O Papa não renova o mandato do cardeal Müller. Algo sem precedentes recentes

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02 Julho 2017

Quem pensava que a despedida do cardeal Pell para a ir até a Austrália e enfrentar a justiça do seu País, seria uma notícia destinada a mexer com a vida dos palácios sagrados no início do verão europeu, se enganou.

A notícia bomba das últimas horas é a decisão do Papa Francisco de não confirmar no cargo o cardeal alemão Gerhard Ludwig Müller, 69 anos, que no dia 2 de julho conclui o seu primeiro quinquênio como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. O anúncio da decisão era previsto para a próxima segunda-feira (isto é, no dia seguinte do término do mandato), mas foi antecipado hoje, 1º de julho, dado que logo depois da audiência da manhã de ontem, quando soube da não renovação do mandato, o cardeal comunicou a  notícia aos seus colaboradores e ela foi publicada em dois sítios tradicionalistas na Itália e nos EUA.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por La Stampa, 01-07-2017. A tradução é de IHU On-Line.

A nota, agradecendo o trabalho do cardeal e a nomeação do seu sucessor, foi publicada na manhã de hoje pela Sala de Imprensa do Vaticano.

O teólogo Müller foi nomeado em 2012 por Bento XVI, quando era bispo de Regensburg, Alemanha, e recebeu o chapéu cardinalício no primeiro consistório de Francisco, em fevereiro de 2014. No seu lugar, como uma sucessão quase natural, chega o vice, o arcebispo espanhol (e jesuíta) Ladaria, também ele nomeado, em 2012, por Papa Ratzinger, um prelado considerado preparado e respeitado.

O que levou a esta clamorosa decisão, que não tem precedentes recentes na história da Santa Sé, mesmo porque parece que Müller não aceitou outros encargos e decidiu retirar-se?

A explicação que prevalecerá será a de que um cardeal foi ‘cassado’ porque não estava em sintonia com algumas aberturas do Pontífice, particularmente no que se refere à moral familiar e à exortação “Amoris Laetitia”, ainda que tentara fazer a mediação entre o Papa e os quatro cardeais autores dos famosos “dubia”. Mas a própria designação de Ladaria, e não de um purpurado ou de um bispo vindo de fora mais próximo da sensibilidade de Francisco, coloca em discussão esta hipótese. De fato, Ladaria não pode ser classificado como “progressista”.

Por que então o cardeal alemão não foi confirmado no cargo?

É provável que na origem da decisão de não renovar o mandato do cardeal seja o não funcionamento do dicastério, sua dificuldade nas relações e na colaboração. Particularmente, pode ter influído o excesso de exposição midiática de Müller: as seus posicionamentos pessoais muitas vezes soaram mais como de um especialista do que um responsável por um dicastério a serviço do Papa, apesar dos repetidos convites para ‘falar’ sobretudo como os documentos e os atos da Congregação. Intervenções que soavam quase sempre como querendo se distanciar do Pontífice.

A renovação do mandato de um Prefeito do ex-Santo Ofício, congregação que já foi chamada de “A Suprema”, não tem precedentes recentes.

Mas também é verdade que não tem precedentes o modo como o Prefeito que está saindo interpretou o seu papel. Do seu predecessor, o americano William Joseph Levada, quase não se recorda mais as entrevistas que concedeu durante o seu mandato, durante sete anos e que terminaram com o limite da idade. E do predecessor de Levada, o então cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação doutrinal ininterruptamente de 1981 a 2005, são recordadas raras entrevistas importantes, mas nenhuma que o colocava em contraposição ao Pontífice, João Paulo II. Isso apesar de se saber que sobre algumas questões – por exemplo, o encontro inter-religioso de Assis ou a purificação da memória durante o jubileu de 2000 - o cardeal bávaro tinha posições que nem sempre coincidiam com as de Wojtyla.

Pelo que se sabe, Müller teria recusado a oferta de um outro caro, preferindo a saída. Com a escolha de Ladaria – nomeado como número dois da “Suprema” por Papa Ratzinger – como sucessor do Prefeito que sai, é evidente que Francisco não pretende imprimir grandes mudanças na doutrina da fé. Como acontece no caso de um outro dicastério, o da Liturgia, onde o conservador espanhol Antonio Cañizares  Llovera foi substituído pelo Papa Bergoglio pelo conservador africano Robert Sarah.

Mudanças na cúpula dos dicastérios no final do quinquênio não são uma novidade deste pontificado. Em 2006, no fim do primeiro mandato como Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos (um dos cargos mais importantes, a ponto de ser definido como o “Papa vermelho”), Bento XVI decidiu transferir para Nápoles o cardeal Crescenzio Sepe fazendo com deixasse a Cúria Romana.

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