Dom Gonzalo López Marañón: missionário até o fim

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Por: André | 05 Outubro 2015

“Até o fim! É o que nos pedem Jesus e sua Igreja... Uma entrega e um serviço ilimitados”. Esta frase foi dita por dom Gonzalo López Marañón, bispo emérito de SucumbíosEquador, por ocasião do emblemático “Caso Putumayo”, em que foram presos 11 indígenas de Putumayo, cuja defesa ele tomou para si, junto com a sua Igreja, outras Igrejas e muitas organizações e pessoas solidárias, até conseguir sua libertação, em 1996.

A reportagem foi publicada por Religión Digital, 03-10-2015. A tradução é de André Langer.

Esta frase reflete também sua índole missionária, demonstrada em um caminho de amor e generosidade percorrido ao longo de 40 anos, com a ajuda do Senhor e a entusiasta colaboração de todos/as neste rincão da floresta amazônica equatoriana: no Vicariato Apostólico de Sucumbíos, Equador. Deixemos que ele mesmo se apresente com a carta pública que ele escreveu em 24 de maio de 2011:

“Cheguei ao Equador, vindo da Espanha, minha pátria natal, no final de 1970. E desde então trabalhei como membro missionário na que hoje é a província de Sucumbíos, como responsável pela mesma, primeiro como Prefeito Apostólico e, desde dezembro de 1984, na qualidade de bispo – Vicariato Apostólico. Deixei meu cargo no dia 30 de outubro passado (2010), muito agradecido a Deus por ver uma província organizada e uma Igreja a caminho e em Paz”.

Gonzalo, ou Gonzalito, como gostava de ser chamado, veio a estas terras com a convicção de que a Igreja era formada por todos e todas, e por isso todos e todas sabem evangelizar. Começou a convidar os leigos/as para participar ativamente da mesma Missão. Por isso e a partir de então, os/as missionários/as da Igreja de San Miguel de Sucumbíos (ISAMIS) já não serão apenas padres e irmãs/aos, mas também leigos/as autóctones e estrangeiros.

Em uma entrevista que dom Gonzalo concedeu à Revista Monte Carmelo (Nº 86, 1978), dizia: “Eu me batizei em Iquitos”. Vale a pena nos deter um momento sobre o significado de Iquitos para Sucumbíos.

É do conhecimento de todos a mudança que representou, para a missiologia, o Concílio Vaticano II e seu novo enfoque, que abria possibilidades até então insuspeitadas e ao mesmo tempo questionava seriamente os métodos tradicionais. Basta pensar simplesmente nas profundas mudanças que supõe a ideia das “sementes do Verbo” presentes em todas as culturas, tão cheia de desafios missionários. Depois vem, em 1968, a Conferência do Episcopado Latino-Americano de Medellín, “o Vaticano II para a América Latina”, como era chamado; esse encontro de bispos desencadeou com incrível força o espírito profético ao longo e largo do continente, iniciando uma maneira nova de se posicionar perante a realidade e um modo novo de julgá-la e entendê-la a partir da fé cristã.

Tudo isso é mais ou menos conhecido. O que não se conhece é um encontro da Pastoral Missionária para a região do Alto Amazonas em Iquitos (Peru), que aconteceu entre os dias 21 e 27 de março de 1971. Iquitos será a primeira tentativa de concretização das grandes linhas pastorais que, a partir do Concílio, Melgar (um encontro de missionários de toda a América Latina em 1968) e Medellín, iam perfilando. Iquitos se apresentava assim um pouco como a “Medellín das Missões” na América Latina.

Dom Gonzalo não fez mais que mergulhar nessa corrente renovadora da Igreja. Na verdade, em muitas iniciativas que se consolidaram em ISAMIS, pode-se sentir a reflexão teológica junto à prática de tantas esperanças evangélicas que animaram o pós-Concílio na Igreja Universal. Nesse entusiasmado processo devemos destacar, sobretudo, dom Leonidas Proaño e outros assessores da Igreja de Riobamba.

Mas, nessa tenaz e cansativa caminhada não podemos esquecer o Pe. José Marins e sua equipe de trabalho, que foi determinante para a criação e consolidação das Comunidades Eclesiais de Base em Sucumbíos. Enfim, são incontáveis os assessores amigos de grande estatura teológica e pastoral, assim como outras Igrejas Irmãs do Continente, que acompanharam neste longo caminho a ISAMIS.

Após deixar o Vicariato, dom Gonzalo permaneceu em Quito na residência de seus irmãos carmelitas. Seu trabalho evangelizador e social em favor do Vicariato e da Província foi reconhecido por comunidades, organizações, instituições públicas e particulares, mas não pela própria Igreja institucional. Pela grave situação de divisão de nossa Igreja de Sucumbíos, dom Gonzalo fez um jejum de 24 dias, desde o dia 16 de maio até o dia 24 de junho de 2011, no Parque La Alameda, em Quito, com o lema: “Pela reconciliação de Sucumbíos, para curar feridas”.

Depois fez um curso de um ano em Mística e Espiritualidade na Universidade da Mística, em Ávila, Espanha, como bom carmelita, discípulo de Santa Teresa e São João da Cruz, para voltar a beber na fonte. Depois começou a estudar o português, impulsionado por seu espírito missionário.

Atualmente, frei Gonzalinho, como assina suas cartas, está empreendendo uma nova missão em Angola, na África, junto com dois carmelitas brasileiros, na diocese de Luena, aos seus 82 anos.

Feliz aniversário, Gonzalinho, missionário “até o fim”!

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