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"Um mundo de criatividade e pesquisa" é a proposta da edição de 2019 da Feira de Ciência e Tecnologia da Fundação Liberato - MOSTRATEC.

Segundo o site da Fundação, "a MOSTRATEC é uma feira de ciência e tecnologia realizada anualmente pela Fundação Liberato, na cidade de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, Brasil. Destina-se a apresentação de projetos de pesquisa em diversas áreas do conhecimento humano, realizados por jovens cientistas do ensino médio e da educação profissional técnica de nível médio."

A programação do evento pode ser acessada aqui.

Como participar?

A participação pode se dar de várias formas: como aluno expositor, professor orientador, avaliador, parceiro, escola visitante e voluntário. Acesse aqui para ficar por dentro do evento.

Neste sábado, dia 19 de outubro, haverá a Feira Viva Festival das 10h às 19h, na Praça da Bandeira, em frente à Biblioteca Pública de Novo Hamburgo/RS. O evento será palco de debates sobre projetos de lei de combate aos agrotóxicos e de apoio à agroecologia.

Fique por dentro da programação da Feira:

10h30 – Microfone aberto para livre expressão

12h – Esquete não toque – Em Cena grupo teatral

12h15 – Roda de Conversa: Como elaborar um projeto de lei de combate aos agrotóxicos e apoio à agroecologia com a advogada Gabriela Piardi dos Santos dos Santos e convidadas/os - mediação Asamoras Produções

13h - Rodrigo Cypriano  - voz e ukulele - pop e rock anos 90/2000

14h - Roda de conversa: Os impactos socioambientais da maior mina de carvão a céu aberto e os riscos à vida com integrantes do Comitê de Combate à Megamineração no Rio Grande do Sul - mediação Asamoras Produções

15h15 - Dança indiana com Amelize Mattos da Cia Nrty de Dança 

15h30 – Troca de brinquedos com Patrícia Spindler

16h20 – Vida de Cachorro com Eduardo Ben-Hur - Circo Petit POA 

17h -  Márcio Fulber e Bando – A saga do artista de rua - Jazz de New Orleans

18h - Luisa Gonçalves e banda – repertório autoral sócio político, com pitadas de samba rock, axé, funk e MPB.

ESPAÇO VIVO

11h – Prática de HathaYoga no estilo Om Mandira - traga seu tapete ou sua canga

15h30h – Prática de Yoga com Om Mandira – Pranayamas (exercícios respiratórios) e meditação - traga seu tapete ou sua canga

DURANTE A FEIRA

- Troca de Livros;

- Varal de Sacolas Ecológicas;

- Degustação de PANCs (Plantas alimentícias não convencionais) organizada Grupo de Consumo Responsável Araçá (araca.eco.br);

- Centro Espiritual Pachamama com canções e roda de conversas sobre espiritualidade; 

- Das 10h às 16h - Compostagem de Resíduos Orgânicos, com Jenifer Panizzon, bióloga e mestranda em Qualidade Ambiental, pela Universidade Feevale. Atividade está vinculada ao grupo de pesquisa “Circulando: Economia Circular compartilhada”, o qual busca facilitar o entendimento da Economia Circular de uma maneira descomplicada, informativa e prática.

O evento é adequado para crianças.

Em caso de chuva o evento será transferido para o dia 26.10.19

Acompanhe nas redes sociais @feiravivanh

 

Aproximadamente 30% das 267 detecções de agrotóxicos nas águas da região metropolitana estão concentradas em Porto Alegre, Novo Hamburgo e São Leopoldo. Estes dados foram coletados no Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), publicizados pela plataforma Por Trás do Alimento, uma parceria entre a Agência Pública e Repórter Brasil. Até outubro deste ano foram liberados 382 pesticidas e no ano passado 450 substâncias tóxicas foram registradas, segundo acompanhamento feito pela Folha de São Paulo. Dados que necessitam integrar as análises e debates sobre a alimentação, oportunizadas pelo Dia Mundial da Alimentação a ser relembrado no próximo 16 de outubro.

Confira abaixo as informações.

Região Metropolitana de Porto Alegre

Foram descobertas 267 detecções de agrotóxicos nas águas que abastecem os municípios da região metropolitana entre os anos de 2014 e 2017. Aproximadamente 30% deste total se concentrou em Porto Alegre, Novo Hamburgo e São Leopoldo, cada um apresentando 27 tipos de substâncias tóxicas. Deste total, 11 agrotóxicos estavam relacionados com doenças crônicas, como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos.

InfográficoNúmero de agrotóxicos detectados nas águas da RMPA (2017)

Em seguida, Eldorado do Sul apresentou 18 tipos de agrotóxicos em suas águas, sendo 7 deles altamente tóxicos, relacionados com doenças crônicas. Ademais, das 17 substâncias tóxicas encontradas nas águas de Gravataí, 9 delas eram também relacionadas com adoecimento crônico. Parobé, Canoas e Glorinha se destacam por apresentar 15 agrotóxicos e metade deles são classificados como possíveis vetores de doenças congênitas ou distúrbios endócrinos.

Nenhum agrotóxico foi detectado nas águas dos municípios de Capela de Santana, Charqueadas, Igrejinha, São Sebastião do Caí, Viamão e Dois Irmãos. Por outro lado, Cachoeirinha, Santo Antônio da Patrulha, São Jerônimo, Araricá, Estância Velha, Nova Hartz, Portão, Sapiranga e Sapucaia do Sul não possuíam dados coletados para esta pesquisa, o que não exime esses municípios de uma possível contaminação nos seus sistemas de distribuição de água.

