Saltério, um modo moderno de "falar" com Deus

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03 Novembro 2015

Quem reza nos Salmos? "Em primeiro lugar, é Davi em pessoa que reza nos Salmos, mas como antecipação profético-messiânica, que já traz em si o Messias: em Davi, é Jesus Cristo que reza. Mas Cristo não pode vir separado do Seu corpo, a Igreja, e dos seus membros: portanto, em Cristo, a Igreja e os cristãos individuais também rezam com as palavras do Saltério."

A reportagem é de Francesco Pistoia, publicada no jornal Avvenire, 28-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Essa é a síntese que se lê no posfácio do livro Pregare i salmi con Cristo [Rezar os Salmos com Cristo], o último dos escritos publicados em vida por Dietrich Bonhoeffer (1940), agora publicado pela editora Queriniana (88 páginas), com um prefácio do cardeal Gianfranco Ravasi.

A partir da biografia, sabemos que Bonhoeffer "se ocupou intensamente com os Salmos no período do vicariato coletivo na Pomerânia oriental": esse trabalho bíblico, que amplia o discurso que o teólogo desenvolve em Vida comum sobre a interpretação e "sobre o uso constante dos Salmos", tem uma clara marca pedagógica: "Senhor, ensina-nos a rezar".

E vale a pena lembrar que o mesmo texto que nestes dias está sendo publicado por Ludwig Monti, monge de Bose, é significativamente intitulado Imparare a pregare [Aprender a rezar] (Ed. Qiqajon, 126 páginas). Rezar "significa prosseguir no caminho para Deus e falar com Ele". Não é simples: "Para encontrar essa estrada, não bastam os recursos humanos, e é necessário Jesus Cristo".

A leitura bonhefferiana do Saltério é essencialmente cristológica. Ele reagrupa os Salmos em dez pequenos capítulos: a criação, a lei, a história da salvação, o Messias, a Igreja, a vida, o sofrimento, a culpa, os inimigos, o fim. Ele estuda a relação entre essas seções e o Pater noster, e explica que todo o Saltério está incluído na oração de Jesus. Um ensaio robusto, feito de meditação sofrida.

Gianfranco Ravasi, para a edição italiana, e Gerhard Ludwig Müller e Albrecht Schonherr (que escrevem as páginas introdutórias e de comentário: são os editores da edição crítica em alemão) nos guiam na leitura do texto com reflexões ricas em referências históricas, exegéticas, teológicas.

Os Salmos despertam, em uma primeira leitura, surpresas, perplexidades, dúvidas: é preciso aproximar-se deles não só com o coração, mas sobretudo com a mente, mover-se a partir da consciência de que o importante "não é aquilo que responde à nossa vontade, mas aquilo que Deus quer que seja dito na nossa vocação".

Os Salmos são Palavra de Deus, mas Palavra de Deus "não é só aquela que Deus nos diz, mas também aquela que Ele quer ouvir de nós, como Palavra do Filho que ele ama". Cristo morre "com as palavras dos Salmos nos lábios".

Bonhoeffer lembra disso com paixão. E acrescenta: "Uma comunidade cristã perde um tesouro incomparável se não recorre ao Saltério, enquanto descobre em si mesma uma força insuspeita quando o reencontra".

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