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A fome é uma das grandes mazelas do mundo e combatê-la é um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas - ONU. Em recente relatório conjunto da União Europeia - UE, da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - FAO e do Programa Mundial de Alimentos - PAM, foi identificado que dois terços das mais de 113 milhões de pessoas que sofrem com a fome extrema concentram-se em apenas oito países. No Brasil, o histórico da fome é antigo. Ela assola nosso país desde o Brasil Colônia e precisa ser discutida e combatida. É justamente esse o propósito do documentário “Histórias da Fome no Brasil”, que foi debatido no Círculo Cultural da EcoFeira Unisinos, na última quarta-feira (27) de março.

O documentário, dirigido por Camilo Tavares, expõe a fome e a miséria no país em toda a sua história e provoca a discussão de soluções. A roda de conversa aconteceu no corredor em frente ao Instituto Humanitas Unisinos - IHU e reuniu visitantes e acadêmicos da universidade. A produção apresenta a importância dos programas sociais de políticas públicas para a população vulnerável, além de expor os fatores determinantes para a situação da fome no país, como o desemprego, o desperdício de alimentos e a falta de políticas que garantam a segurança alimentar e nutricional da população.

Impressões do debate

Marina da Rocha, bolsista do Tecnosociais – Unisinos, reforça em sua fala quão necessários são esses programas. Segundo ela, projetos como a merenda escolar e o Fome Zero são fundamentais no desenvolvimento social e cabe à população lutar pela permanência desses programas no país.

Para Carlos Magno Rodrigues, acadêmico de História, um passo importante nessa luta é o apoio à agricultura familiar, descentralizando o poder econômico das grandes empresas do agronegócio. As feiras de produtos orgânicos e de produção local, como a EcoFeira Unisinos, são ótimas opções para isso.

Para Regina Aparecida Lima da Silva, feirante da EcoFeira, há muitos fatores que contribuem para a alarmante situação da fome no Brasil. Regina cita o desemprego e o desperdício como alguns deles. Hoje há 13,1 milhões de brasileiros desempregados, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - PNAD Contínua.

Anualmente, são desperdiçadas 1,3 bilhão de toneladas de comida no mundo. Enquanto isso, 815 milhões de pessoas passam fome no planeta, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura - FAO. A feirante alerta para a urgência de enxergarmos a necessidade do próximo e nos dispormos a ajudá-lo. “Vemos tanta miséria acontecendo em todo lugar e se a gente parar um pouco de pensar só em nós, podemos ajudar quem tem precisado”, afirma ela.

Regina relata o quanto aprendeu com a programação cultural da EcoFeira, como a identificação de Plantas Alimentícias Não convencionais - PANCS e medidas para o aproveitamento total dos alimentos. Esse conhecimento, segundo ela, precisa chegar a outras pessoas.

A troca de saberes entre os participantes do Círculo instigou o debate de soluções para o problema da fome no país e a ideia é levar a discussão aos próximos encontros das atividades da EcoFeira. O Círculo Cultural faz parte da programação cultural da Ecofeira Unisinos e é coordenado pelo prof. Telmo Adams, do PPG de Educação da Unisinos.

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Dados da região acerca da incidência de sífilis em gestantes apontam uma realidade alarmante. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, houve um aumento de 840% no número de casos no período de 2008 a 2017. Essa variação se encontra acima dos registros estaduais e nacionais. 

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil vive uma epidemia de sífilis. A infecção pode ser transmitida sexualmente e põe em risco não apenas quem a possui, mas também o bebê se a paciente for gestante. Para esse caso específico, a doença é chamada de sífilis congênita. Nela, há um “amplo espectro de gravidade, que varia desde a infecção não aparente no nascimento até os casos mais graves, com sequelas permanentes ou abortamento e óbito fetal, com mortalidade em torno de 40% nas crianças infectadas”, informa o Ministério. 

Para evitar a propagação da doença, recomenda-se o acompanhamento das gestantes e parcerias sexuais. Por isso, é importante que os testes e exames sejam feitos o quanto antes, preferencialmente nos primeiros três meses de gestação. Caso o resultado dê positivo, o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde - SUS.

Seguem abaixo mais informações acerca desta realidade na saúde pública do país, estado e Região Metropolitana de Porto Alegre entre os anos de 2008 e 2017.

Brasil

Dados nacionais acerca da incidência de sífilis em gestantes apontam uma realidade alarmante. No Brasil, houve um aumento de 571% no número de casos no período de 2008 a 2017. Em 2008 havia 7.306 registros, ao passo que no ano de 2017 este número saltou para 49.028

InfográficoCasos de gestantes com sífilis no Brasil (2008-2017)

Ao longo dos anos, nota-se que as mulheres entre 20 e 29 anos representam mais da metade dos casos de sífilis congênita, sendo 53% em 2017. Ademais, observa-se um aumento da taxa percentual de representação de gestantes entre 15 e 19 anos, passando de 18% em 2008 para 26% em 2017. É importante mencionar o salto de 591% no número de casos nas gestantes entre 10 e 14 anos, isto é, 88 registros em 2008 para 608 em 2017. 

InfográficoCasos de gestantes com sífilis segundo faixa etária no Brasil (2008-2017)

Rio Grande do Sul

O estado apresentou uma tendência de crescimento relativamente maior que a do país nos registros de sífilis congênita. Se comparados os anos de 2008 e 2017, houve um aumento de 831%. Em termos absolutos, observa-se que o número de casos passou de 382 no primeiro ano de análise para 3.557 em 2017. 

InfográficoCasos de gestantes com sífilis no RS (2008-2017)

Gestantes entre 20 e 29 anos representaram metade dos casos de sífilis congênita contabilizados no estado, chegando a 54% em 2017. Em seguida, jovens grávidas com idade entre 15 e 19 anos representaram 24% dos casos para o mesmo ano. Mulheres entre 30 e 39 anos possuem 1/4 de representação do total de pacientes no último ano de análise. 

Infográfico: Casos de gestantes com sífilis segundo faixa etária no RS (2008-2017)

Região Metropolitana de Porto Alegre

A região possuía um registro de 167 casos de sífilis congênita no ano de 2008. Em 2017, este número saltou para 1.570 casos. Isso significa que neste período houve um aumento de 840% no número de gestantes com sífilis. 