Brasil

“Um coquetel que mistura diferentes agrotóxicos foi encontrado na água de 1 em cada 4 cidades do Brasil entre 2014 e 2017. Nesse período, as empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas. Entre os locais com contaminação múltipla estão as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis e Palmas.” Estes dados foram publicados na reportagem de Ana Aranha e Luana Rocha através da plataforma intitulada Por Trás do Alimento, uma parceria entre a Agência Pública e Repórter Brasil.

Mapa dos agrotóxicos nas águas brasileiras

Os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Tocantins foram os que apresentaram o maior número de cidades que detectaram todos os 27 agrotóxicos analisados na pesquisa. O Rio Grande do Sul ficou na décima posição. Em São Paulo, por exemplo, foram registradas 504 cidades, isto é, 78% do total de municipalidades do estado. As substâncias tóxicas também aparecerem na água distribuída em 121 dos 139 municípios do estado de Tocantins (87% do total).  

Coquetel tóxico

Quais foram os agrotóxicos encontrados?

Saiba mais sobre os possíveis efeitos dos agrotóxicos encontrados nas águas de Porto Alegre, Novo Hamburgo e São Leopoldo: 

Agrotóxicos encontrados na Região Metropolitana de Porto Alegre

Agrotóxicos, políticas públicas e a saúde da população

Exposição ao agrotóxico, perda de emprego, crises políticas e econômicas, discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, agressões psicológicas e/ou físicas, sofrimento no trabalho, diminuição ou ausência de autocuidado, conflitos familiares, perda de um ente querido, doenças crônicas, dolorosas e/ou incapacitantes, são alguns fatores elencados pelo Ministério da Saúde em relação às causas comprovadas de suicídio e automutilação. Sabe-se, também, que a Região Metropolitana de Porto Alegre registrou 25 casos de suicídio por mês em 2018

Estima-se que o Brasil consuma 18% dos agrotóxicos do mundo, mesma porcentagem dos Estados Unidos. Os números relativos ao Brasil apontam franca ascensão do consumo de agrotóxicos. Em 1990, o país respondia por apenas 3% dos volumes globais, estimado em 1,8 milhão de toneladas. Desse total, 75% estava concentrado em países de alta renda. Em 30 anos, o consumo mundial subiu para 3 milhões de toneladas ao ano.

Um artigo de André Antunes publicado pela revista IHU On-line mostra forte ligação do uso de agrotóxicos com a saúde pública. O autor aponta que o “atual sistema agroalimentar é produtor de doença, iniquidade social e injustiça ambiental. As evidências disso se acumulam: da contaminação de alimentos e intoxicação de trabalhadores rurais por agrotóxicos, passando pela poluição do ar, dos rios e dos solos; pelos resíduos de um sistema dependente dos combustíveis fósseis, chegando aos problemas gerados pelos hábitos alimentares nada saudáveis fomentados pela indústria alimentícia – com seus produtos processados, ricos em gorduras e conservantes e pobres em nutrientes”.

Antunes aponta o conhecimento tradicional e a agroecologia como alternativas para a retomada de uma alimentação mais saudável e consciente. Este pensamento conversa com o posicionamento de Carlo Petrini e Vandana Shiva, sujeitos que serão estudados dia 04 de novembro no Ciclo de estudos: Preparando o Pacto Global para uma outra Economia na Unisinos, no Campus de São Leopoldo, das 17h às 19h, na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros - IHU. O primeiro encontro ocorreu no dia 07 de outubro e abriu as discussões a respeito da forma como produzimos e preservamos a vida do/no Planeta Terra.

Este ciclo é formado por encontros em Porto Alegre (quartas ao meio-dia) e em São Leopoldo (segundas no vespertino), constituindo grupos de estudo que analisarão transdisciplinarmente os cenários da economia atual mundial e os seus determinantes nas diferentes áreas da vida planetária, indicando perspectivas para o Pacto Global por uma outra Economia, preparando o Encontro Mundial em março de 2020.

Confira a programação completa aqui.

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Neste domingo, 06 de outubro, serão eleitos conselheiros tutelares que atuarão em cada município do Brasil. O voto será secreto, local e facultativo para qualquer eleitor do país. Todavia, a escolha dos novos membros para o Conselho Tutelar definirá a conduta desse órgão frente aos direitos da criança e do adolescente em meio a um contexto de desmonte das políticas públicas

A nota aqui apresentada tem o intuito de (in)formar a população sobre as funções, o papel dos Conselhos Tutelares, a existência deles na região do Vale do Sinos, bem como os requisitos que cada candidato precisa apresentar para se tornar conselheiro. O  Observatório da realidade e das políticas públicas do Vale do Rio dos Sinos - ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos - IHU, coletou e sistematizou informações sobre Conselhos Tutelares na região do Vale do Sinos divulgadas pelo Ministério Público Federal, Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC e sítios das prefeituras de todos os municípios do Vale do Sinos. Esta eleição pode ser uma contribuição efetiva à proteção integral das crianças e dos adolescentes, que têm experimentado crescentes vulnerabilidades e riscos sociais. Participe deste processo votando e acompanhando os conselheiros em suas ações.

Como se organizam os Conselhos Tutelares na região do Vale do Sinos?

Conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, os conselhos tutelares dos municípios da região são todos antecedidos pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Canoas, por exemplo, além deste órgão, também possui uma corregedoria que atua diretamente na fiscalização dos Conselhos Tutelares canoenses.

A grande maioria dos Conselhos é constituída de cinco membros titulares e cinco suplentes, salvo os municípios populosos de Canoas e Novo Hamburgo, que possuem 20 e 10 conselheiros, respectivamente.

Mapa dos Conselhos Tutelares no Vale do Sinos 

Levando em conta as atribuições dos conselheiros tutelares que devem estar acompanhando os processos de proteção de todas as crianças e adolescentes do município, fez-se a relação entre o número de conselheiros e a população de crianças e adolescentes de cada município, conforme dados do ano de 2018. Analisando estes dados, observa-se que Sapucaia do Sul apresenta o maior número de crianças e adolescentes para cada conselheiro tutelar: 8.128. Novo Hamburgo, em seguida, registrou 6.457 crianças e adolescentes para cada conselheiro. Em contrapartida, Araricá possuía o menor número: 356 cidadãos entre 0 e 18 anos para cada membro do Conselho.

Infográfico: Número de crianças e adolescentes para cada conselheiro tutelar por município do VS (2018)

Segue a tabela com as informações completas dos Conselhos no Vale do Sinos.

Qual o papel do Conselho Tutelar?

As políticas de atendimento municipal aos direitos estabelecidos pela Carta Magna e Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA são viabilizadas por dois órgãos garantidores: Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente e Conselho Tutelar. O ECA, Lei º 8.069/90, dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente, sem discriminação de nascimento, familiar, religiosa, sexo ou outra condição que diferencie as pessoas, as famílias ou a comunidade em que vivem. O Estatuto é de suma importância para entendimento da função social dos órgãos garantidores às políticas sociais e de atendimento a esta população, visto que determina sua natureza e atribuições.

A criação do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente é uma diretriz da política de atendimento à prevenção e redução de violência aos direitos da criança e viabiliza, conforme instrumento legislativo municipal, a eleição dos membros para compor o Conselho Tutelar. O papel do Conselho Tutelar na sociedade civil é zelar pelo cumprimento dos direitos estabelecidos no ECA, como o acesso à educação, cultura, profissionalização e demais descritos. Isso posto, os conselheiros são servidores públicos com a missão de movimentar a máquina pública no âmbito municipal para a boa articulação das atribuições do Conselho Tutelar com os demais órgãos das esferas do executivo, legislativo e judiciário em exercício do desenvolvimento social nos limites da sua competência.

Como são eleitos os conselheiros?

Segundo as informações do Ministério Público Federal, “o processo de escolha dos membros de cada Conselho Tutelar deverá ser definido em Lei Municipal, assim como realizado sob a responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, com acompanhamento e fiscalização do Ministério Público. 

A escolha será feita pela comunidade local, que precisa ser informada e mobilizada para o processo. A Lei Municipal poderá optar pela eleição direta, universal e facultativa, com voto direto, ou pela escolha indireta, através da formação de um Colégio Eleitoral integrado por representantes das entidades municipais de atendimento à criança e ao adolescente e outras organizações (comunitárias, empresariais, religiosas etc.) que tenham participação na proteção integral da população infanto-juvenil. Recomenda-se a eleição direta.”

InfográficoConselho Tutelar

Para se tornar um conselheiro, é necessário, de acordo com o Ministério Público Federal, apresentar três requisitos básicos: ter reconhecida idoneidade moral, ter idade superior a 21 anos e residir no município.

“O processo de escolha deverá ser conduzido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – que deve ser criado e estar funcionando antes do(s) Conselho(s) Tutelar(es)”, afirma o Ministério.

“Outros requisitos podem ser definidos e disciplinados em Lei, de acordo com as peculiaridades de cada município. Algumas sugestões: fixar tempo mínimo de residência no município. Por exemplo, 02 (dois) anos; fixar escolaridade mínima. Por exemplo, nível médio; exigir experiência anterior comprovada de trabalho social com crianças, adolescentes e famílias.”

Segue o material divulgado pelo Ministério da Mulher, da Família, e dos Direitos Humanos Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente

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Porto Alegre registrou um índice de perda na distribuição de água de 28,46% em 2017 devido a vazamentos, erros de leitura dos hidrômetros, furtos, entre outros fatores. Isto significa que, para cada 100 litros de água captada, tratada e pronta para ser distribuída, 28,46 litros ficaram pelo caminho. Este desperdício, além de causar ineficiência na cobertura populacional do serviço, fez com que a capital do Rio Grande do Sul deixasse de faturar 36% a mais em 2017. 

Estas informações foram extraídas do estudo publicado pelo Instituto Trata Brasil a partir dos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento -SNIS de 2017. Confira abaixo o texto com mais informações acerca dos municípios mais populosos da Região Metropolitana de Porto Alegre:

Como identificar o desperdício na distribuição de água?

O estudo considerou dois principais grupos de perda: perdas reais ou físicas e perdas aparentes ou comerciais. Neles, o volume de água perdido é captado calculando o valor excedente ao necessário para determinadas operações.

