“O verdadeiro cristão não tem medo de sujar as mãos com os pecadores”, diz Francisco

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Por: André | 10 Novembro 2014

O verdadeiro cristão não tem medo de sujar as mãos com os pecadores, de arriscar inclusive sua fama, porque tem o coração de Deus, que não quer que ninguém se perca, afirmou na quinta-feira o Papa Francisco na missa na Casa Santa Marta.

A reportagem está publicada no sítio da Rádio Vaticano, 06-11-2014. A tradução é de André Langer.

No centro da homilia do Papa Francisco estiveram as duas parábolas da ovelha e da moeda perdidas. Os fariseus e os escribas se escandalizam porque Jesus “acolhe os pecadores e come com eles”.

“Era um verdadeiro escândalo nessa época, para essa gente”, observou o Papa, que exclamou: “Imaginem se existissem jornais nessa época!”

Mas Jesus veio “para isto: para buscar os que estavam afastados do Senhor”. Estas duas parábolas, explica, “nos fazem ver como é o coração de Deus: Deus não para, Deus não vai até certo ponto e para. Deus vai até o fundo, o limite, sempre vai ao limite, não para na metade do caminho da salvação, como se dissesse: ‘Fiz tudo, agora o problema é seu’. Ele sempre vai, sai, vai a campo”.

Os fariseus e os escribas, no entanto, param “na metade do caminho; a eles importava que o balanço dos benefícios e das perdas fosse mais ou menos favorável e com isso estavam tranquilos. ‘Sim, é verdade, perdi três moedas, perdi dez ovelhas, mas ganhei muito... isso não entra na mente de Deus. Deus não é um negociante, Deus é Pai e vai salvar até o final, até o limite”, assegurou. E “o amor de Deus é isto”.

Mas “é triste, afirma, o pastor na metade do caminho”, “é triste o pastor que abre a porta da Igreja e fica ali esperando; é triste o cristão que não sente dentro de si, em seu coração, a necessidade de contar aos outros que o Senhor é bom”.

“Quanta perversão há no coração daqueles que se creem justos, como estes escribas e fariseus – denunciou Francisco. Eles não querem sujar as mãos com os pecadores. Lembram-se do que eles pensavam: ‘Se este fosse profeta saberia que ela é uma pecadora’. O desprezo. Usavam as pessoas, depois as desprezavam”.

“Ser um pastor na metade do caminho – afirmou o Papa Francisco – é uma derrota”. “Um pastor deve ter o coração de Deus, ir até o final”, porque não quer que ninguém se perca.

“O verdadeiro pastor, o verdadeiro cristão tem este zelo dentro de si: que ninguém se perca. E por isso não teme sujar as mãos. Não tem medo”, afirmou.

“Vai aonde deve ir. Arrisca sua vida, arrisca sua fama, arrisca perder sua comodidade, seu status, inclusive perder sua carreira eclesiástica – continuou –, mas é um bom pastor”.

“Também os cristãos devem ser assim. É muito fácil condenar os outros, como faziam os publicanos, os pecadores. É muito fácil, mas não é cristão. Não é comportamento de filhos de Deus”, advertiu.

“O Filho de Deus vai ao limite, dá a vida, como Jesus a deu pelos outros. Não pode estar tranquilo cuidando de si mesmo. Sua comodidade, sua fama, sua tranquilidade – acrescentou. Recordem-se disso: pastores na metade do caminho, não, nunca! Cristãos na metade do caminho, nunca!”

“Foi o que Jesus fez”. “O bom pastor, o bom cristão – concluiu o Papa – sai, sempre está em saída: de si mesmo rumo a Deus, na oração, na adoração; está em saída rumo aos outros para levar-lhes a mensagem da salvação”.

O bom pastor, o bom cristão, sabe o que é a ternura, acrescentou. “Estes escribas e fariseus não sabiam o que era carregar nos ombros a ovelha, com essa ternura, e conduzi-la com as outras ao seu lugar. Esta gente não sabia o que era a alegria”.

Segundo Francisco, “o cristão e o pastor na metade do caminho talvez conheçam a diversão, a tranquilidade, certa paz, mas não a alegria, a alegria que há no Paraíso, essa alegria que vem de Deus, essa alegria que vem do coração do pai que salva”.

“‘Ouviu os lamentos dos israelitas e desceu’... Isto é muito bonito. Não tenham medo de que se fale de nós porque vamos ao encontro dos irmãos e irmãs que se afastaram do Senhor – convidou. Peçamos esta graça para cada um de nós e para a nossa Mãe, a Santa Igreja”.

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