Infográfico: Casos de gestantes com sífilis na RMPA (2008-2017)

Os municípios de Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Sapucaia do Sul, Alvorada, Viamão e Gravataí registraram 1.280 casos de sífilis congênita no ano de 2017. Esses oito municípios representaram 36% dos casos contabilizados no estado no mesmo ano. 

InfográficoCasos de gestantes com sífilis na RMPA nos municípios mais populosos (2008-2017)

A maior incidência de sífilis para o período de 2008-2017 ocorreu nas gestantes com idade entre 20 e 29 anos, sendo a faixa etária com maior número de casos dentre os municípios analisados. Em seguida, Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Sapucaia do Sul apresentaram alto número de pacientes de 30 a 39 anos. Já Porto Alegre, Alvorada, Viamão e Gravataí possuíam mais gestantes com idade entre 15 e 19 anos. 

Infográfico: Casos de gestantes com sífilis segundo faixa etária na RMPA (2008-2017)

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O abismo da moradia

Quarta, 3 de Abril de 2019

Em Autotomia, poema de Wislawa Szymborska, a poetisa encerra o texto com o seguinte epíteto: “O abismo não nos divide. O abismo nos cerca”. A eloquente frase serve como uma luva para descrever o problema da desigualdade no Brasil, que tem na questão da moradia uma importante materialidade de nosso abismo social.

São Leopoldo, cidade de colonização alemã, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, está longe de ser uma metrópole nos termos que conhecemos. Em 2010, segundo o Censo, a cidade tinha uma população de 213 mil habitantes, estimada em 234 mil em 2018. Do total, o déficit habitacional, segundo dados da Secretaria Municipal de Habitação, alcança a cifra de 10 mil famílias, algo como 30 mil pessoas. Separados na maior parte das vezes por poucos quilômetros de distância, residências de milhares de Reais, abastecidas por toda a sorte de serviços públicos e privados, convivem com casas de um único cômodo e sem acesso a itens absolutamente básicos, como acesso à água potável e saneamento, tampouco energia elétrica.

Na tentativa de construir conexões entre esses mundos, um grupo de aproximadamente 20 pessoas, entre estudantes, professores e outros profissionais da Unisinos, visitaram no dia 15 de março quatro ocupações no município onde está instalado o campus central da Universidade. Após a visitação, uma série de outras atividades foram realizadas, tais como audiências públicas, encontros com autoridades, audiência com o reitor da Unisinos, o Pe. Marcelo Fernandes Aquino, e reuniões com membros do Judiciário. O resultado de todo esse processo será publicado detalhadamente no Relatório da Missão em defesa da moradia digna nas ocupações de São Leopoldo.

Cruzar o Rio dos Sinos é como atravessar um oceano que divide realidades muito distintas. De um lado, residências que somam a casa dos milhões e, de outro lado, na Ocupação Steigleder, mais de 200 famílias sobrevivem em casas, na maior parte das vezes, com apenas quatro paredes, edificadas com materiais usados ou recicláveis, que também é uma das principais fontes de renda dessas famílias. Sem acesso à água ou saneamento, os moradores caminham quilômetros para encherem baldes e tonéis de água na de ida e volta à bica, que fica em frente a uma igreja, no bairro vizinho. Nos tempos de seca, o cenário lembra, também pela precariedade de serviços disponíveis, a parte esquecida do sertão brasileiro, com vegetação baixa e terra vermelha e seca. No período chuvoso, ou mesmo nos temporais de verão, a região alaga, transforma-se em um banhado com água pela cintura, que fica represada entre a cidade asfaltada, que margeia a ocupação, e o dique do Rio dos Sinos, vizinho próximo dos moradores da Steigleder. O que a distância geográfica aproxima, o abismo social separa unindo, nesse oxímoro que explica e expõe nosso paradoxo habitacional, onde a pobreza é escondida dos olhos escandalizados da classe média alta ao mesmo tempo que cresce exponencialmente debaixo de suas barbas.

Não muito distante dali, a Ocupação Vitória, que tem no nome a esperança pelo acesso à moradia digna, 245 famílias vivem em um espaço relativamente pequeno, divididas em três ruas, mas em uma situação bastante diferente da ocupação anterior. O local é uma ilha de moradores que vivem cercados por serviços públicos básicos, tais como educação, saúde e infraestrutura mínima. Isso reduz a precariedade das famílias, à medida que construíram autonomamente formas de distribuição de água e compartilhamento de energia elétrica. Organizados em uma associação de moradores, as pessoas da Ocupação Vitória têm se movimentado de forma mais orgânica para exigir seus direitos junto às autoridades, tendo, inclusive, se cotizado para pagar o IPTU da área, na expectativa de usarem o documento em favor próprio na busca por seus direitos fundamentais. O gesto ilustra e responde criticamente à ideia de senso comum de que as ocupações buscam esbulho, quando, ao contrário, estão simplesmente à procura de uma vida digna.

Do outro lado da cidade, a Ocupação Cerâmica Anita vive uma situação diferente. Numericamente menor, a comunidade tem 68 famílias que, depois de muita briga com o poder público, fez valer as políticas públicas de direito à habitação e aguarda ações concretas da prefeitura. O resultado da conquista dos terrenos, que ainda precisam ser loteados e organizados urbanisticamente – com água, saneamento e energia elétrica –, vem de uma longa luta e da organização dos moradores. O fato de o território ocupado ser de propriedade da prefeitura também facilitou o processo de regularização da área, o que não deixa de ilustrar a força da propriedade privada particular em nossas sociedades. É a legitimação, por vias tortas, dos interesses de poucos que se sobrepõem aos interesses de muitos, que no final das contas, desejam tão somente viver em uma casa, sem serem completamente excluídos.

Para chegar à Ocupação Justo, saindo da região da Cerâmica Anita, um dos caminhos possíveis exige cruzar o bairro Morro do Espelho, em São Leopoldo, bairro vizinho ao centro da cidade. A região tem um dos metros quadrados mais caros do município. A alguns quilômetros de distância 2.500 famílias brigam pelo direito à moradia digna. O movimento começou ainda no final dos anos 1990, com a retirada de famílias da região onde passaria a linha do trem, quando foi estendida até a Estação Unisinos. Mais tarde, nos anos 2010, a linha seria, por fim, aumentada até Novo Hamburgo, cidade vizinha, ao Norte de São Leopoldo. Ameaçados pela possibilidade de despejo, os moradores da Ocupação Justo e o município se veem diante do risco do agravamento de um problema que não pode ser resolvido evocando o direito à propriedade privada e desapropriando a área. Afinal, a questão a ser respondida, e que despertou a realização da Missão de visitação às ocupações, é a seguinte: O que fazer com essas mais de 2.500 famílias? Para onde irão as quase 10 mil pessoas que vivem no local?