O primeiro grupo, por exemplo, abrange variáveis relacionadas aos vazamentos estruturais nas tubulações, nas redes e nos ramais. Este grupo faz parte do Índice de Perdas na Distribuição (IPD). Já o segundo grupo engloba itens como erros de leitura, ligações inativas reabertas e ligações sem hidrômetros. Assim, estes valores fazem parte do Índice de Perdas de Faturamento (IPF). Segue o quadro com todas as variáveis consideradas para a criação destes índices:

InfográficoVariáveis consideradas nos índices de perdas físicas e comerciais de água

Região Metropolitana de Porto Alegre

As três cidades mais populosas da região metropolitana apresentaram dados acima daqueles calculados para o Brasil e para o Rio Grande do Sul. Porto Alegre, por exemplo, registrou um índice de perda na distribuição de 28,46% em 2017, Canoas apresentou um percentual de 51,38% e Gravataí contabilizou 53,6%, ou seja, para cada 100 litros de água captada, 53,6 litros são desperdiçados no processo de distribuição. 

InfográficoÍndice de perda na distribuição de água e no faturamento na Região Metropolitana de Porto Alegre (2017)

Relativo às perdas no faturamento, Porto Alegre deixou de faturar 36% do total de 2017 pela má distribuição de água. Canoas e Gravataí perderam mais da metade do valor faturado no mesmo ano, registrando índices de 52% e 54%, respectivamente.

Rio Grande do Sul

Assim como o Brasil, o estado gaúcho registrou 38% de perdas na distribuição (IPD) em 2017, ocasionando também uma perda de 50,35% no faturamento. Dos 20 municípios com menores, e portanto melhores, índices de perda de distribuição, apenas um município sul-rio-grandense constitui a lista: Porto Alegre. 

Infográfico: Vinte municípios com melhores índices de perda na distribuição (IPD) em 2017

O estudo analisou seis cidades gaúchas em 2017. Dentre elas, destacam-se Pelotas e Santa Maria, com um índice de perda de distribuição de 47,29% e 50,85%, respectivamente. Por outro lado, Caxias do Sul registrou uma perda do faturamento de 51,59% devido a vazamentos, erros de leitura dos hidrômetros e furtos na distribuição.

InfográficoÍndice de perda na distribuição de água e no faturamento no Rio Grande do Sul (2017)

Brasil e Grandes Regiões

“A média de perda de água potável no país foi de 38,3%, ou seja, para cada 100 litros de água captada, tratada e pronta para ser distribuída, 38 litros ficam pelo caminho devido aos vazamentos, erros de leitura dos hidrômetros, furtos (famosos “gatos”), entre outros problemas. Isso significou uma perda de 6,5 bilhões de m³ – equivalente a mais de 7 mil piscinas olímpicas por dia. Se considerarmos apenas as perdas físicas (estimadas em 3,5 bilhões de m³), ou seja, vazamentos: a água que realmente não chegou na casa das pessoas, o volume desperdiçado seria suficiente para abastecer 30% da população brasileira por um ano (60 milhões de pessoas). Em termos financeiros, a perda de faturamento custou para o país R$ 11,3 bilhões, valor superior ao total de recursos investidos em água e esgotos no Brasil em 2017 (R$ 11 bilhões) ”. Esse trecho foi retirado do estudo publicado pelo Instituto Trata Brasil a partir dos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2017.

As perdas na distribuição de água no Brasil aumentaram 1,3 pontos percentuais após a recessão econômica no biênio 2015-2016. Da mesma forma, as perdas no faturamento chegaram a 36,9% em 2017, alcançando o maior nível da série histórica desde 2013.

InfográficoÍndice de perda na distribuição de água e no faturamento no Brasil (2013-2017)

Ampliando os dados sobre as perdas físicas no abastecimento de água para as grandes regiões do país, observa-se que a Região Sul está ligeiramente abaixo da média nacional, contabilizando 36,54%. Por outro lado, a região Norte chegou a contabilizar um índice de 55,14%, isto é, para cada 100 litros de água captada, tratada e pronta para ser distribuída, 55,14 litros se perdem pelo caminho. 

InfográficoÍndice de perda na distribuição de água por Grande Região (2017)

Falta de investimento em saneamento causou 6 mil demissões na Região Metropolitana de Porto Alegre

A queda de 66% na renda gerada pelos investimentos em saneamento entre 2010 e 2017 na Região Metropolitana de Porto Alegre indica o desligamento de mais de 6 mil cidadãos das atividades ligadas a esta política ao longo deste período. Este quadro agrava o direito constitucional de saneamento básico, definido pela Lei nº. 11.445/2007 como o conjunto dos serviços, infraestrutura e instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais.

58% da população da Região Metropolitana de Porto Alegre não possui coleta de esgoto

Entre 2016 e 2017, de acordo com o Trata Brasil, o número de pessoas que não recebiam água com regularidade adequada aumentou de 50.354 para 92.670, isto é, um aumento de 84% em apenas um ano. Para o último ano analisado, 6,5% da população ou 275.505 moravam em domicílios sem acesso à água tratada; esse número já chegou a 486.754 em 2010. A região ainda possui 2.464.631 domicílios sem acesso ao serviço de coleta de esgoto, o que significa 58,5% da população da Região Metropolitana de Porto Alegre.

