Papa Francisco fecha sua viagem à Coreia com um ramo de oliveira para Pyongyang

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19 Agosto 2014

O ato de encerramento do Papa Francisco na Coreia do Sul nesta segunda-feira foi uma missa pela “paz e reconciliação”. Embora destinada a ser uma oração para toda a Ásia, foi principalmente uma referência à divisão da nação anfitriã que se deu na sequência do armistício de 1953 que suspendeu, mas não oficialmente terminou, a guerra da Coreia.

A reportagem é de Inés San Martín, pulbicada pelo jornal The Boston Globe, 18-08-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Aqui, as lembranças desta tensão são quase ubíquas. Seul trata a possibilidade de uma guerra da mesma forma como outras regiões tratam os desastres naturais: praticamente todas as estações de trem e hotéis mantêm máscaras e kits de sobrevivência de fácil acesso em caso de ataque surpresa vindo do norte.

O clima de medo até mesmo coloriu a visita do papa. As autoridades sul-coreanas insistiram em deslocar equipes especiais de segurança para acompanhar Francisco, visíveis pelos veículos pesados que contrastaram com a versão pequena do papamóvel da marca Kia.

Enquanto esteve na península coreana, Francisco manifestou repetidas vezes a esperança pela superação da atual situação de divisão.

“Existem duas Coreias? Não, há apenas uma, mas ela está dividida. A família está dividida”, disse o papa a uma jovem coreana que lhe fez uma pergunta sobre o assunto na sessão de sexta-feira junto aos jovens do continente.

Em declarações endereçadas a autoridades governamentais e diplomatas neste mesmo dia, o papa falou da necessidade de “dar aos nossos jovens o presente da paz”.

“Este apelo tem toda a ressonância aqui na Coreia”, acrescentou, porque “é uma terra que há muito sofre por causa da ausência de paz”.

Líderes católicos dizem que a Igreja na Coreia do Sul se comprometeu com esta causa.

“É missão da Igreja coreana trabalhar no sentido da reconciliação e unificação de nosso país”, declarou o cardeal Andrew Yeom Soo-jung, de Seul.

Por um lado, é provável que Francisco enxergue a necessidade da unidade na Coreia como parte de um esforço mais amplo de promoção da paz, esforço que é especialmente necessário por causa da triste situação humanitária do lado norte da fronteira.

Por outro lado também, o papa preocupa-se com a situação dos novos mártires cristãos, e poucos lugares no mundo são mais propícios para revelar este sentimento do que a Coreia do Norte. Via de regra, o regime encontra-se no topo das listas das agências internacionais que vigiam violações da liberdade religiosa, com os cristãos sendo um alvo frequente.

O Pe. Gerard Hammond, missionário americano que é um dos poucos católicos que tem a permissão para entrar na Coreia do Norte periodicamente, diz que faz 60 anos desde que um padre católico se instalou no país e que há anos nenhum norte-coreano é batizado.

Desde 1998, junto de uma equipe de especialistas da Fundação Eugene Bell, Hammond têm providenciado tratamento para pacientes de tuberculose multirresistente na Coreia do Norte. É uma situação incomum, visto que cruzar a zona desmilitarizada que divide as duas Coreias exige permissão explícita de ambos os lados.

“Faz tanto tempo desde que os moradores locais viram um sacerdote que eu, conquanto que não me ponha a falar de Deus com eles, posso usar um clergyman em Pyongyang [capital nacional da Coreia do Norte] sem problema algum”, disse Hammond.

O Pe. Lee Eun-hyung, que chefia a Comissão para a Reconciliação do Povo Coreano, estima que hoje, na Coreia do Norte, “existam aproximadamente 10 mil pessoas que se lembram da fé católica que há em seus corações”.

Antes da guerra, Pyongyang era conhecida como a “Jerusalém do oriente” por sua população cristã próspera, herança que se encontra quase completamente apagada. A única igreja católica ainda de pé, a Catedral Changchung, é controlada por um organismo católico financiado pelo Estado não reconhecido pelo Vaticano.

Um desertor norte-coreano que participou da missa segunda-feira, identificado apenas como Oh, disse querer que o papa “sempre se lembre dos direitos humanos violados na Coreia do Norte”.

Embora Francisco tenha feito uso de uma fala aos bispos asiáticos no domingo para convidar a Coreia do Norte e outros países asiáticos sem relações diplomáticas com o Vaticano a entrarem em diálogo, toda e qualquer perspectiva nesse sentido frequentemente se complica por motivos políticos.

Quando a decisão de incluir uma missa pela paz e reconciliação se confirmou no planejamento da viagem papal, por exemplo, foram enviados convites à Associação Católica Coreana administrada pelo Estado norte-coreano.

Citando uma “situação local difícil”, as autoridades declinaram. Analistas acreditam que esta foi uma resposta à recusa da Coreia do Sul de suspender a construção de uma base militar norte-americana na ilha Jeju, ao sul do país.

“Ficamos realmente sentidos com a resposta, mas iremos continuar rezando por uma outra possibilidade de celebrar junto a fiéis norte-coreanos”, disse Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.

Se as aberturas do Papa Francisco aqui irão gerar frutos é uma incógnita, porém parece haver certeza de que o pontífice irá continuar tentando.

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