Joachim Meisner, o timoneiro da Igreja alemã

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24 Fevereiro 2013

Durou quatro dias a Assembleia Geral dos bispos alemães em Trier. O editor-chefe do sítio Domradio.de, ou seja, da rádio da arquidiocese de Colônia, Ingo Brüggenjürgen, teólogo e publicitário, comenta o encontro.

A análise foi publicada no sítio Domradio.de, 22-02-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No poema de Fontane foi notoriamente o timoneiro John Maynard que permitiu alcançar a costa a salvo. Para a recém-terminada Assembleia Geral de primavera da Conferência Episcopal Alemã, o timoneiro se chama Joachim Meisner. O cardeal de Colônia já havia dado a direção sobre o problema da rota certa com relação à "pílula do dia seguinte", e os coirmãos bispos o seguiram.

Se tiver só uma função preventiva, mas não abortiva, a pílula poderá ser administrada no futuro a mulheres violentadas, em toda a Alemanha, nos hospitais católicos, e ser prescrita por médicos católicos. Esse exemplo poderia fazer escola. A Igreja segue uma rota precisa. Nesse caso, com relação à defesa da vida, do início ao fim. E a Igreja prevê as marcações apropriadas.

Mas as prescrições eclesiásticas não chegam a regulamentar nos mínimos detalhes as realidades que todos os dias se apresentam sempre novas nesses âmbitos. Os bispos aprenderam rapidamente a lição e levam em conta as últimas possibilidades oferecidas pela pesquisa médica. E remeteram a complexa avaliação aos especialistas competentes. Ao mesmo tempo, exigiram fortemente que a decisão seja tomada em consciência e atentamente examinada por cada vítima.

Uma pesada cortina de névoa que surgiu de repente do nada e que há poucas semanas não estava na agenda dos bispos foi, assim, elegantemente atravessada graças a um guia bom e sagaz. Graças sejam dadas ao timoneiro J.M.!

Quanto aos esclarecimentos relativos aos casos de abuso na Igreja, desta vez também foi a pressão pública que acelerou os processos decisionais eclesiásticos muitas vezes penosamente longos. Infelizmente, mesmo nas últimas deliberações dos bispos de Trier, houve exemplos dessa rota conturbada e incerta, muito mais lenta do que a anterior: há 50 anos, o Papa João XXIII havia alertado e convidado, com referência à questão feminina, que se reconhecessem corretamente os sinais dos tempos.

Há 32 anos, os bispos alemães publicaram um texto sobre "A questão do lugar da mulher na Igreja". Desta vez, se limitaram a uma declaração magra e pouco vinculante sobre "A cooperação de mulheres e homens no serviço e na vida da Igreja". Aponta-se para "compromissos de voluntariado", e depois há algo para se deleitar: "Em cinco anos, veremos o quão longe chegamos!" ("In fünf Jahren schauen wir, wie weit wir gekommen sind!"). Está escrito justamente assim no comunicado de imprensa!

É melhor que eu não conte nada à minha filha de 18 anos sobre o plano quinquenal para as mulheres na Igreja. Na nossa última discussão familiar sobre esses problemas, veio dela esta aguda indicação: "Se no tempo de Jesus era tudo tão bom e justo, então talvez seja melhor que hoje também os bispos voltem a montar jumentos...". E é minha filha!

Mas, se algo dura longamente, espera-se que traga bons frutos. Também temos um exemplo disso em Trier. Depois de 12 anos de trabalho duro, finalmente foi apresentado aos jornalistas pelo competente bispo de Würzburg, Hofmann, visivelmente orgulhoso, o novo livro de orações e cantos Gotteslob. Agradecemos a Deus por isso: presumivelmente é um sucesso, que influenciará por muito tempo sobre a vida concreta dos católicos – o velho hinário já estava em uso há ao menos 38 anos!

E que impressão os bispos deram ao povo de Trier? Uma senhora que lá reside há muito tempo e que vivera o último encontro dos bispos em Trier há 30 anos, observou secamente: "Os bispos atuais fazem um pequeno conclave aqui – dado o modo como se isolam e se escondem de nós!".

Quem estava por aqui durante esses quatro dias, certamente não pode contradizê-la. Bispos que dormem e se reúnem em um hotel privado atrás de muros altos, permanecendo assim quase invisíveis, que são sistematicamente acompanhados pelo serviço de ordem e pela polícia, e que, escoltado pela polícia, são transportados de carro através da cidade para chegar aos locais de celebração, infelizmente, não dão nenhuma impressão de ter uma Boa Notícia a transmitir aos homens e mulheres deste mundo.

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