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Com um aumento de 11% entre 2002 e 2015 nas atividades de indústrias extrativas e de transformação que podem gerar uma série de danos ambientais, o Vale do Sinos se posicionou como a região com maior índice de potencial poluidor do Rio Grande do Sul. O destaque vai para o município de Canoas que, sozinho, representa 20% do total calculado para o estado.

poluição causada por determinados modos de produção é um tema que merece destaque no debate regional sobre o clima. Ademais, esta discussão faz parte do desafio proposto mundialmente intitulado “Greve Global pelo Clima” que está agendado para os dias 20 a 27 de setembro de 2019. Esta semana será palco de manifestações e movimentos sociais contra as mudanças climáticas e o iminente colapso ambiental causado pelos modos de produção e consumo na escala global. Intentando contribuir para o debate, o Observatório da realidade e das políticas públicas do Vale do Rio dos Sinos - ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos - IHU, coletou e sistematizou os dados divulgados pela Fundação de Economia e Estatística - FEE, acerca do Índice de Potencial Poluidor da Indústria. Segundo a fundação, “os indicadores de potencial poluidor da indústria no Rio Grande do Sul apontam para uma tendência de aumento do risco ambiental”. Confira abaixo o texto com mais informações:

Entendendo o índice

A produção vinculada às indústrias extrativas e de transformação pode gerar uma série de externalidades negativas. Dentre as mais conhecidas estão os riscos ambientais via poluição. Conforme a FEE, o “risco ambiental consiste na probabilidade de ocorrência de desastres decorrentes da interação de processos ambientais, econômicos e sociais, que afetem os ecossistemas, comprometendo a integridade física e os vínculos sociais da população”.

Ademais, dados que captem as potencialidades de poluição destas indústrias possuem o objetivo de subsidiar a formulação e implementação de políticas públicas, especialmente àquelas vinculadas com projetos de prevenção, pois estes representam um esforço de equalizar os riscos iminentes de atividades poluidoras com a importância da preservação ambiental para a manutenção da vida no planeta.

Desta forma, analisa-se o Índice de Potencial Poluidor da Indústria - Inpp-I. Ele sintetiza a concentração das atividades industriais em relação ao seu potencial de poluição e o volume de produção por unidade geográfica, apontando a evolução do volume de produção potencialmente poluidora no território, em que se destacam aquelas áreas que podem ser consideradas críticas, dada a concentração de um maior volume de produção em atividades industriais com alto potencial poluidor. Para os municípios analisados, o índice se encontra em uma escala de 0 a 57 (sendo este último o maior registro encontrado).

Vale do Sinos

A região aumentou seu índice em 11% no período 2002-2015. Este aumento colocou o Vale na primeira posição entre as regiões do estado com maior potencial poluidor. Ademais, os municípios pertencentes à região representam 26,7% do Inpp-I gaúcho.

InfográficoÍndice de Potencial Poluidor da Indústria (Inpp-I) do Vale dos Sinos (2002-2015)

Um dos municípios do Vale com maior índice de potencial poluidor no ano de 2015 foi São Leopoldo com 1,672, posicionando-se em 10º lugar entre as demais municipalidades do estado. Novo Hamburgo, em seguida, com um índice de 1,323, posicionou-se na 13ª colocação. Em 2002, esse município estava na 7ª posição; isto significa que a indústria novo-hamburguense diminuiu sua participação potencial poluidora de 3% para 1,5% entre o período 2002-2015 no Rio Grande do Sul. Sapiranga contabilizou um índice de 0,790 em 2015, ocupando a 24ª posição no ranking estadual. 

InfográficoÍndice de Potencial Poluidor da Indústria (Inpp-I) por município do Vale do Sinos (2002-2015)

Observa-se, também, um aumento de 205% no índice de Sapucaia do Sul, isto é, passou de 0,029 em 2002 para 0,088, mantendo-se na 15ª colocação entre os municípios gaúchos. Araricá registrou um aumento de 67% no índice para o mesmo período, passando para a 136ª colocação.

Por outro lado, Campo Bom registrou a maior queda percentual no Inpp-I. Com 57% de queda, o índice municipal passou de 1,569 para 0,670 entre 2002 e 2015. A participação da indústria campo-bonense no total estadual passou de 1,78% para 0,76%, assim como sua posição caiu de 13º para 27º.

InfográficoRepresentação percentual e posição do município no Inpp - I do estado (Vale do Sinos 2002-2015)

Região Metropolitana de Porto Alegre 

A região metropolitana registrou em 2015 um Inpp-I de 49,623. Este número é 7,16% maior que o registro de 2002. Este aumento fez com que a região representasse, em 2015, aproximadamente 53% do índice potencial poluidor do estado.

InfográficoÍndice de Potencial Poluidor da Indústria (Inpp-I) da Região Metropolitana de Porto Alegre (2002-2015)

Canoas foi o município que contabilizou o maior Inpp-I em 2015, chegando a 17,112, número este 62% maior que o registro de 2002. A indústria canoense representa sozinha 19,4% do total calculado para o estado, posicionando-se em 1º lugar entre os municípios com maior potencial poluidor.

InfográficoÍndice de Potencial Poluidor da Indústria (Inpp-I) por município, representação percentual e posição no ranking Inpp-I do estado (RMPA no período 2002-2015)

Charqueadas se destaca por apresentar um crescimento de 1.129% no Inpp-I, passando de 0,037 em 2002 para 0,455 em 2015. Glorinha, em seguida, registrou um aumento de 683% no índice, passando da 153ª posição em 2002 para a 83ª colocação em 2015 dentre os municípios do estado com maior potencial poluidor. Porto Alegre, em contrapartida, registrou uma queda de 28% no seu índice, também diminuindo sua participação no estado de 5% em 2002 para 3,62% em 2015. 