A questão da moradia no Brasil é, historicamente, nosso samba ou, melhor dizendo, nosso choro de uma nota só, onde a população empobrecida é cada vez mais afastada da cidade e de tudo o que significa o termo “cidade” – serviços públicos, infraestrutura e, até mesmo, imaginário. As questões em torno do direito à habitação, no caso brasileiro, não passam por uma insuficiência de imóveis, como aponta o estudo realizado, em 2015, pela Fundação João Pinheiro, de Belo Horizonte, em que mostra que há 7,9 milhões de imóveis vagos para um déficit habitacional que na época era de 6,3 milhões de famílias. O problema da moradia digna no Brasil é político, mas não exclusivo do poder público, senão de uma sociedade empenhada em cavar fundo o buraco que nos divide. Melhor seria, talvez, se pudéssemos, na distância que nos separa, simplesmente construir pontes, mas como nos lembra com aturdida clarividência a poetisa polonesa que mencionamos no começo deste texto: “O abismo não nos divide. O abismo nos cerca.”

Ocupação Steigleder

  • Urbanização: nenhuma
  • Água: os moradores buscam água em uma igreja no bairro vizinho
  • Saneamento básico: nenhum
  • Iluminação: inexistente 
  • Famílias: 211
  • Trabalho: maior parte catadores de material reciclável
  • Renda Média: R$ 300

Ocupação Vitória

  • Urbanização: nenhuma
  • Água: rede irregular, com distribuição feita por mangueiras que se ligam entre as casas
  • Saneamento básico: nenhum
  • Iluminação: inexistente
  • Famílias: 245
  • Trabalho: variados, maior parte dos moradores trabalham fora de casa
  • Renda Média: R$ 900

Ocupação Cerâmica Anita

  • Urbanização: nenhuma
  • Água: rede irregular, com distribuição feita por mangueiras que ligam todas as casas
  • Saneamento básico: nenhum
  • Iluminação: inexistente
  • Famílias: 68
  • Trabalho: variados, parte dos moradores trabalham fora de casa e parte são catadores de material reciclável
  • Renda Média: R$ 900

Ocupação Justo

  • Urbanização: nenhuma
  • Água: rede irregular e regiões sem abastecimento nenhum
  • Saneamento básico: nenhum
  • Iluminação: inexistente
  • Famílias: 2.500
  • Trabalho: maior parte dos moradores trabalham fora de casa e parte são catadores de material reciclável
  • Renda Média: variado

 

Por Ricardo Machado

 

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Exposição, organizada pelo ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos - IHU, inicia no dia 2 de abril na Unisinos Porto Alegre

Conhecer a realidade local para, a partir desses dados, debater políticas públicas que possam melhor atender as populações. Isso é o que inspira a mostra políticas públicas na Região Metropolitana de Porto Alegre, organizada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, através de seu programa Observatório das Realidades e das Políticas Públicas do Vale do Sinos - ObservaSinos. São dez banners que fazem um diagnóstico de áreas como educação, saúde, trabalho, moradia, mobilidade, proteção social, violência, assim como perfil do eleitorado. O material fica exposto no Espaço Luis Fernando Verissimo, no campus Porto Alegre da Unisinos, de 2 até 17 de abril. Depois, segue para exposição no Campus São Leopoldo da Unisinos até o dia 25 de abril.

O Observa, como é conhecido o programa, nasce com o objetivo de aprofundar os conhecimentos sobre a região em que a Unisinos está inserida e, com a ampliação da atuação da Universidade em Porto Alegre, o foco se estende da região do Vale do Sinos para toda Região Metropolitana da capital. “Realidades que necessitam ser amplamente analisadas, debatidas e confrontadas com as políticas públicas implementadas em cada um dos 34 municípios da região”, aponta a professora Marilene Maia, que coordena as atividades do Observa.

Marilene ainda afirma que o debate sobre essas realidades “é constitutivo de um Estado e de uma sociedade democráticos, que estão garantidos pela Constituição Federal de 1988 e que está gravemente ameaçada”. Por isso, segundo ela, é fundamental que a partir desses dados se possam pensar em políticas públicas que deem conta das necessidades dessas realidades. E isso, como frisa a professora, é um processo de construção que não se limita apenas a uma atribuição do poder público. “As políticas públicas e, em especial, as políticas sociais são mediações estratégicas para o desenvolvimento civilizatório que tem na centralidade a cidadania. Pretende-se que as políticas públicas sejam respostas às necessidades e, ao mesmo tempo, potencializadoras das capacidades humanas”, define. E reitera: “a participação dos/as cidadãos/ãs é fundamental para o planejamento, monitoramento, avaliação e controle social. E isso só irá acontecer se toda a população analisar ampla e profundamente as realidades”.

A mostra Políticas públicas na Região Metropolitana de Porto Alegre ocorre como parte das atividades do Ciclo de Debates Políticas Públicas no atual contexto brasileiro – desafios e possibilidades para a democracia, promovido pelo IHU. As atividades iniciaram em março e seguem até dia 25 de abril. Acesse a programação completa. O Ciclo é inspirado no tema da Campanha da Fraternidade de 2019, Fraternidade e Políticas Públicas, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB.

 

Por João Vítor Santos

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Antes da crise econômica, em 2013, janeiro havia registrado a criação de 2.778 novos postos na Região Metropolitana de Porto Alegre. Em 2018, foram 2.774, mas o resultado deveu-se muito pela demissão de trabalhadores em novembro e dezembro de 2017, quando passou a vigorar a nova lei trabalhista. Assim, a partir de janeiro de 2018, os trabalhadores que foram demitidos no fim de 2017 passaram a ser admitidos novamente, sob o novo regime trabalhista.

O mês de janeiro registrou a criação de 834 postos de trabalho na Região Metropolitana de Porto Alegre, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - CAGED, divulgado pela Secretaria do Trabalho. O número representou o melhor resultado de criação de postos de trabalho desde 2014, início da crise econômica no Brasil.

Infográfico: Saldo de admitidos e desligados na Região Metropolitana de Porto Alegre em janeiro (2003-2019)

O município de Porto Alegre foi o que mais contribuiu para lenta recuperação do mercado de trabalho em janeiro. Foram 1.500 postos de trabalho fechados no município neste primeiro mês do ano. Já o município de Novo Hamburgo foi o que mais criou vagas de trabalho, foram 563.

