: A Nova Geração foi ao ar, o personagem de Kirk foi dividido ao meio, com o capitão Jean-Luc Picard como a metade do cérebro, e o primeiro-oficial Will Riker como a metade dos músculos. Com efeito, o Vaticano já revelou agora uma estratégia da "Nova Geração" para enfrentar os seus perceptíveis problemas de relações públicas.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio do jornal National Catholic Reporter, 26-06-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Durante os anos de João Paulo II, o Vaticano tinha o seu Kirk no fronte da comunicação, alguém que combinava tanto a visibilidade externa quanto a influência íntima. O leigo espanhol Joaquín Navarro-Valls era um lobista em seu próprio direito, com um lugar à mesa quando as decisões eram tomadas e como o rosto público da instituição, perdendo apenas para o próprio papa em termos de visibilidade.

Com Bento XVI, o Vaticano está "mancando" em seu seguimento a essa fórmula. O padre jesuíta Federico Lombardi, o atual porta-voz, é infinitamente acessível e visível, mas lhe falta a força íntima exercida por Navarro-Valls.

O Vaticano finalmente se mexeu para tapar esse buraco.

Na segunda-feira, ele anunciou a contratação do jornalista norte-americano Greg Burke (foto), um ex-correspondente em Roma da revista Time e do canal Fox News, como assessor sênior de comunicação da Secretaria de Estado. Ele vai trabalhar não na Sala de Imprensa do Vaticano, que está tanto física quanto psicologicamente distante dos reais centros de poder do Vaticano, mas sim no terceiro andar do Palácio Apostólico, onde as equipes mais importantes se encontram.

A ideia é que Lombardi continue sendo a figura de vanguarda, enquanto Burke vai operar nos bastidores, tentando garantir que a reação pública não seja algo que o Vaticano pondere apenas depois que a salsicha já foi moída.

"Nós formatamos a mensagem, moldamos a mensagem e tentamos fazer com que todos se permaneçam na mensagem", disse Burke. "E isso é difícil".

Essa contratação provavelmente é o mais perto que o Vaticano já chegou de assumir que está com sérios problemas de relações públicas.

O papado de Bento XVI tem incorrido em uma série de falhas perceptíveis, incluindo uma tempestade de protesto islâmico em 2006, depois de um discurso que o papa fez que parecia vincular Maomé à violência; um frisson em torno de um bispo negacionista em 2009; e uma polêmica ainda não resolvida sobre o que Bento XVI exatamente estava tentando dizer sobre os preservativos e a Aids em um livro-entrevista de 2010.

Tudo isso, é claro, se desdobrou enquanto a crise dos abusos sexuais explodiu em toda a Europa e continuou a ferver nos Estados Unidos.

O último surto de problemas de relações públicas incluiu uma polêmica repressão contra um grupo de religiosas dos EUA, assim como o quase surreal escândalo do Vatileaks, que começou a ferver no dia 25 de maio com a prisão do mordomo do papa.

Ao se voltar para Burke para apagar esses incêndios, o Vaticano indicou alguém que misteriosamente lembra o guru midiático de João Paulo II.

Navarro-Valls havia atuado anteriormente como correspondente em Roma para o jornal espanhol ABC e havia sido eleito presidente da Associação de Imprensa Estrangeira de Roma. Burke também tem importantes credenciais midiáticas. Ele se formou em jornalismo pela Columbia University e seu primeiro trabalho em Roma no fim dos anos 1980 foi cobrir o Vaticano para o jornal National Catholic Register.

Assim como Navarro-Valls era popular com outros jornalistas, Burke também é bem quisto no corpo de imprensa do Vaticano. Seu nome está na ponta da língua de praticamente todo mundo que cobre o Vaticano e pode falar com eles nos bastidores como um colega e amigo.

Além disso, assim como Navarro-Valls, Burke também é numerário do Opus Dei – ou seja, alguém que é célibe e vive em um centro do Opus Dei. Em ambos os casos, sua filiação em um grupo conhecido pela sua ortodoxia doutrinal e lealdade papal, sem dúvida, acrescenta um "selo de aprovação" que pode abrir as portas do Vaticano.

Burke, 52 anos, disse ter recusado duas vezes o trabalho antes de aceitar.

"Eu acho que se eu não o aceitasse, eu sempre ficaria perguntando se eu poderia ter feito a diferença", disse ele. "Eu acho que agora vou poder descobrir".

Resta saber por quanto tempo essa divisão do trabalho da "Nova Geração" entre Lombardi e Burke poderá durar. Por algum tempo, o consenso foi de que Lombardi está terrivelmente sobrecarregado, dirigindo não só a Sala de Imprensa do Vaticano, mas também a Rádio e a TV do Vaticano, além de atuar como conselheiro-geral da ordem dos jesuítas.

Com o tempo, muitos observadores esperam que Burke possa ter uma voz pública mais forte, especialmente dada a sua longa experiência sob os holofotes da mídia.

Independentemente se o seu papel pode evoluir, Burke certamente parece ter um trabalho feito sob medida para ele.

"Eu não posso consertar tudo e não sou nenhum milagreiro", disse Burke, "mas eu acho que o fato de eles terem criado esse posto é um passo na direção certa".

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