Rio Grande do Sul

Segundo a reportagem da FEE do dia 03/04/18, “a economista Cristina dos Reis Martins, vinculada ao Centro de Estudos Econômicos e Sociais da FEE, detalha que ‘em 2015, quase a metade dos municípios gaúchos (242) dependiam de indústrias com alto potencial poluidor, enquanto apenas 25 municípios (5%) concentravam indústrias com baixo risco ambiental’. Em relação à participação dos municípios no volume de produção potencialmente poluidora, em 2015, 59,5% desse volume ficou concentrado em apenas 10 municípios: Canoas, Triunfo, Gravataí, São Leopoldo, Porto Alegre, São Leopoldo, Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Rio Grande, Santa Cruz do Sul e Erechim. ‘Destaca-se que seis entre esses municípios se encontram na Região Metropolitana de Porto Alegre e dois na Região Metropolitana da Serra’.”

InfográficoÍndice Potencial Poluidor no Rio Grande do Sul (2015)

Poluição: um problema de saúde pública

O médico Paulo Saldiva, em entrevista realizada por IHU On-line em setembro de 2012, já apontava um comportamento econômico despreocupado com a condição humana e da vida como um todo. Nas palavras do entrevistado, “embora todo mundo advogue que mortalidade precoce e internações sejam temas que compadeçam a todos, quando se está formulando políticas públicas o fato predominante vai ser o econômico, por causa da crise do emprego e de outros fatores. Entretanto, para se ter uma ideia, o país gasta algo em torno de 30 bilhões por ano em função dos acidentes, entre atendimento hospitalar e perda de capacidade laboral. Então, ter essa visão da economia de forma mais integral é importante e imperativa para tomada de decisões.”

Cinco razões pelas quais você deve se preocupar com a poluição do ar

Cinco provocações acerca da poluição indicadas pela ONU Brasil: a poluição cria emergência na área de saúde; as crianças normalmente são as mais afetadas; há correlação entre poluição e pobreza; os custos ambientais e da saúde são mais altos quando os preços dos combustíveis estão baixos; e direito a um ar limpo é, sobretudo, um direito humano.

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O Observatório das realidades e das políticas públicas do Vale do Sinos - ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos - IHU, promoverá entre 10 de setembro a 29 de novembro, na Unisinos São Leopoldo, a "Exposição itinerante: políticas públicas na Região Metropolitana de Porto Alegre. Alguns dados para a análise e o debate". Anteriormente, a exposição itinerante ocupou os espaços da Unisinos Porto Alegre, do Corredor Central da Unisinos São Leopoldo e na Escola de Humanidades

A exposição tem como objetivo promover a análise e o debate das realidades da Região Metropolitana de Porto Alegre por meio de dados a respeito da demografia, educação, mobilidade, moradia, proteção social, política, saúde, segurança e trabalho. A exposição ainda tem como propósito contribuir nos processos de planejamento, monitoramento, avaliação e controle social das políticas públicas. 

Programação da Exposição

11/09 a 19/09 - Claraboia da Biblioteca 

23/09 a 04/10 - Escola de Saúde 

07/10 a 18/10 - Escola de Gestão e Negócios

21/10 a 01/11 - Escola de Direito

04/11 a 14/11 - Escola da Indústria Criativa

18/11 a 29/11 - Escola Politécnica 

O Observatório da realidade e das políticas públicas do Vale do Rio dos Sinos - ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, coletou e sistematizou os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE na semana passada acerca das estimativas da população brasileira. Pela data de referência de 1º de julho de 2019, o Brasil tem uma população total de 210.147.125 pessoas. Em 1º de julho de 2018, o número da população era de 208.494.900. O crescimento absoluto da população em um ano foi 1.652.225 pessoas, o que representa aumento de 0,8% nesse período.

O estado com a menor população continua a ser Roraima, que chegou a 605.761 pessoas, um crescimento de 5,1% frente aos 576.568 habitantes registrados no ano passado, seguido do Amapá (845.731 pessoas) e do Acre (881.935). A maior população se encontra em São Paulo, com 45.919.049 pessoas, um aumento de 0,8% em relação aos estimados há um ano. Minas Gerais tem uma estimativa de população de 21.168.791 pessoas e o Rio de Janeiro aparece em terceiro lugar, com 17.264.943 habitantes.

O Rio Grande do Sul está na sexta colocação, com uma população de 11.377.239. O estado teve um aumento de 0,4% em relação ao ano passado, número que mostra a tendência de diminuição populacional. Este dado caracteriza que o crescimento da população gaúcha é menor que o registrado no Brasil. Se comparado com o ano de 2010, último Censo Demográfico do Brasil, a população do estado cresceu em 4,1%, enquanto a população brasileira cresceu 9,2%.

O município da Região Metropolitana de Porto Alegre com o maior número de habitantes foi Porto Alegre, com uma população de 1.483.771, um aumento de 0,3% em relação a 2018. Dentre as capitais do Brasil, Porto Alegre ficou na 12ª posição entre as mais populosas, atrás de Belém, Goiânia e Manaus.

Se analisado o crescimento populacional no biênio 2018-2019, observa-se que o município de Eldorado do Sul registrou a maior variação percentual: 1,6%. Em seguida, o número de habitantes em Capela de Santana, Parobé e Triunfo aumentou 1,1% no mesmo período. Arroio dos Ratos e Guaíba, por outro lado, registraram a menor variação entre os anos de 2018 e 2019, com 0,2% e 0,1%, respectivamente.