Infográfico: Saldo de admitidos e desligados nos municípios Região Metropolitana de Porto Alegre em janeiro (2019)

As vagas criadas foram impulsionadas pelos jovens, embora os índices de desocupação nessa faixa etária, em 2018, tenham estado nos maiores patamares da série histórica. A retomada da participação dos jovens é um fator positivo, tendo em vista a diminuição deste e o crescimento de idosos no mercado de trabalho. As vagas impulsionadas foram do sexo masculino (1.358), enquanto em relação às mulheres a diminuição de vagas foi de menos 524.

Infográfico: Saldo de admitidos e desligados por faixa etária na Região Metropolitana de Porto Alegre em janeiro (2019)

Infográfico: Saldo de admitidos e desligados por sexo etária na Região Metropolitana de Porto Alegre em janeiro (2019)

O setor da indústria foi o que mais admitiu (4.274), seguido pela construção civil, embora num número bem baixo (202). Os setores de serviços (-2.787), comércio (-987) e agropecuária (-27) foram responsáveis pela lenta recuperação do mercado de trabalho em janeiro. As demissões nos setores de serviço e comércio podem ser reflexo do fim do trabalho temporário do final de ano. Mais de 80% destes trabalhadores contratados em janeiro recebem até dois salários mínimos mensais. E mais de 78% possuem uma jornada de trabalho entre 41 e 44 horas semanais. A apesar da melhoria do saldo de novas vagas no mercado de trabalho, os baixos salários e a alta jornada de trabalho continuam como características desde o início da crise econômica. 

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A vida pelo direito a um lar

Quarta, 27 de Março de 2019

Em São Leopoldo, Região Metropolitana de Porto Alegre, mais de três mil famílias enfrentam a luta diária por habitação digna

Diante da pergunta “sua casa é precária, regular, boa ou muito boa?”, o que você responderia? A maior parte das respostas das mais de dez mil famílias que vivem em áreas de ocupação em São Leopoldo é a última. A realidade, no entanto, mostra-se um pouco mais complexa. Isso porque pessoas que vivem em habitações de apenas uma peça, construídas com materiais velhos e sucatas classificam a própria casa como “muito boa”. Some-se a isso o acesso absolutamente precário à água potável e saneamento básico, bem como instalações elétricas de baixíssima segurança que, não raro, ocasionam acidentes fatais. No entanto, esses locais de habitação são mais do que casas, são lares onde os moradores alimentam sonhos e esperanças de que o poder público lhes conceda o direito constitucional à moradia. As casas, por mais simples que pareçam, transformam-se em lar e isso, entre outras razões, explica por que a maior parte dos moradores responde à questão do início com o “muito boa”.

Durante mais de oito horas uma equipe multidisciplinar da missão Em defesa da moradia digna nas ocupações de São Leopoldo, composta por profissionais das mais diversas áreas, do Direito à Educação, da Administração ao Serviço Social, visitaram quatro ocupações na quinta-feira, 14/3. Ao contrário do imaginário comum, em que tais moradores são vistos como invasores, o maior desejo das famílias é fazer a regularização fundiária e o pagamento de seus lotes, mas empecilhos jurídicos e a especulação imobiliária transformam a tarefa, que é antes de tudo um direito constitucional, em um verdadeiro suplício.

Esta missão assume um modelo metodológico internacional, em que a primeira parte integra a visita às comunidades e a segunda conta com visitas ao poder público em busca de um posicionamento em defesa dos direitos constitucionais estabelecidos com relação aos casos relatados. A seguir apresentamos, de maneira muito breve, a situação das quatro ocupações visitadas em São Leopoldo. Os dados apresentados têm como fonte os movimentos de ocupação, que consolidam as informações para prestar contas ao poder público.

Ocupação Steigleder

  • Urbanização: nenhuma
  • Água: os moradores buscam água em uma igreja no bairro vizinho
  • Saneamento básico: nenhum Iluminação: inexistente 
  • Famílias: 211
  • Trabalho: maior parte catadores de material reciclável
  • Renda Média: R$ 300

Altair José Silva, 45 anos, trabalha como catador de material reciclável. Pai de quatro meninas, mora na ocupação há cinco anos e pesquisou na Internet alguma forma em que pudesse ajudar a própria comunidade a melhorar suas condições de vida e descobriu a Constituição, mas, como ele mesmo diz, não conseguiu ir muito adiante na compreensão porque estudou até a quarta série. “Em 2017 queimamos pneus na estrada para chamar atenção para nossa situação e no mesmo ano fizemos uma passeata pacífica na Rua Grande (Av. Independência, no centro de São Leopoldo), apesar das pessoas nos insultarem, para que todos pudessem conhecer nossa situação”, conta Altair.

Reunidos na ponta da rua “Santa Fé”, nome dado por um morador local, o secretário de Habitação de São Leopoldo, Nelson Spolaor, somou-se aos integrantes da Missão com os moradores locais e falou sobre a situação em relação à prefeitura. “A região estava incluída em um projeto do Minha casa, minha vida, mas como houve congelamento de gastos e a mudança das estruturas federais, os ministérios, o repasse de recursos para estas obras está em suspenso”, justificou o secretário. Na prática, o governo federal que suspendeu o nível 1 do programa Minha Casa, Minha Vida, tema que voltou ao debate durante audiência pública realizada na noite de sexta-feira.

Além da absoluta falta de urbanização na área, serviços básicos de educação e saúde devem ser procurados no bairro vizinho, mas a escola, por exemplo, fica a pelo menos dois quilômetros de distância e os atendimentos no posto de saúde se tornam um pouco mais difíceis pela ausência de comprovante de renda. Entretanto, a cada 15 dias uma unidade móvel de saúde vai ao bairro para o atendimento de 13 fichas para clínico geral, o que é absolutamente insuficiente para a realidade local.

