Doença de Chávez revela a dependência de Cuba em relação à Venezuela

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27 Julho 2011

A mais recente piada cubana envolve Fidel Castro, 84, e seu amigo Hugo Chávez, 56, que está com câncer: “O Líder Máximo abre a porta do quarto onde está internado o presidente venezuelano e anuncia: Surpreesaa, você vai morrer antes de mim!” Apesar da lendária irreverência dos havaneses, nas ruas da capital é a preocupação que tem predominado. “Espero que Chávez não morra”, diz Javier, vendedor de livros usados.

A reportagem é de Marie Delcas e Paulo A. Paranagua, publicada pelo jornal Le Monde, e reproduzida pelo Portal Uol, 28-07-2011.

Os cubanos não se esqueceram do impacto da queda da União Soviética. A economia da ilha, que dependia quase totalmente do comércio com os países comunistas e do petróleo soviético, entrou em colapso, lançando os cubanos na miséria e na desnutrição. Vinte anos depois, Cuba tem encontrado dificuldades para recuperar os níveis de produção de antes da queda do Muro de Berlim. Graças ao petróleo venezuelano – 115 mil barris por dia a preços especiais - , o transporte e o abastecimento melhoraram. Mas a nova dependência em relação à Venezuela traz temores de um novo cenário catastrófico, caso Chávez se torne incapaz ou venha a falecer, e seus partidários percam nas eleições de 2012.

“A Venezuela continuará sendo fundamental para Cuba durante quatro ou cinco anos ainda, por causa do petróleo”, admite Omar Everleny Perez Villanueva, do Centro de Estudos sobre a Economia Cubana, na Universidade de Havana. Esse economista muito respeitado nos meios oficiais continua otimista. “A Venezuela certamente é nossa principal parceira, com um terço das relações comerciais, mas atrás dela vem a China, a Espanha, os Estados Unidos e outros países”.

Além da diversificação do comércio, Cuba produz hoje metade do combustível que consome, sendo que ali não havia exploração petrolífera em 1990. Os 2,5 milhões de turistas, os envios de dinheiro de cubanos residentes no exterior, a exportação do níquel e de produtos biotecnológicos reduziram a vulnerabilidade da economia.

Oscar Espinosa Chepe, ex-prisioneiro político cujo conhecimento econômico é reconhecido, se mostra pessimista. “O cordão umbilical com a Venezuela é uma calamidade”, ele diz. “Sem o petróleo venezuelano, o turismo e a produção de níquel vão entrar em colapso. Tudo o que os turistas consomem é importado, e as fábricas são movidas a petróleo. Cuba não pode pagar US$ 100 o barril.”

Havana retribui a Caracas por meio de uma contabilidade obscura que inclui os serviços fornecidos pelos médicos e outros voluntários cubanos na Venezuela. Sua volta ao país estiraria ainda mais o mercado de trabalho. E quantos voluntários eles são? Sem números oficiais, as estimativas giram em torno de 20 mil a 60 mil pessoas.

Segundo Teodoro Petkoff, diretor do jornal venezuelano de oposição “Tal Cual”, “os cubanos são muito visíveis nas clínicas de bairro e nas quadras de esportes. Eles são completamente invisíveis nos serviços de segurança. Mas todos sabem que eles estão lá.”

“A influência dos cubanos não depende só de seu número”, observa a opositora venezuelana Rocio San Miguel, especialista em questões militares. Mais de 150 contratos públicos foram concedidos aos cubanos, sobretudo para a operação dos portos e a indústria petroleira.

Setores de cooperação

“A cooperação com Cuba é particularmente importante em cinco setores-chave: o serviço de registro civil, o controle do território (registro de estrangeiros), os serviços de inteligência, a nova polícia nacional e as forças armadas”, afirma San Miguel. “Os cubanos são muito ouvidos pelo estado-maior, politizado e completamente fiel a Chávez”, garante essa advogada, diretora da ONG Controle Cidadão. “Mas os oficiais são mais reticentes em aceitar a presença dos homens de Castro.”

Em abril de 2010, o general Antonio Rivero, ex-companheiro de armas do tenente-coronel Hugo Chávez, explicava as razões que o haviam levado a pedir para ser passado para a reserva. Principal candidato, ele citava “a presença e a intromissão dos cubanos, sobretudo em matéria de planejamento e de organização das forças armadas” e sua participação na elaboração da nova doutrina militar. “É aos cubanos que se devem a criação de regiões estratégicas de defesa e o conceito de guerra popular prolongada”, confirma San Miguel.

Em sua resposta ao general Rivero, Chávez negou qualquer controle de Cuba: “Os cubanos nos ajudam um pouco”, ele reconhece. “Eles nos ensinaram como estocar bússolas,  consertar os rádios dos tanques e armazenar munições.”

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