Copa sem armas, drogas, violência e racismo

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02 Junho 2014

Uma celebração inter-religiosa marcou a manifestação das tradições religiosas brasileiras no Estádio Mário Filho, o Maracanã. Bispos, padres, pastores, monge, babalaô, sacerdotisa da Umbanda, representante israelita e um sociólogo se reuniram para pedir uma copa de paz, limpa, justa e afirmativa do esporte como confraternização dos povos.

A reportagem é de Antonio Carlos Ribeiro, publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação - ALC, 20-05-2014.

A canção 'Fé na Copa e ninguém para escanteio', seguindo lema proposto pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), deu o tom do encontro desde o ensaio que anteceu o início da celebração. A principal ênfase da manifestação 'Por um mundo sem armas, drogas, violência e racismo', na capa da ordem litúrgica, era uma chamada às diversas formas de discriminação e violência, denunciando ainda o tráfico de Pessoas e a luta contra a violência e exploração sexual de crianças e adolescentes.

A linguagem adotada mesclou expressões dos livros sagrados das religiões com frase poéticas em linguagem simples. "Árvores batendo palmas, colinas e montes explodindo de alegria, multidões soltas nas ruas, nos estádios, nos parques, em ritmo de festejo e de folia!"

A liturgia acertou ainda quando incluiu as vozes dissidentes, mantendo as críticas e as denúncias da contradição entre excessos e falhas em serviços públicos básicos. "É que a copa é mais que a copa; é símbolo. Por um lado, do esporte mais amado, futebol, celebração, e por outro, transformado, virou bandeira de luta, de crítica, de indignação".

As orações não obedeceram às exigências protocolares. "Quando não sabemos jogar em favor da vida, olhai por nós. Quando fazemos festa em detrimento da Justiça, olhai por nós. Quando crianças e adolescentes são sexualmente abusadas, olhai por nós. Quando mulheres e homens são traficados, olhai por nós. Quando o racismo é ainda realidade em nosso meio, olhai por nós".

E conseguiu traduzir as paixões religiosas e dos gramados, ao colocar na boca dos presentes, na oração final, um clamor: "Deus, de jogadas bem feitas e de dribles surpreendentes, trazemos diante de ti milhões de pessoas brasileiras que se preparam para receber a copa", seguidas dos responsos "Dá ao Brasil uma copa de paz", e finalizou "Capacita-nos para jogadas que resultem em paz e em justiça para todos, pois, no final das contas, é a vida que tem que fazer o gol".

Após a celebração houve uma entrevista coletiva com os rrepresentantes das tradições religiosas, seguida de um 'tour' pela entrada do estádio, o museu, o vestiário da seleção brasileira, a sala de concentração com gramado, onde foi exibido o filme da cerimônia do jogo Brasil x Espanha, sendo conduzidos pelo percurso que os jogadores farão até o gramado.