A perversão da política moderna - a apropriação de conceitos teológicos pela máquina governamental do Ocidente

  • Sexta, 11 de Julho de 2014

Giorgio Agamben em O Reino e a Glória faz uma genealogia teológica do poder. Para ele, o poder assumiu a forma de uma “economia”. Em sua análise, Agamben discute a oikonomia com pais da Igreja, como Tertuliano, Irineu, Santo Agostinho e Tomás de Aquino. Nos primeiros séculos, o cristianismo procurou conciliar o monoteísmo com a doutrina da Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) e, a partir daí, discutiu-se a oikonomia, a qual está relacionada com o governo dos homens e das coisas. Para Agamben, esse paradigma teológico-econômico se fundiu com a doutrina da providência divina.

Esses imaginários teológicos teriam sido assumidos pela máquina de governo do Ocidente, configurando, assim, a concepção de um Estado-providência. Todavia, esse governo não é apenas poder, mas ele é também glória. Desse modo, há marcas teológicas no Estado moderno. Acreditamos que, ao incorporar conceitos teológicos secularizados, a máquina governamental perverteu a política e o resultado desse processo foi a efetivação do estado de exceção e da biopolítica. 

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