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Bispos japoneses e Papa discutem "incômoda" presença neocatecumenal no Japão

A audiência ocorreu na última segunda-feira à tarde, no Vaticano, e durou duas horas. Foi esse o tempo que levou para Bento XVI e os bispos japoneses resolverem a questão "Caminho Neocatecumenal". Ou seja, a contestada (por parte de alguns bispos) presença da realidade eclesial fundada por Kiko Argüello (foto) em terras nipônicas.

A nota é de Paolo Rodari, publicada em seu blog Palazzo Apostolico, 16-12-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Caminho cria problemas substancialmente por um motivo: os seguidores de Argüello, acusa uma parte do episcopado, levam uma vida por si sós, promovem vocações exclusivamente para dentro do Caminho como se fossem uma Igreja paralela e, portanto, "minam a própria unidade do corpo eclesial".

Mas, para a Santa Sé – esta seria a linha que o Papa defendeu no encontro de segunda-feira – não é tempo para se promover lutas e buscar divisões. É preciso encontrar caminhos de encontro entre as duas partes, permanecendo firme o fato de que a solução não reside na expulsão do Caminho do país.

Os neocatecumenais gozam desde sempre de apoios importantes dentro da Cúria Romana. Sob o pontificado wojtyliano, foram o então presidente do Pontifício Conselho Cor Unum, o alemão Paul Josef Cordes, e o polonês Stanislaw Rylko, hoje presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, que os defenderam aos olhos do Papa e do seu secretário particular Stanislaw Dziwisz.

Hoje, o parecer de Cordes e de Rylko ainda valem a mesma coisa, mas vale ainda mais o do poderoso substituto da Secretaria de Estado, o arcebispo Fernando Filoni. É ele que segue de perto os fatos que envolvem o Caminho no mundo. É ele que defende a causa de Argüello diante do cardeal Tarcisio Bertone e do Papa Ratzinger.

É singular que o Caminho tenha problemas no Japão. Como diz o relatório da associação Ajuda à Igreja que Sofre, publicado recentemente, nos últimos dois anos, não foi encontrada no país "nenhuma violação do direito à liberdade religiosa". No Japão, a liberdade religiosa é uma realidade para qualquer um, sem exceções. Há muito tempo, nesse país, o Caminho expressa seu próprio carisma livremente. Provavelmente também por causa dessa limitada liberdade, a Igreja local do Japão se encontra em dificuldades com os neocatecumenais e continua enviando ao Vaticano sinais de impaciência.

A Igreja Católica japonesa é uma realidade pequena, mas nobre. Não vive de excessos, não tem no seu interior grandes forças nem prelados "carreiristas", é governada por uma Conferência Episcopal habituada a obedecer a Roma e a não buscar protagonismos. O ímpeto do Caminho, realidade eclesial carismática e relutante a se esconder nas sacristias, incomoda alguns.

O chefe dos bispos, o arcebispo de Tóquio, Peter Takeo Okada, é uma personalidade tranquila e reservada. Porém, foi ele, em 2008, que pediu e obteve o fechamento do seminário Redemptoris Mater da diocese de Takamatsu, defendendo que os membros do Caminho ali presentes se comportavam como se fossem uma "seita".

Para o Caminho, o pedido era injustificado. Muitos defenderam que, na realidade, eram os números do seminário que incomodavam a hierarquia: em um país onde as vocações sacerdotais podem ser contadas nos dedos de uma mão, um seminário que consegue formar, em poucos anos, quase 30 novos padres – todos devotados à missão neocatecumenal – também pode criar alguma inveja.

Em 2008, Ratzinger deu razão a Okada. Para não perturbar posteriormente os ânimos, o seminário foi transformado em um seminário pontifício, transportado para Roma e confiado ao controle direto da Santa Sé. Mas nem por isso a presença do Caminho no Japão sofreu ostracismos particulares por parte de Roma. A linha vaticano sempre foi a mesma: auxiliar e valorizar, dentro do possível, a posição dos bispos locais sem penalizar irreparavelmente o fogo que, sem possibilidade de se desmentir, o Caminho sabe acender no país.


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