Paraná. Professores entram no sexto dia de greve de fome

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26 Novembro 2020

São 126 horas sem se alimentar, e sem sinalização do governo do PR por diálogo.

A reportagem é de Mauren Luc, com a colaboração de Matheus Koga, publicada por Plural, 24-11-2020.

Nenhuma entrevista, nenhuma nota, nenhum apoio, nenhum repúdio. A posição alheia do governador do Paraná Ratinho Jr (PSD) sobre a greve de fome dos professores, na porta do Palácio Iguaçu, em Curitiba, reflete o que os educadores tentam combater: o descaso pela Educação. Eles estão há seis dias sem comer e prometem não sair do lugar até serem ouvidos. Uma assembleia estadual extraordinária foi convocada para esta quinta-feira (26) e colocará em votação uma greve geral da categoria.

“É desumano o governo do Estado não dialogar e muito menos se preocupar com as/os educadores que aqui estão lutando por direitos. É uma sensação de luto, porém mesmo com toda nossa dificuldade de permanência aqui devido à fome e à saúde, está sendo necessário fazer essa denúncia de forma radical”, afirma o professor Clau Lopes, da região do Tatuquara, que integra o protesto.

A manifestação se dá no momento em que os números de casos e mortes por Covid-19 aumentam rapidamente e os hospitais estão lotados. “Sim, temos medo de morrer, porém, a fome de justiça e respeito pela Educação é muito maior. Não é possível num estado democrático de direito o governo do Ratinho Jr não respeitar as/os educadores. A pandemia em Curitiba e no Paraná está grave, isso justifica mais ainda que o edital 47/2020 deve ser revogado. É um ato genocida do governo colocar em risco milhares de professores”, diz Lopes, que sente os efeitos da greve de fome, mas segue monitorado pelos profissionais da Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD).

Clau Lopes é atendido pelos médicos da ABMMD. (Foto: APP-Sindicato)

Direitos e PSS

Os educadores são contra o Processo Seletivo Simplificado (PSS), que permite a contratação temporária, e sem garantias, de professores e funcionários de escolas. O processo é utilizado desde 2005 e há sete anos o Paraná não tem concurso público para a Educação. Está é uma das reivindicações dos grevistas, que também protestam contra a militarização das escolas estaduais, pelo pagamento do salário mínimo regional, promoções e progressões de carreira aos funcionários da área.

Mesmo com a mobilização, a Secretaria Estadual de Educação (Seed) também não se manifestou, mas manteve o edital que fará a seleção dos professores para as vagas temporárias. O processo prevê prova presencial de 47 mil inscritos – seleção antes realizada por meio de títulos e tempo de serviço.

“Sou contra a prova também em virtude das precariedades dos contratos de profissionais PSS. Não somos contemplados pelo SAS não recebemos FGTS e a qualquer momento o contrato pode ser encerrado. O empenho do Estado nessa prova poderia ser canalizado na realização de um concurso público”, destaca o professor Anderson Teixeira, da Lapa.

“Estamos cansados e muitos/as dos 47 foram ao limite. O governador Ratinho Jr (PSD), se mantém no pedestal da vaidade. Soubemos que impingiu silêncio aos deputados da base sobre a greve de fome. Que determinou silêncio para a imprensa patrocinada pelo nosso dinheiro público. Sustentou a sandice de Renato Feder (secretário de Educação) indicando a manutenção de realização de prova para professores/as PSS durante a pandemia. Continuamos nossa ação de resistência”, escreveu o presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, em suas redes sociais na manhã de hoje. Ele também participa da greve de fome.

Hermes Leão e demais professores recebem flores e cartazes em apoio. (Foto: APP-Sindicato)

Procurada novamente pelo Plural, a Seed reforçou que não irá se manifestar a respeito.

“Eu me pergunto, o que impede o governador de concordar que essa prova possa ser feita em março, abril ou maio do ano que vem, e que de fato os seus resultados possam passar a viger a partir de 2022? Estamos falando de 28 mil profissionais que o governador quer colocar na rua. São 28 mil empregos. E o governador Ratinho terá uma marca na sua história, que é a história da indiferença, da vaidade, do descomprometimento, da conversa fiada”, analisa o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado Tadeu Veneri (PT).

O líder do governo na Alep, deputado Hussein Bakri (PSD), também foi procurado pelo Plural mas não atendeu à reportagem.

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