Ocupação Vitória

  • Urbanização: nenhuma
  • Água: rede irregular, com distribuição feita por mangueiras que se ligam entre as casas
  • Saneamento básico: nenhum Iluminação: inexistente
  • Famílias: 245
  • Trabalho: variados, maior parte dos moradores trabalham fora de casa
  • Renda Média: R$ 900

A Ocupação Vitória fica em uma região com mais acesso à água e saneamento básico. Diferentemente da Ocupação Steigleder, as pessoas estão mais integradas à Vila Brás, bairro que circunda a ocupação. Esta certa “centralidade” favorece o acesso a serviços básicos de abastecimento de água potável e iluminação, ainda que de forma não oficial. Cissiane da Rosa, 31 anos, é uma das moradoras mais articuladas na organização da ocupação. Como a maior parte dos moradores está no trabalho durante o dia, Cissiane fica responsável por mobilizar as famílias e fazer a gestão da pequena sede da associação de moradores que acaba reunindo informações e documentações para prestar contas sobre como andam as questões junto ao poder público. “No último ano nos reunimos e, com muito esforço, pagamos o IPTU da área. Temos o comprovante do pagamento, foram mais de R$ 12 mil. Aqui, ninguém quer nada de graça, queremos o direito à moradia digna, por isso queremos pagar um valor que seja justo”, assevera Cissiane. A região, que compõe três ruas, abriga 245 famílias. A exemplo da Ocupação Steigleder, há projetos aprovados junto ao governo Federal, do Minha casa, minha vida, mas sem aporte de recursos e sem previsão.

Ocupação Cerâmica Anita

  • Urbanização: nenhuma
  • Água: rede irregular, com distribuição feita por mangueiras que ligam todas as casas
  • Saneamento básico: nenhum Iluminação: inexistente
  • Famílias: 68 Trabalho: variados, parte dos moradores trabalham fora de casa e parte são catadores de material reciclável
  • Renda Média: R$ 900

No outro lado da cidade fica a Ocupação Cerâmica Anita. Das quatro ocupações visitadas esta é a única que teve um apoio mais concreto do poder público, mas ainda por ser realizado. Iniciada em 2014, a ocupação que foi feita em uma “área verde” do município, que corresponde a uma área pública, teve uma coesão maior dos moradores, o que acabou ajudando no processo de pressão ao poder público. “A única condição que estabelecemos às pessoas que queriam lotes na ocupação era que participassem das reuniões”, explica Cleusa Langemann, 33 anos, uma das líderes do movimento de ocupação.

Spolaor, que também visitou a ocupação, disse que já há aporte financeiro da prefeitura para a organização das ruas, dos lotes, do meio-fio e obras mínimas de infraestrutura, como de instalação da rede de esgoto e de água potável. “Cada um gastará o que pode para fazer sua casa. Ainda faremos um mutirão para reutilizar material de casas de madeiras cujos moradores construirão novas casas de alvenaria”, explica Cleusa. Após o início das obras por parte da prefeitura, que ainda não iniciaram, a previsão é quem em 90 dias tudo esteja concluído.

Ocupação Justo

  • Urbanização: nenhuma
  • Água: rede irregular e regiões sem abastecimento nenhum
  • Saneamento básico: nenhum Iluminação: inexistente
  • Famílias: 2.500
  • Trabalho: maior parte dos moradores trabalham fora de casa e parte são catadores de material reciclável
  • Renda Média: variado

Existente há 20 anos, a Ocupação Justo reúne o número mais expressivo de famílias de todas as ocupações da cidade, mais de dez vezes maior que a média das outras ocupações, somando mais de 2.500 residências. Em um encontro que se realizou no início da noite, mais de uma centena de moradores foram à Tenda do Encontro, onde foram discutidos os rumos da ocupação. Fábio Simplício, 35 anos, morador da ocupação há cinco anos, abriu a noite de diálogos convocando os moradores a participarem dos debates e se cadastrarem para terem mais força política junto ao poder público. “Nós só temos um objetivo, defender nossa casa. Aqui não é do jeito que a gente sonha, mas podemos transformar esse lugar no jeito que a gente quer”, provoca Simplício. “Se 99% dos moradores se cadastrarem, a gente consegue pressionar o juiz”, complementou.

Jucimara Flores, 40 anos, também moradora da Justo há cinco anos, trabalha no brechó da Tenda do Encontro, cuja renda é revertida para as crianças do bairro, e faz o cadastro dos moradores. “Uma das nossas maiores dificuldades é convencer pessoas da comunidade que a nossa luta pela moradia ainda não está ganha. Precisamos cadastrar a maior parte dos moradores para convencer o judiciário que estamos dispostos a pagar por nossa moradia, que somos organizados e que estamos mobilizados”, revela. Embora a mobilização de todas as famílias da ocupação ainda seja um desafio, as que estão no movimento demonstram uma coesão bastante forte. A prova disso é que, em uma audiência de conciliação, o judiciário propôs uma indenização a 12 famílias que entraram com processo de usucapião da área, que a propósito está com impostos em atraso, mas se negaram a aceitar o acordo porque não era extensivo às outras mais de 2 mil famílias. A indenização, contudo, referia-se tão somente às edificações, não à área de terra, que é a principal luta do movimento.

Cristiano Muller, advogado do Centro de Direitos Econômicos e Sociais - CDES que participou de toda a missão, lembrou que o maior número de denúncias ao Conselho Estadual de Direitos Humanos foi de violações a direitos fundamentais em áreas de ocupação no Estado. “O Conselho serve para ouvir as demandas das pessoas que vivem nas ocupações. Nós queremos mostrar para o judiciário, que no dia a dia não opera diretamente com estas questões, que há um outro direito possível, com uma série de resoluções que protegem as pessoas em situação de ocupação”, afirma Muller.

Seu xará, Cristiano Schumacher, da Diretoria Estadual do Movimento Nacional de Luta pela Moradia - MNLM, faz um trabalho intenso nas ocupações de todo o Rio Grande do Sul. Presente durante todas as visitas do dia, fez questão de falar ao microfone. “Todos aqui têm uma missão: conseguir o cadastro de mais duas famílias. Não precisa se associar à cooperativa se não quiser, mas precisa fazer o cadastro para que possamos ter força diante do judiciário. Essa é a nossa força”, pondera Schumacher, que desde a década de 1990 milita em favor de moradias dignas para as populações em situação de vulnerabilidade social.

Ao fim do encontro os moradores tomaram suas cadeiras e voltaram para suas casas. A luta, no entanto, renasce a cada nascer do sol. Se as noções de casa “muito boa” variam, as de lar tendem a ser menos plásticas. Dizem respeito ao lugar onde se encontra a possibilidade de ter paz, mesmo que a sombra do medo de ser despejado aterrorize, mesmo diante do receio de ter sobre as paredes da casa uma concha de escavadeira, que desce com força destrutiva do peso de uma assinatura em folha de papel. A luta pela moradia não é uma briga pela propriedade privada em seu sentido vulgar, capitalista, comercial. Não se resume ao verbo ter, trata-se de uma batalha por algo que também pode ser resumido em três letras, mas em um sentido existencial profundo, trata-se da luta por aquilo que chamamos, simplesmente, de “lar”.

