Soldado revela à Comissão a execução de estudantes por DOI-Codi do Rio

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17 Mai 2013

Levados em novembro de 1968 a um sítio em São João do Meriti (RJ), onde uma estrutura pré-montada para torturas os aguardava, João Antônio Santos Abi-Eçab e Catarina Helena Abi-Eçab, casados havia seis meses, foram executados com tiros na nuca disparados por Freddie Perdigão, conhecido como Dr. Nagib, homem forte do Destacamento de Operações de Informações (DOI-Codi) do Rio.

A reportagem é de Vandson Lima e publicada pelo jornal Valor, 17-05-2013.

É o que afirma Valdemar Martins de Oliveira, então soldado do grupo recrutado por Perdigão e testemunha do episódio. "Como já não conseguiam dizer nada, ele [Perdigão] falou que não eram mais necessários. Abaixou-se, quase ajoelhando, e deu os tiros na nuca", conta. Traumatizado pela morte dos estudantes, Valdemar, que prestou depoimento à Comissão da Verdade de São Paulo, se afastou da corporação, viu sua mãe ser agredida por antigos companheiros em 1970, viveu em exílio e hoje luta para ter sua condição de militar reconhecida. Dado como desertor, seu testemunho é contestado pelo Exército, que diz que dois meses antes do ocorrido ele abandonara o Exército.

Estudantes de filosofia na Universidade de São Paulo (USP), João Antônio e Catarina foram acusados por militares de participar da execução do capitão do Exército norte-americano Charles Rodney Chandler, ocorrido em outubro. "Naquela ânsia louca de dar satisfações aos americanos, saíram várias equipes caçando por aí. Muita gente pagou caro", diz Valdemar.

À época, o regime militar afirmou que o casal morreu em um acidente automobilístico em Vassouras (RJ), em consequência da detonação de explosivos que transportavam no veículo. O acidente, diz Valdemar, foi forjado.

Em 2001, a versão de Valdemar foi revelada pelo jornalista Caco Barcellos em matéria veiculada pela TV Globo. A exumação dos corpos foi realizada e concluiu que a morte dos estudantes se deu por "traumatismo crânio-encefálico" causado por "ação vulnerante de projétil de arma de fogo". "Na época, não pude dizer, mas enquanto eu estava no Rio com o Caco, meu filho me ligou dizendo que duas pessoas do Exército estavam lá em casa. Falei com eles pelo telefone. Entendi que não queriam que eu desse nomes", revela.

Assim como Valdemar, recrutado junto ao Batalhão de Paraquedismo, acompanhava Perdigão naquela operação Guilherme do Rosário, futuro sargento que ascendeu na hierarquia militar por sua atuação nos porões do regime. Sua trajetória seria interrompida pelo frustrado atentado do Pavilhão Riocentro, em 1981, quando uma bomba explodiu em seu colo.

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