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17 Mai 2019

No momento da sua Paixão, Jesus confirma a certeza de que em breve será glorificado. E confia a Pedro e aos discípulos - estes homens frágeis e falíveis - o seu «novo mandamento»: amar como ele mesmo os amou. Ou seja, a essência mesma da vida cristã.

A reflexão é de Marcel Domergue (+1922-2015), sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando o evangelho do 5º Domingo de Páscoa - Ciclo C (19 de maio de 2019). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

Ouça a leitura do Evangelho:


Referências bíblicas:

1ª leitura: Viagens missionárias (Atos 14,21-27).
Salmo: Sl. 144(145) - R/ Bendirei o vosso nome, ó meus Deus, meu Senhor e meu Rei para sempre.
2ª leitura: «Eis que faço novas todas as coisas» (Apocalipse 21,1-5).
Evangelho: «Eu vos dou um novo mandamento» (João 13,31-35).

O Pai e o Filho do homem são glorificados

Quer no Antigo quer no Novo Testamento, e, portanto, também na Liturgia, o tema da glória ocupa um lugar de destaque. Isto porque representa o resultado da obra divina. Devemos dizer imediatamente que, assim como todas as realidades que pretendem significar o que acontece em Deus e com Deus, este cumprimento deu-se «já e ainda não». Do mesmo modo que para a vinda de Cristo «os tempos se cumpriram», mas ainda esperamos a sua volta «no final dos tempos».

Paulo diz que «na esperança estamos salvos» (Romanos 8,24). Mas não esqueçamos que a esperança é certeza. Glorificar a Deus, «dar-lhe glória» é desde já reconhecer ser Ele o amor absoluto, sem mistura nem reserva; um amor de tal ordem que temos de acreditar n’Ele sem sequer poder imaginá-Lo. Deste amor temos somente uma prova: Cristo, o único justo, a única imagem do Deus invisível que deu sua vida pelos injustos. Sua vida, que é vida divina, a estes injustos, nós, que quiseram tomá-la. Mas em vão! Pois ele justamente nos deu isto de que queríamos nos apoderar. Nosso gesto predador encontrou-se, assim, sem objeto. Não há como apoderarmo-nos do que nos é dado; só podemos recebê-lo. O amor incompreendido torna-se então passível de ser conhecido.

Ora, o tema da glória comporta exatamente este aspecto, de conhecimento e de reconhecimento da nossa parte: para a fé, dar glória a Deus é proclamar que Ele é amor e somente amor. «Dar glória»: o verbo «dar», aqui, significa que o dom precede o nosso louvor, expressando o nosso retorno para Deus, a nossa origem. Damos o que recebemos, para que isto nos seja restituído, numa troca que não se interrompe mais. Em Gênesis 28,12, Jacó vê os «Anjos» descendo até ele e subindo de volta para Deus, numa escada que une a terra ao céu.

Habitados pela glória de Deus

A glória de Deus vem nos visitar e, assim, também nós somos «glorificados». Como isto se dá? Em Cristo, é claro. É o «Filho do homem», último e definitivo fruto da humanidade, que vai ser glorificado. E nós somos chamados a nos fazermos um só com Ele; a tornarmo-nos o seu «corpo». Assim, a glória de Deus encherá todo o universo. Isto significa que o amor, este outro nome de Deus, habitará todas as coisas. Será preciso muito tempo para que todos os homens lhe abram suas portas.

«Os tempos se cumpriram» significa que, em Cristo, tudo já nos foi dado. Mas este «tudo» não pode se tornar nosso sem o nosso consentimento. Enquanto esperamos, o Filho do homem antecipa este término, dando sua vida e fazendo-se assim, totalmente, um corpo só com o Amor que funda todas as coisas e ao qual chamamos de «Deus». Na Páscoa, completou-se o que chamamos de «Encarnação»: o Filho, tendo-se tornado plenamente humanidade e emprenhado de todos os homens, entra nesta glória que é a radiação de Deus.

Não vamos, pois, buscar a glória de Deus nem longe nem alto demais. Ela está aqui: a terra está cheia dela; ela nos habita. Claro que só através da fé podemos tomar consciência da presença desta glória divina. Estamos habituados a ver o sol se levantar, as estações se sucederem, as colheitas amadurecerem abundantes, a vida se gerar e germinar, e pensamos ter dito a última palavra qualificando tudo isto como «fenômenos naturais». Temos razão, mas a fé nos dá acesso à face escondida da natureza, à glória que lhe serve de fundamento. Da mesma forma que o Cristo é «glorificado» e que, nele, a natureza vive passando pela morte com vista a um renascimento. A glória tem a última palavra.

O amor, presença de Cristo

Podemos nos surpreender ao ouvir Jesus dizer para os discípulos «Por pouco tempo ainda estou convosco.» E ainda insiste: «Vós me procurareis e, como eu havia dito aos Judeus, agora também vo-lo digo: para onde vou, vós não podereis ir» (passagem omitida no texto litúrgico). De fato, ele tinha de atravessar sozinho a sua Paixão. Mas há algo mais aí: Jesus, dali em diante, não estará mais ao alcance nem das mãos nem dos olhos dos seus discípulos; estes não mais ouvirão sua palavra diretamente.

Isto acaso significa que não lhes estará mais presente? Certamente que não! Lembremos suas últimas palavras conforme Mateus: «Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.» Muitas outras passagens nos falam desta proximidade do Cristo ressuscitado: tornamo-nos um só com Ele. O discurso de depois da última Ceia, de onde se tirou este evangelho, repete isto de diversas formas. Insistência, aliás, que significa não ser isto algo que nos salte aos olhos.

Devemos repetir que a presença de Cristo daí em diante só nos será perceptível pela fé. E mais, ela se realizará somente através dos outros ou, mais exatamente, ela nos habitará quando aceitarmos nos unir a eles para formarmos um só corpo. E este corpo, então, se tornará o seu Corpo. Lembremos Mateus 18,20: «Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles» (ver também João 14, 23).

Tudo isso está em plena coerência com o «novo mandamento» dado pelo Cristo em seguida ao anúncio da sua partida: é o amor que constrói o Corpo. Onde e quando existe o amor, Deus está aí; o Cristo está aí. Não é o que nos diz a Trindade? Ser Deus relações? O amor é o que religa e que alia. Deus é isto.

 

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