Audiência pública

A ‘Missão’ se realizou no dia 15 de março de 2019, depois de dois dias de visitas às ocupações e às autoridades públicas, com uma Audiência Pública realizada no Auditório Central da Unisinos. O auditório, que comporta 320 pessoas, estava totalmente lotado com a presença maciça de mulheres, homens, jovens e muitas crianças, das quatro ocupações visitadas no dia anterior.

Hoje, segunda-feira, 18 de março, a “Missão” continua com uma audiência com o Ministério Público. No próximo dia 26, a audiência será com o Reitor da Unisinos.

 

Por Ricardo Machado

 

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O resgate das PANCs para qualidade de vida

Segunda, 25 de Março de 2019

A EcoFeira Unisinos, que ocorre todas as quartas-feiras em frente ao Instituto Humanitas Unisinos - IHU, traz semanalmente atividades culturais complementares à feira. Na última quarta-feira, a programação contou com a oficina de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), ministrada pela bióloga do Programa de Ação Socioeducativa na Comunidade (PASEC) Daiani Fraporti dos Santos. A proposta da oficina é ensinar a identificação de plantas alimentícias não convencionais e seu uso na culinária.

De acordo com a oficineira, muitas plantas acabam sendo tiradas de hortas, tidas como “plantas daninhas” quando na verdade também poderiam ser usadas na alimentação cotidiana. Conforme Daiani, estima-se que há 30.000 espécies de plantas com potencial alimentício no mundo, sendo que apenas 7.000 dessas espécies foram usadas ao longo dos anos. 

Normalmente, a dieta que seguimos sofre influência da mídia e de interesses econômicos, por isso nossa alimentação pode acabar sendo tão limitada. Hoje, a mídia tem feito o caminho inverso: focando sua pauta em uma alimentação saudável e rica em nutrientes.

Ao resgatar a utilização dessas plantas para o consumo humano, aumenta-se a variedade e qualidade da alimentação. Além disso, Daiani acredita que esse movimento tem trazido um resgate dessa alimentação não convencional, mas deve-se ter cuidado. É necessário muito cuidado na hora da identificação das PANCs, pois a ingestão de uma planta que não seja alimentícia pode causar uma intoxicação alimentar. Por isso a importância das oficinas onde estão sendo estudadas as PANCs mais facilmente encontradas no Rio Grande do Sul.

Entenda o termo

Daiani explica que existem hoje dois grupos de plantas alimentícias: as plantas alimentícias convencionais e as plantas alimentícias não convencionais (PANCs). Enquanto as plantas alimentícias convencionais encontram-se em grande parte da alimentação mundial, as PANCs costumam ser vegetações típicas de determinadas regiões e por isso seu uso na alimentação não é convencional.

Além disso, Daiani relata que hoje 90% da alimentação mundial vêm de apenas 20 espécies de plantas. Um número baixíssimo comparado à diversidade que há no planeta. Apenas no Brasil, temos 5 mil espécies de PANCs catalogadas.

Programação EcoFeira

Na próxima quarta-feira, 27/03, a programação da EcoFeira Unisinos segue com o Círculo Cultural. Nesse encontro será promovida uma roda de conversa sobre o tema do documentário “Histórias da Fome no Brasil”, do diretor Camilo Tavares. O Círculo Cultural será às 13h, no corredor em frente ao Instituto Humanitas Unisinos. O documentário pode ser acessado através do link.

O Observatório da realidade e das políticas públicas do Vale do Rio dos Sinos - ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos - IHU, dedicou os primeiros meses deste ano para publicizar dados acerca das mais variadas dimensões da realidade da Região Metropolitana de Porto Alegre - RMPA. Sistematizando informações sobre trabalho, educação, segurança e proteção social, o programa buscou provocar o debate sobre as políticas públicas e seu poder de transformação social. 

Abaixo o panorama socioeconômico da região.

TRABALHO E RENDA

2017

O rendimento médio do trabalho recebido pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade ocupadas foi de R$ 2.039,12 no ano de 2017 no Brasil. No Rio Grande do Sul, o valor do rendimento médio foi de R$ 2.237,00 em 2017 e na Região Metropolitana de Porto Alegre chegou a R$ 3.656,00. 

Enquanto os homens tiveram um rendimento médio de R$ 2.261,87 no Brasil, o valor recebido pelas mulheres foi de R$ 1.743,03, ou seja, uma diferença de 22,91%. No Rio Grande do Sul, a diferença foi de 23,98%, sendo que os homens receberam R$ 2.502,69 e as mulheres R$ 1.902,31. Nos municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, a diferença salarial foi maior ainda: 28,62%, representando uma diferença de R$ 1.224,70. 

InfográficoRendimento médio no Rio Grande do Sul e na Região Metropolitana de Porto Alegre

A diferença dos rendimentos dos 40% mais pobres entre os 10% mais ricos chegou a 12,4 vezes no Brasil. A diferença no Rio Grande do Sul foi de 10,3, portanto, abaixo da média nacional; na Região Metropolitana de Porto Alegre, a diferença foi maior: 16 vezes.

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD ainda possibilitam saber a desigualdade por cor e raça no ano de 2017. A diferença do rendimento médio recebido entre brancos e pretos e pardos foi de 42,03% no Brasil. No Rio Grande do Sul, esse percentual foi menor, sendo de 37,54%. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, esse percentual foi acima da média nacional: 55,11%, em valores, uma diferença de R$ 2.292,26 dos rendimentos dos pretos e pardos.

2018

A taxa da PNAD Contínua considera desocupada a pessoa com mais de 14 anos que procurou emprego e não encontrou na semana da realização da pesquisa.

InfográficoTaxa de desocupação na Região Metropolitana de Porto Alegre em 2018

A Região Metropolitana de Porto Alegre teve mais demissão do que contratação no ano de 2018. O saldo acumulado durante o ano foi de menos 563 postos de trabalho, ou seja, foram 458.309 admitidos e 458.872 desligados ao longo de 2018. 