Observando os dados entre o período 2010-2019, o maior crescimento populacional se localizou no município de Portão, com variação positiva de 14,8%, seguido de Glorinha com 13,2%, São Sebastião do Caí com 12,9% e Triunfo com 10,8%. Em contrapartida, o número de habitantes em Guaíba cresceu apenas 0,9%. Em Taquara, o registro para o mesmo período foi de 2,9% e Porto Alegre contabilizou um aumento de 3,1%.

A população do Vale do Sinos cresceu 0,6%, comparando 2019 com 2018. Em termos absolutos, passou de 1.394.691 para 1.403.600 pessoas. Valor este um pouco acima do Rio Grande do Sul, que cresceu 0,4%, e abaixo do dado contabilizado para o Brasil: 0,8%. Os municípios com maior variação percentual para esses anos foram Nova Santa Rita com 2,2%, Ivoti com 1,7% e Dois Irmãos com 1,4%. Por outro lado, Canoas e Sapucaia do Sul registraram um aumento de 0,5% e a população de Novo Hamburgo e de Esteio cresceu 0,1%.

Comparando os dados de 2019 com 2010, o Vale do Sinos cresceu 6,1%, a Região Metropolitana de Porto Alegre 5,2%, o estado 4,1% e o país 9,2%. O município do Vale que mais cresceu foi Nova Santa Rita, com 20,7%, entre os anos de 2010 e 2019. Por outro lado, Novo Hamburgo teve o menor crescimento, variando apenas 1,1% no mesmo período.

A realidade demográfica se apresenta como indicador fundante para o planejamento, monitoramento e avaliação das políticas públicas implementadas nas diferentes esferas, especialmente quando a população se coloca como centro do processo de desenvolvimento societário.

O envelhecimento populacional segundo as projeções do IBGE

Em matéria publicada pelo IHU On-line, o professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE do IBGE, José Eustáquio Diniz Alves, alertou: “O número de idosos vai ultrapassar o de jovens em 2031, quando haverá 42,3 milhões de jovens (0-14 anos) e 43,3 milhões de idosos (60 anos e mais). Nesta data, pela primeira vez, o Índice de Envelhecimento - IE será maior do que 100, ou seja, haverá 102,3 idosos para cada 100 jovens (veja a coluna vermelha no gráfico). Mas o envelhecimento populacional continuará sua marcha inexorável ao longo do século XXI. No ano de 2055, as projeções do IBGE indicam o montante de 34,8 milhões de jovens (0-14 anos) e de 70,3 milhões de idosos (60 anos e mais). O IE será de 202 idosos para cada 100 jovens. Ou seja, haverá mais do dobro de idosos em relação aos jovens.”

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Na última terça-feira, 27 de agosto, ocorreu no campus Unisinos São Leopoldo a “Oficina Sidra: Introdução à recuperação de dados estatísticos”. O evento foi realizado pelo Observatório da realidade e das políticas públicas do Vale do Rio dos Sinos – ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos – IHU foi apresentada por Krishna Chiminazzo Predebon. O evento faz parte da agenda do ObservaSinos para o segundo semestre de 2019 e visa apresentar a ferramenta sidra e suas aplicações.

Durante a atividade, Krishna apresentou à turma o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, que em 2019 completa 83 anos em atividade no país. O instituto nasceu em 1936 a partir da necessidade brasileira de ter informações contabilizadas e organizadas sobre suas realidades. Assim, o IBGE dissemina informações do país a partir de pesquisas realizadas com coleta de dados. Essa disseminação é feita através de muitas formas, como tabelas completas, publicações impressas, publicações digitais, redes sociais, Revista Retratos, agência de notícias, Sidra, etc.

Conhecendo o Sidra

O Sidra é uma ferramenta digital disponível no site do IBGE que armazena os dados agregados que estão organizados em forma de tabela. Assim, acessando o Sidra, é possível verificar as pesquisas realizadas pelo instituto. Krishna apresentou aos alunos o Sidra, explicando o que compõe a ferramenta e durante a tarde aplicou atividades práticas para o reconhecimento de dados através do Sidra.

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Krishna apresentou, ao final da oficina, uma ferramenta disponível no site do IBGE que monitora a produção de dados e de indicadores através dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS). A plataforma permite o acesso individual de cada objetivo, bem como suas respectivas informações.  

Em sua última atualização, monitora-se 244 indicadores através de cinco filtros: completamente produzido; em análise/execução; sem dados; sem metodologia global e; indicadores que não se aplicam ao Brasil.

Segundo a plataforma ODS, este compromisso foi adotado “ em setembro de 2015 por 193 Estados Membros da ONU (UN General Assembly Resolution 70/1), a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável resultou de um processo global participativo de mais de dois anos, coordenado pela ONU, no qual governos, sociedade civil, iniciativa privada e instituições de pesquisa contribuíram através da Plataforma ‘My World’. O acompanhamento e avaliação da Agenda 2030 são fundamentais para a sua implementação e deverão ser feitos sistematicamente nos níveis global, regional e nacional. O Fórum Político de Alto Nível sobre o desenvolvimento sustentável (HLPF, na sigla em inglês) é a instância responsável pela supervisão deste acompanhamento em nível global. Ele está sob os auspícios da Assembleia Geral e do ECOSOC, o Conselho Econômico e Social da ONU. ”

 

A queda de 66% na renda gerada pelos investimentos em saneamento entre 2010 e 2017 na Região Metropolitana de Porto Alegre indica o desligamento de mais de 6 mil cidadãos das atividades ligadas a esta política ao longo deste período. Dados como estes, coletados no Instituto Trata Brasil, revelam importantes movimentações no impacto econômico e social que esta retração pode causar na realidade das pessoas direta e indiretamente envolvidas com o saneamento básico, principalmente na geração de renda e na melhoria na qualidade de vida das mesmas.

