Políticas Públicas, Capitalismo Contemporâneo e os horizontes de uma Democracia Estrangeira

  • Sexta, 11 de Julho de 2014

O ensaio procura analisar a assertiva, realizada por Yann Moulier Boutang, de que o capitalismo cognitivo ainda não dispõe de uma economia política que lhe corresponda. A reflexão tem como ponto de partida a contextualização das transformações e lutas sociais vividas com a terceira revolução tecnológica, em particular no que tange à financeirização da economia capitalista. Questiona-se, em seguida, o lugar das políticas públicas nesse processo histórico. O texto trabalha a hipótese de que persiste no imaginário social uma concepção de política pública ainda referida ao Estado Social, que pouco problematiza suas implicações com a governamentalidade moderna. Para ilustrar o argumento é realizado um rápido estudo de caso sobre o sistema de saúde brasileiro. A questão democrática é então examinada, seguindo a proposta de refletir sobre a economia política contemporânea. Nesse sentido, discute-se o apartheid como modo de regulação e contenção da diferença no plano da sociabilidade, argumentando ser este um elemento nevrálgico na articulação do controle às resistências produtivas que se apresentam na atualidade. Por fim, o ensaio busca refletir sobre a necessidade de reinventar o problema da liberdade como horizonte político descolado das fronteiras e apartheids instaurados pela ficção jurídica e social da noção de indivíduo, fundamento da soberania nacional, e de suas correlatas fronteiras territoriais e subjetivas.

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