InfográficoEvolução dos postos de trabalhos criados na Região Metropolitana de Porto Alegre em 2018

Um movimento de importante destaque nos dados do ano de 2018 é que à medida que a faixa salarial aumenta, o número de mulheres diminui. Sendo assim, quando o salário se encontra entre 0,51 e 1 salário mínimo, a representação percentual de trabalhadores do sexo feminino é de 61%; quando a faixa salarial é entre 4,01 e 5 salários mínimos, a representação feminina recua para 43%; e, por fim, com uma remuneração de mais de 20 salários mínimos, pessoas do sexo feminino representam apenas 20% dos postos de trabalho.

InfográficoRepresentação dos trabalhadores por sexo segundo faixa salarial  grau de instrução na RMPA em 2018

EDUCAÇÃO

Educação Infantil

Há uma necessidade de 61.762 novas vagas na Região Metropolitana de Porto Alegre em 2017.

InfográficoVagas a serem criadas na educação infantil na Região Metropolitana de Porto Alegre em 2017

Ensino Fundamental

Entre os anos de 2012 e 2017, o ensino fundamental apresentou melhoras na percentagem da taxa líquida de matrículas, isto é, a taxa que representa a razão entre o número de matrículas de alunos com idade prevista para estar cursando determinada etapa de ensino, neste caso de 6 a 14 anos, e a população total na mesma faixa. Em 2014, por exemplo, 97,1% desses jovens frequentavam a escola, e após a queda para 97% em 2015, as matrículas foram para 98,8% em 2017. 

InfográficoTaxa líquida de matrícula no ensino fundamental

Ensino Médio

Uma tendência alarmante de evasão escolar na RMPA se localiza nos dados concernentes aos anos do ensino médio. A taxa líquida de matrícula chega a cair uma média de 30 pontos percentuais se comparada com as matrículas do ensino fundamental. Entre os anos de 2012 e 2017, o percentual diminui, passando de 63,5% em 2012 para 57,3% em 2017. Desta forma, conclui-se que, em 2017, apenas 56,9% dos jovens de 19 anos concluíram o ensino médio. Este número chegou a 51,8% em 2016.

InfográficoTaxa líquida de matrícula no ensino médio

InfográficoPercentual de jovens de 19 anos que concluíram o ensino médio

Ensino Superior

Apenas 26,5% da faixa populacional da RMPA com idade entre 18 e 24 anos frequentavam o ensino superior em 2017. Apesar da baixa percentagem, esse dado é o mais alto do período entre os anos de 2012 e 2017, chegando a registrar 21,2% no primeiro ano de análise.

Infográfico: Percentagem de matrículas da população de 18 a 24 anos no ensino superior

MORADIA

A Região Metropolitana de Porto Alegre com 1.485.000 habitantes em 2017 registrou 9 mil pessoas ou 0,6% da população com ausência de banheiro de uso exclusivo do domicílio. No mesmo ano, 2,3% dos habitantes da região ou cerca de 34 mil pessoas residiam em uma casa com paredes externas construídas predominantemente com materiais não duráveis, 58 mil habitantes ou 3,9% da população viviam em domicílios com adensamento excessivo, 3,6% ou mais de 53 mil pessoas moravam em domicílios que apresentavam ônus excessivo com aluguel e havia 8,8% ou 130.680 pessoas com ao menos uma inadequação de moradia.

Na região, mais de 43 mil pessoas não possuíam esgotamento sanitário por rede coletora ou pluvial no ano de 2017, bem como 201.960 pessoas possuíam restrições de acesso à internet em seus domicílios.

InfográficoProporção de pessoas residentes em domicílios particulares com restrições no Brasil, RS e RMPA (2017)

A Região Metropolitana de Porto Alegre registrou, em 2015, um déficit de 96.614 moradias, sendo 98% na zona urbana. Esse número é 25% maior que aquele registrado em 2012. Sendo assim, pode-se concluir que houve um aumento no déficit de 19.236 moradias em apenas três anos.

Apesar de ser relativamente pequeno, o déficit habitacional rural também apresentou tendência de crescimento nos últimos anos. Em 2011, o déficit contabilizava 931 moradias; já em 2015, tem-se um registro de 1.783, isto é, em quatro anos o déficit rural praticamente dobrou seu número.

InfográficoDéficit habitacional total por situação do domicílio na RMPA (2007-2015)

O ônus excessivo com aluguel é a maior causa do déficit na RMPA, representando 50%, seguido da coabitação familiar com 31%, habitação precária com 16% e, por último, o adensamento excessivo com 3,14%.

InfográficoParticipação dos componentes no déficit habitacional na RMPA (2007-2015)

SEGURANÇA 

Na Região Metropolitana de Porto Alegre, apesar de também terem diminuído as ocorrências de violência, ainda aconteceram aproximadamente 37 casos de ameaça e 24 de lesão corporal por dia em 2018. Por outro lado, assim como no Rio Grande do Sul, os casos de estupro aumentaram em 23,50% entre 2012 e 2018, acima da média do estado, sendo que foram registrados mais de dois casos por dia no último ano. Na mesma direção, está o aumento dos casos de feminicídio, representando um aumento de 60,30%, quando comparado com 2012.

InfográficoViolência contra a mulher na Região Metropolitana de Porto Alegre

InfográficoRegistro de violência contra mulheres na Região Metropolitana de Porto Alegre

A região ainda registrou 1.915 homicídios em 2016. Os homicídios envolvendo a população entre 15 e 29 anos representou, no mesmo ano, 55% do total das mortes registradas na região e 32% dos homicídios contabilizados no estado. Em 2004, por exemplo, os jovens com essa faixa etária representavam 58% do total de homicídios na região. Ademais, analisando a faixa temporal 2003-2016, conclui-se que o número de homicídios de jovens aumentou 75%, passando de 599 em 2003 para 1.048 no último ano da série. 

InfográficoPercentual de representação da população jovem no total de homicídio na Região Metropolitana de Porto Alegre

PROTEÇÃO SOCIAL

A população vulnerável de 15 a 24 anos registrou um aumento de 2.870 pessoas entre os anos de 2014 e 2015. Esse crescimento foi ocasionado, em grande parte, pela população do sexo masculino, que representou 97% destes quase 3 mil jovens a mais em situação de vulnerabilidade. Não obstante, a população vulnerável de mulheres é historicamente maior entre o período analisado. Desta forma, a região fechou o ano de 2015 com uma população de 76.627 jovens sem proteção social. Este indicador de vulnerabilidade social considera quando o jovem possui a renda per capita igual ou inferior a meio salário mínimo.