O que é saneamento?

Segundo o Instituto Trata Brasil, “saneamento é o conjunto de medidas que visa preservar ou modificar as condições do meio ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde, melhorar a qualidade de vida da população e a produtividade do indivíduo e facilitar a atividade econômica”. 

O Instituto também aponta que “no Brasil, o saneamento básico é um direito assegurado pela Constituição Federal e definido pela Lei nº. 11.445/2007 como o conjunto dos serviços, infraestrutura e instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais”.

Saneamento, renda e emprego

“A expansão da infraestrutura urbana de saneamento implica a realização de investimentos em construção civil volumosos, os quais têm efeitos econômicos expressivos nas áreas em que as obras são realizadas e durante o período de sua realização. Os investimentos em construção criam empregos e expandem a renda da economia”, aponta o Trata Brasil.

“Em termos conceituais, esses impactos são classificados como diretos, indiretos e induzidos e têm efeitos locais e nacionais. De forma direta, a realização de obras requer a contratação de uma construtora e de empregados, que recebem salários”, conclui.

O número total de empregos gerados pelos investimentos em saneamento na Região Metropolitana de Porto Alegre passou de 9.346 em 2010 para 3.184 em 2017. Esta movimentação contabiliza uma perda de 6.162 postos de trabalho. Isto equivale a aproximadamente duas demissões por dia durante os sete anos aqui analisados.

No ano de 2010, estimava-se que os investimentos em saneamento empregavam, diretamente, 2.501 pessoas na Região Metropolitana de Porto Alegre. Este número baixou para 852 trabalhadores em 2017, isto é, uma variação negativa de 65,9% no número de cidadãos admitidos nestas atividades. Da mesma forma, os empregos indiretos gerados por este tipo de investimento eram de 1.214 contratados em 2010, passando para 414 em 2017. Tal movimentação equivale também a uma perda de 65,9% no número de empregados. Ademais, contabilizou-se uma perda de 3.713 postos de trabalho entre 2010 e 2017 no número de empregos induzidos por investimentos em saneamento.

Infográfico: Empregos gerados pelos investimentos em saneamento na Região Metropolitana de Porto Alegre ( 2010-2017)

A renda total gerada pelos investimentos em saneamento, a preços de 2010, era de R$ 1.241.995.676,80 (lê-se um bilhão, duzentos e quatorze milhões, novecentos e noventa e cinco mil, seiscentos e setenta e seis reais e oitenta centavos); já em 2017, este valor passou para R$ 423.005.191,19 (lê-se quatrocentos e vinte e três milhões, cinco mil, cento e noventa e um reais e dezenove centavos). Esta movimentação representa uma queda de 66% na renda gerada em apenas sete anos.

Se dividido o número total pela renda direta gerada pelos investimentos em saneamento, tem-se que o valor passou de R$ 180.818.100,09 em 2010 para R$ 61.583.946,25 em 2017, isto é, um registro três vezes menor que no início da década. Já a renda induzida por estes investimentos apresentou uma queda de 77% no valor, passando de R$ 805.645.515,87 para R$ 274.390.838,74 entre 2010 e 2017.

Infográfico: Renda total gerada pelos investimentos em saneamento na Região Metropolitana de Porto Alegre (2010-2017)

Agora, analisando os dados totais sobre os empregos gerados pelas operações em saneamento, tem-se uma diminuição mais branda que aquela observada para os investimentos com saneamento. Assim, de 9.568 empregados em 2010, as atividades operacionais contrataram 8.619 cidadãos em 2017, contabilizando uma variação de -9,9%. Deste total, os mais atingidos foram os empregos induzidos, com uma perda de 389 postos no período 2010-2017. Em seguida, os empregos diretos, com 369 desligamentos nestes sete anos. Por último, os empregos indiretos passaram de 1.921 para 1.730 pessoas, registrando uma variação negativa de 191 contratações.

Infográfico: Emprego total gerado pelas operações de saneamento na Região Metropolitana de Porto Alegre (2010-2017)

Diferentemente dos dados acerca do número total da renda direta gerada pelos investimentos em saneamento, o valor da renda oriunda das operações de saneamento apresentou um aumento de 4,6%. Em termos absolutos, de R$ 1.921.264.978,59 em 2010, o valor passou para 2.009.101.431,61 em 2017. Deste montante, 49% advinha de renda direta, 30% da renda total era induzida e 21% era gerada indiretamente. Entretanto, analisando a movimentação no biênio em que a recessão foi acentuada (2015-2016), a queda na renda foi de 14,2%. Em termos absolutos, houve uma diminuição de R$ 333.775.274,72 entre 2015 e 2017.

Infográfico: Renda total gerada pelas operações de saneamento, em R$ a preços de 2017 na Região Metropolitana de Porto Alegre (2010-2017)

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