Quatro reflexões centrais dos ensinamentos do Papa Francisco frente à injustiça, exclusão e pobreza

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30 Outubro 2014

“Quando dou de comer aos pobres todos me chamam de Santo.
Mas quando questiono porque os pobres não tem comida,
me chamam de comunista (...)”
Dom Helder Pessoa Camara (1909-1999)

São muitas as passagens chave do discurso que o Papa Francisco, na Sala Velha do Sínodo, abordou aos participantes com o encontro “Movimentos populares. Terra, casa e trabalho, direitos para todos”. Um primeiro pensamento que parece ser fundamental é este: “Este nosso encontro não faz referência a uma ideologia. Vocês não trabalham com ideias. Trabalham com realidade, como aquelas que eu tenho mencionado e muitas outras que me contaram. Vocês têm os pés no lodo e as mãos na carne. Cheiram a comunidade, a pessoas, a luta! Queremos que a voz de vocês seja ouvida, a qual geralmente não o é. Talvez porque incomoda, talvez porque o vosso grito cria repulsa, talvez porque existe o medo da mudança que vocês exigem, mas sem a presença de vocês, sem realmente andar pelas periferias, as boas propostas e os projetos que seguidamente ouvimos nas conferências internacionais acabam no reino das ideias. É um projeto meu.”

O comentário é de Luis Badilla, publicado no sítio Il Sismógrafo, 29-10-2014. A tradução é de Ivan Pedro Lazzarotto.

Após, o Papa deixa claro o seu pensamento com uma segunda reflexão: “Não se compreende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho.Terra, casa e trabalho, aquilo pelo que vocês lutam, são direitos sagrados. Exigir isso não é nada estranho, é a doutrina social da Igreja”.

O Santo Padre adiciona uma terceira consideração: “Alguns de vocês disseram: este sistema não se sustenta mais. Devemos muda-lo, devemos recolocar a dignidade humana no centro e sobre este pilar construir as estruturas sociais alternativas que precisamos. Deve ser feito com coragem, mas também com inteligência. Com tenacidade, mas sem fanatismo. Com paixão, mas sem violência. E todos juntos devemos enfrentar os conflitos sem ficar aprisionados, procurando sempre resolver as tensões para que se alcance um nível superior de unidade, de paz e de justiça. Nós cristãos temos alguma coisa boa, uma linha de ação, um projeto, pode-se dizer, revolucionário. Aconselho que vocês leiam as bem- aventuranças que estão no capítulo 5 de São Mateus e 6 de São Lucas (Mateus, 5,3 e Lucas, 6,20), e de ler também a passagem de Mateus, 25”.

Finalmente o Papa assinala como quarta reflexão central: “A perspectiva de um mundo de paz e de justiça duradouras nos pede para superar o assistencialismo paternalista, exige, de nós que cremos, novas formas de participação que incluem os movimentos populares e dêem ânimo as estruturas de governo locais, nacionais e internacionais, com uma torrente de energia moral que nasce do envolvimento dos excluídos na construção do destino comum. E isso com desejo construtivo, sem ressentimentos, com amor.”

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