InfográficoPopulação vulnerável de 15 a 24 anos na Região Metropolitana de Porto Alegre

A porcentagem relativa de mulheres de 10 a 17 anos que tiveram filho encontra-se em um nível historicamente maior na Região Metropolitana de Porto Alegre se comparada com o percentual do estado. Em 2015, 1,66% das mulheres com essa faixa etária tiveram filho. Esse valor, por mais que seja 51% menor que o registro do ano de 2000, possui um crescimento de 17% se comparado com o ano de 2012.

InfográficoPercentual de mulheres de 10 a 17 anos que tiveram filhos na RMPA (2000, 2010-2015)

No período compreendido entre 2011 e 2015, o número de mulheres consideradas chefes de família e que possuíam pelo menos um filho menor de 15 anos de idade residindo no domicílio sempre se manteve maior que 180 mil pessoas. Em 2014, esse indicador chegou a registrar 204.306 mulheres chefes de família na região. 

InfográficoPopulação de mulheres chefes de família e com filhos menores de 15 anos na RMPA (2011-2015)

Exposição itinerante sobre as Políticas Públicas na RMPA

O ObservaSinos promoverá, de 01 a 25 de abril, a "Exposição itinerante: políticas públicas na Região Metropolitana de Porto Alegre. Alguns dados para a análise e o debate". A exposição tem como objetivo promover a análise e o debate das realidades da Região Metropolitana de Porto Alegre por meio de dados a respeito da demografia, educação, mobilidade, moradia, proteção social, política, saúde, segurança e trabalho. A exposição ainda tem como propósito contribuir nos processos de planejamento, monitoramento, avaliação e controle social das políticas públicas.

01 a 17 de abril: Espaço Luis Fernando Verissimo - Unisinos Campus Porto Alegre

18 a 25 de abril: em frente ao Instituto Humanitas Unisinos - Unisinos Campus São Leopoldo

CICLO DE DEBATES

A Exposição compõe a programação do "Ciclo de debates - Políticas Públicas no atual contexto brasileiro". Dado que o evento ocorrerá diante do cenário atual, que impõe inúmeras adversidades, (re)pensar as políticas públicas no atual contexto, debatendo os principais desafios e possibilidades, torna-se uma tarefa urgente. A institucionalização da austeridade fiscal como paradigma político e o corte de gastos no orçamento público para áreas como educação e saúde impõem a necessidade de uma profunda discussão sobre os impactos dessas políticas no cenário brasileiro.

A programação completa do evento pode ser acessada aqui.

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O prazo de envio de trabalhos para o “Ciclo de Debates Políticas Públicas no atual contexto brasileiro. Desafios e possibilidades para a democracia” foi prorrogado. Para ampliar a reflexão e os debates sobre o tema, o evento convida a comunidade científica em geral para participarem deste Ciclo de Estudos também por meio de apresentação de cine-vídeo, pesquisas e experiências, conforme orientações do edital. Os trabalhos devem ser resultantes de pesquisas concluídas ou em andamento.

O evento promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU acontecerá de 11 de março a 25 de abril de 2019, fazendo parte da programação de Páscoa, anualmente promovida pelo IHU, já em sua 16ª edição.

Programação

Envio de trabalhos: até 27/03/2019.

Divulgação dos trabalhos aceitos: 29/03/2019.

Mais informações acesse aqui.

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Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - CAGED revelam movimentações importantes no mercado de trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre - RMPA no ano de 2018. Apesar do maior número de contratações de homens do que de mulheres, trabalhadores do sexo masculino sofreram mais desligamentos no ano passado. Contudo, nota-se que quanto maior a remuneração, menor a representação feminina nos postos de trabalho, mesmo com grau de instrução maior que o dos trabalhadores homens.

O número de demissões de trabalhadores do sexo masculino foi maior se comparado ao de contratações, resultando um saldo negativo de 1.682. Já as pessoas contratadas do sexo feminino contabilizaram um saldo positivo de 1.748 postos de trabalho. Todavia, em termos absolutos, mais homens entraram no mercado de trabalho em 2018 na região do que as mulheres. Assim, no ano passado foram contratados 246.164 homens e 201.445 mulheres. 

InfográficoNúmero total de demissões e contratações por sexo na RMPA em 2018

O saldo negativo de trabalhadores homens foi registrado em 17 municípios da região. Novo Hamburgo recebe destaque por apresentar 1.371 desligamentos do sexo masculino e 511 do sexo feminino. Já o município de Porto Alegre fechou o ano de 2018 com um saldo negativo de 923 trabalhadores homens, ao passo que criou 1.446 postos de trabalho a mais para mulheres. Canoas se destaca por apresentar um saldo negativo em ambos os sexos: foram 848 desligamentos a mais para homens e 428 para as mulheres.

Montenegro fechou o ano com saldo positivo em ambos os sexos: criação de 352 contratações para trabalhadores do sexo masculino e 727 para trabalhadores do sexo feminino. Da mesma forma, São Leopoldo contratou mais do que demitiu; foram criados 1.057 postos de trabalho para pessoas do sexo masculino e 738 para pessoas do sexo feminino. Por outro lado, os municípios de Araricá, Guaíba, Portão e Sapucaia do Sul demitiram mais mulheres do que homens.

InfográficoSaldo de postos de trabalho por sexo na RMPA em 2018

Quanto maior é a remuneração, menor é a representação feminina nos postos de trabalho

Um movimento de importante destaque nos dados do ano passado é apresentado ao observar que à medida que a faixa salarial aumenta, o número de mulheres diminui. Sendo assim, quando o salário se encontra entre 0,51 e 1 salário mínimo, a representação percentual de trabalhadores do sexo feminino é de 61%, quando a faixa salarial é entre 4,01 e 5 salários mínimos, a representação feminina recua para 43% e, por fim, com uma remuneração de mais de 20 salários mínimos, pessoas do sexo feminino representam apenas 20% dos postos de trabalho.

Por outro lado, quanto maior o grau de instrução, menor a representação de trabalhadores do sexo masculino. Assim, homens representaram 42% dos trabalhadores com ensino superior completo, 64% dos empregados com ensino fundamental completo e 69% dos contratados com até o 5º ano do ensino fundamental incompleto. 

InfográficoRepresentação dos trabalhadores por sexo segundo faixa salarial  grau de instrução na RMPA em 2018

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