“O Papa nos desafia a seguir o ritmo com seus tempos de reforma”, afirma o cardeal Christoph Schönborn

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Por: André | 22 Janeiro 2015

O Papa Francisco faz um “desafio” e representa um “novo começo”. É verdade que fora da Igreja muitos estão entusiasmados, mas é necessário perguntar-se: “Também nós, na Igreja, seremos capazes de assumir e aplicar seu programa de reforma?” O cardeal Christoph Schönborn (foto), arcebispo de Viena e primaz da Áustria, completa 70 anos nesta quinta-feira (hoje). Em uma entrevista ao programa religioso da TV austríaca Orf, “Orientierung”, fez um balanço dos 20 anos durante os quais dirigiu a arquidiocese da capital austríaca; falou sobre Joseph Ratzinger e sobre Jorge Mario Bergoglio, e, expressando apreço pela decisão do novo cardeal de Colônia, Rainer Maria Woelki, de apagar as luzes da torre da catedral da cidade alemã como sinal de protesto diante das manifestações anti-islâmicas na Alemanha, destacou que nem todas as manifestações são garantia de liberdade, evocando uma manifestação de Hitler em 1938.

 
Fonte: http://bit.ly/1J3rmLe  

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada no sítio Vatican Insider, 20-01-2015. A tradução é de André Langer.

“Devo dizer – admitiu o cardeal na entrevista – que os anos iniciais do meu mandato foram muito pesados: havia o drama do meu predecessor”, o beneditino Hans Hermann Groër, obrigado a abandonar a arquidiocese de Viena por acusações de pederastia contra ele. Além disso, recordou o cardeal, havia “conflitos na Conferência dos Bispos”, como o “doloroso conflito com o meu vigário-geral, Helmut Schüller”, que mais tarde lideraria o movimento de protestos dos párocos austríacos, ou “as tensões na Igreja da Áustria e também na Igreja católica do mundo”.

Os primeiros 10 anos, para Schönborn, “de 1995 a 2005, foram muito pesados. Depois veio o pontificado do Papa Bento, que para mim teve muitas coisas positivas – conheço-o há 42 anos, posso dizer que somos amigos, fui um dos seus alunos, seu colaborador durante muitos anos –, muitas coisas positivas que talvez agora são pouco reconhecidas, e também teve grandes questões dentro do Vaticano, que foram verdadeiramente dolorosas. Agora estamos no pontificado do Papa Francisco, que estou vivendo como um novo começo, e, ao mesmo tempo, muitas vezes me faço a pergunta, tenho a preocupação: seremos capazes de seguir o passo do seu ritmo de reforma? O que este homem faz, que o Espírito Santo colocou como guia da Igreja e que nós escolhemos sem saber como seria seu pontificado, será ouvido? Tenho a impressão de que é ouvido por muitas pessoas que não têm vínculos com a Igreja, e que estão muito impressionadas com os temas que trata, por sua maneira de ser e de propor desafios, por sua humanidade. Também nós, na Igreja, seremos capazes de assumir e aplicar verdadeiramente seu programa de reforma? É uma questão crucial para mim, toca-me profundamente, coloca-me um grande desafio. Ele nos desafia; seu discurso na cúria antes do Natal, quando descreveu as 15 doenças espirituais, toca a todos nós, e pode ser aplicado a qualquer grande organização. É um desafio que nos faz bem”.

Schönborn também enfrentou, na entrevista, a questão das manifestações contra o islã na Europa, depois dos atentados à sede do Charlie Hebdo e a um supermercado kosher de Paris. “Há motivos para preocupação, e também, sempre, motivos de esperança”. Falando em geral, “a preocupação relaciona-se com o fato de que as tensões sociais estão se agravando na Europa, há uma divergência entre quem se perde no desenvolvimento econômico e social e quem melhora sua situação. Há uma séria preocupação com o risco de conflitos entre diferentes culturas, países de origem, religiões. Mas, ao mesmo tempo, é fascinante toda a solidariedade que surgiu depois destas tragédias, em todas as partes e em todas as camadas sociais. É um bom sinal o fato de que não tenham prevalecido os tons de quem pretendia ganhar migalhas políticas com esta situação”.

Depois dos atentados de Paris, “a situação é séria, mas muitas pessoas de todas as camadas sociais, de todas as religiões e países de origem sentem que este não pode ser o caminho”. Quanto ao seu país, “penso que na Áustria temos uma boa, sólida e longa tradição de diálogo entre culturas, línguas e religiões diferentes. Esta tradição não está morta e devemos fazer o que for preciso para que permaneça viva”, afirmou Schönborn.

Em relação às manifestações daqueles que desde Dresde e outras cidades alemães protestavam contra a suposta “islamização” da sociedade europeia (o chamado movimento “Pegida”), o cardeal recordou que “as demonstrações sempre tiveram seu espaço e seu significado: podem expressar um desejo de liberdade, como as demonstrações de Praga em novembro de 1989 ou as de Leipzig após o fim da República Democrática Alemã. Há demonstrações boas e necessárias que movem a história e também há demonstrações, como a de Heldenplatz, em 1938 (quando Adolf Hitler anunciou o Anschluss, a anexação da Áustria à Alemanha nazista, ndr.), que não deveriam se repetir”. O cardeal Woelki apagou as luzes da cúpula da catedral de Colônia como sinal de protesto pelas manifestações da Pegida. “Não havia pensado nisso, mas, claro, apagar as luzes da cúpula durante uma missa...”, brincou o cardeal de Viena. “Mas a decisão de Woelki é notável”.

O cardeal explicou que celebrará seus 70 anos com simplicidade (almoço na arquidiocese, encontro com os sacerdotes, missa com os jovens). “Meu calendário está bem cheio, não me faltam compromissos; desempenho meu serviço e o faço com alegria”, explicou Schönborn. A única coisa que me falta é “a falta de tempo”, razão pela qual no futuro gostaria de dedicar um pouco mais de tempo a atividades como a leitura, a oração e a reflexão. Sem querer especular sobre sua aposentadoria, de qualquer maneira, o arcebispo de Viena recorda que os bispos pedem sua renúncia aos 75 anos. E quanto aos compromissos no Vaticano (a comissão de cardeais sobre o IOR, a participação no Sínodo sobre a Família), o Papa Francisco já o expressou.

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