Igreja no Peru pede a Repsol que repare “completamente” o vazamento de petróleo

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28 Janeiro 2022

 

O arcebispo de Lima, Carlos Castillo, pediu a Repsol que repare “completamente e a longo prazo” os danos causados pelo vazamento de 6.000 barris de petróleo, ocorrido no dia 15 de janeiro, na costa da cidade e região de Callao. O vazamento poluiu 1,8 quilômetros quadrados de costa e 7,1 quilômetros quadrados de mar.

 

A reportagem é de María Martínez López, publicada por Alfa & Omega, 27-01-2022. A tradução é do Cepat.

 

“Esse é um problema de anos”, pelo qual “a empresa teria que ser obrigada a restituir toda a vida que vem para essa gente”. Não é suficiente “dar esmolinhas”, destacou Castillo, no sábado, em seu programa Diálogo de fé na emissora RPP.

De modo especial, o arcebispo manifestou sua preocupação com os pescadores e suas famílias. “Não é possível, nesse momento, que queiram contratá-los para que limpem. Eu não digo que não ajudem para que tudo se revolva”, mas se trata de uma solução parcial e temporária. Os filhos dessas pessoas “vão crescer nesse ambiente”, enquanto “fazemos vista grossa ou fazemos cara de que “não fui eu”. Isso é gravíssimo”, lamentou.

 

“Tudo é para ganhar”

 

Criticou de modo específico a atitude da empresa. “Tudo é para ganhar e pela ambição de se encher de dinheiro à custa da depredação. É o interesse próprio que gera a desigualdade”, sem assumir “a responsabilidade com o sofrimento do outro”. Por isso, “pensa-se em soluções somente técnicas e calculadas, segundo o lucro”.

As palavras de Castillo vieram um dia depois que o presidente da Conferência Episcopal Peruana, Miguel Cabrejos Vidarte, ter ressaltado que “é preciso agir rapidamente” e que os envolvidos “devem assumir suas responsabilidades e remediar urgentemente o enorme dano ambiental gerado”. As consequências do vazamento, ainda que sem calcular sua totalidade, “afetam duas áreas protegidas, o ecossistema do lugar, a vida de centenas de pescadores, os moradores da região, mas também as aves e o plâncton”.

 

A onda demorou 16 horas para chegar

 

O vazamento ocorreu no sábado, 15 de janeiro, enquanto um navio descarregava petróleo nas tubulações da refinaria La Pampilla e o mar arrancou duas dessas tubulações. A Repsol se defende dizendo que foi um acidente que fugiu de seu controle por ser consequência das fortes ondas provocadas pela erupção do vulcão Hunga-Tonga, em Tonga, sendo um “fenômeno imprevisível”. A Marinha de Guerra peruana descartou fazer o alerta de tsunami como Chile e Equador haviam feito. No entanto, a onda levou cerca de 16 horas para chegar nas costas peruanas.

A voz da Igreja se junto à de entidades ambientais como Ecologistas en Acción, que exigiu que o grupo espanhol explique “por que continuaram com a descarga” de petróleo, “apesar de ter motivos” para pensar que havia “algum risco possível”. Querem saber também “por que não se implantou um plano de contingência mais eficaz desde o início, mesmo observando inicialmente que o vazamento tinha sido mínimo”.

Segundo o Organismo de Avaliação e Fiscalização Ambiental (OEFA), do Ministério do Meio Ambiente peruano, no mesmo dia do acidente a refinaria informou um vazamento de 0,16 barris de petróleo (25 litros) em um espaço de apenas 2,5 metros quadrados.

O presidente da empresa espanhola no país, Jaime Fernández-Cuesta, reconheceu que houve um “erro de percepção”, informa a EFE. Em declarações ao programa Punto Final, da emissora Frecuencia Latina, afirmou que também estão fazendo tudo o que é possível para atenuar o problema e limpar as praias e o mar.

 

Reação tardia

 

No entanto, no mesmo programa, a presidenta do Conselho de Ministros, Mirtha Vásquez, afirmou que dois ou três dias após o vazamento, “o plano de contingência não havia sido implantado”, nem havia pessoal suficiente. Por isso, o Governo trabalha para tomar medidas contra o grupo espanhol pelo que considera o pior desastre ecológico no país em tempos recentes.

Ecologistas en Acción também anunciou que apoiará as demandas do Movimento Cidadão Frente às Mudanças Climáticas do Peru, “que exige que a Repsol torne público seu plano de contingencia e preste contas pela ineficácia das medidas de contenção desenvolvidas”.

 

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