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03 Março 2014

Nos romances policiais, sempre é uma boa regra procurar pela mulher ou pelo cheiro do dinheiro. No caso da revolução de Bergoglio, vale a pena olhar também onde está o Opus Dei. E não ficaremos surpresos ao descobrir que os opusdeanos, teológica e culturalmente tão distantes da visão do Papa Francisco, no entanto, conseguiram se colocar no centro dos organismos de controle econômico. Aqueles instrumentos com os quais o pontífice argentino quer trazer limpeza ao pântano negocial-prelatício vaticano, denunciado à sua época por Dom Viganò e em mensagens reservadas também pelo ex-presidente do IOR, Gotti Tedeschi.

A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 28-02-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os novos órgãos criados pelo Papa Francisco, há poucos dias, o Conselho para a Economia e o Secretariado para a Economia, são fruto da "Comissão para a reforma econômico-administrativa da Santa Sé", cujo secretário é Mons. Lucio Ángel Vallejo Balda: espanhol e membro do Opus Dei, que já antes do advento de Francisco tinha chegado a ocupar a posição de secretário da Prefeitura para os Assuntos Econômicos do Vaticano.

O Conselho para a Economia – composto por oito bispos e cardeais, e sete profissionais leigos – tem a tarefa de "supervisionar a gestão econômica e vigiar as estruturas e as atividades administrativas e financeiras" dos dicastérios da Cúria, do Estado da Cidade do Vaticano e das entidades ligadas à Santa Sé. Um papel primordial, que o Papa Francisco confiou ao cardeal australiano George Pell, atual arcebispo de Sydney (posição que ele abandonará), confiando na sua cultura anglo-saxônica extremamente atenta e severa no uso do dinheiro público ou comunitário.

O Secretariado, que responde diretamente ao pontífice, deve implementar o controle econômico sobre as entidades vaticanas e principalmente determinar as destinações no que se refere à política das aquisições (e, presume-se, também, dos contratos) no Vaticano: fonte primária de fraudes e tráficos desde o nascimento de novo estado vaticano em 1929.

Em suma, os novos órgãos serão a "torre de controle" de todos os fluxos financeiros que dizem respeito à gestão das entidades da Santa Sé. É opinião comum que, quando estiverem prontos os estatutos do Conselho e do Secretariado e se passar às nomeações, Mons. Vallejo Balda vai ocupar um papel de destaque, questão que preocupa os setores da Cúria que não veem com bons olhos um poder excessivo do Opus.

Ao contrário do Comunhão e Libertação – que saiu deformado da passagem de um pontificado ao outro e que até contribuiu, por causa de entrelaçamentos com o regime berlusconiano, para prejudicar a candidatura do cardeal Scola no conclave do ano passado –, o Opus Dei demonstrou ser uma espécie de fênix. Ele era forte com João Paulo II, era ideologicamente muito próximo à linha teológica ratzingeriana, se alinhou silenciosamente ao novo pontífice depois do dia 13 de março de 2013.

De fato, em uma entrevista ao Corriere della Sera, o prelado do Opus Dei, Dom Echevarria, fez questão de frisar que acolheu a eleição de Francisco com "profunda alegria" e que o incluiu na sua "oração a Santo Inácio de Loyola (...) um santo muito apreciado pelo fundador do Opus Dei". Homenagens à parte, outro expoente do Opus Dei está inserido na comissão de investigação sobre o IOR, que está estudando o perfil a ser assumido pelo Instituto para as Obras da Religião. Trata-se de Dom Juan Ignacio Arrieta Ochoa, um profundo conhecimento de direito canônico e especialista em "Direito da organização da Igreja católica eclesiástica", ex-professor da universidade (opusdeana) Santa Croce.

Com essas personalidades, o Opus está realmente bem situado nos gânglios financeiros vaticanos. Pode-se acrescentar que outro prelado opusdeano, o argentino Carlos Maria Nannei, procurador do Opus junto à Santa Sé, mantém relações de amizade com o pontífice. Deve ser dito, no entanto, que o Papa Francisco é alérgico aos lobbies de qualquer tipo, especialmente os eclesiásticos e, portanto, não pretende manter relações privilegiadas com nenhum grupo em particular.

No máximo, a sua política é inclusiva: isto é, o seu objetivo é envolver todas as tendências presentes no mundo católico no canteiro de obras da reforma da Cúria e da Igreja como um todo. Basta pensar que o cardeal Pell, nomeado como chefe do novo Conselho para a Economia (e membro do "conselho da coroa" de oito cardeais), é um autêntico conservador.

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