Compartilhar Compartilhar
Aumentar / diminuir a letra Diminuir / Aumentar a letra

Notícias » Notícias

"O celibato dos sacerdotes é sagrado", afirma Bento XVI

O celibato dos sacerdotes de rito latino continua sendo um valor "sagrado": é o que Bento XVI reafirmou, recebendo em audiência no Vaticano os participantes da Conferência Teológico da Congregação do Clero. As palavras de Ratzinger seguem as polêmicas sobre os casos de pedofilia na Igreja Católica e as declarações do cardeal austríaco Christoph Schönborn, segundo o qual as causas dos abusos devem ser buscadas também no celibato.

A reportagem é do portal do jornal La Repubblica, 12-03-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Papa recebeu depois o presidente dos bispos alemães, Dom Robert Zollitsch, com o qual discutiu o escândalo dos padres pedófilos na Alemanha. A Congregação para a Doutrina da Fé "está avaliando as suas próprias normas" em matéria de abusos sexuais de menores, disse Zollitsch ao término dos encontros ocorridos no Vaticano.

O discurso do Papa

"No modo de pensar, de falar, de julgar os fatos do mundo, de servir e amar, de se relacionar com as pessoas, também no hábito, o sacerdote deve extrair força profética do seu pertencimento sacramental, do seu ser profundo. Consequentemente – afirmou o Pontífice –, o sacerdote deve por todo cuidado para se subtrair à mentalidade dominante, que tende a associar o valor do ministro não ao seu ser, mas à sua função, desconhecendo assim a obra de Deus, que incide na identidade profunda da pessoa do sacerdote, configurando a Si mesmo de modo definitivo".

O celibato sacerdotal – disse Bento XVI – "é a autêntica profecia do Reino, sinal da consagração com coração indivisível ao Senhor, expressão do dom de si mesmo a Deus e aos outros. O horizonte de pertencimento ontológico a Deus constituiu o quadro justo para compreender e reafirmar, também nos nossos dias, o valor do sagrado celibato, que na Igreja latina é um carisma exigido para a Ordem Sagrada e é mantido em grandíssima consideração nas Igrejas Orientais".

"A vocação do sacerdote – lembrou o Pontífice – é uma altíssima vocação, que continua sendo um grande mistério, também para os que a receberam como dom. Os nossos limites e as nossas fraquezas devem nos induzir a viver e a proteger com profunda fé esse dom precioso, com o qual Cristo nos configurou a si, tornando-nos partícipes da Sua Missão salvífica".

Segundo Bento XVI, "a compreensão do sacerdócio ministerial está ligada à fé e exige, de modo sempre mais forte, uma radical continuidade entre a formação do seminário e a formação permanente. A vida profética, sem compromissos, com a qual serviremos a Deus e ao mundo, anunciando o Evangelho e celebrando os Sacramentos, favorecerá o advento do Reino já presente e o crescimento do Povo de Deus na fé".

"Caríssimos sacerdotes – concluiu o Papa teólogo –, os homens e as mulheres do nosso tempo nos pedem apenas que sejamos até o fim sacerdotes, e nada mais. Os fiéis leigos encontrarão em tantas outras pessoas aquilo que humanamente necessitam, mas só no sacerdote poderão encontrar aquela Palavra de Deus que deve estar sempre em seus lábios; a Misericórdia do Pai, abundante e gratuitamente doada no Sacramento da Reconciliação; o Pão da Vida nova, `alimento verdadeiro dado aos homens`".

Escândalo na Alemanha

Com o líder da Conferência Episcopal Alemã, o Pontífice também discutiu as acusações de abusos sexuais (350 casos já) de crianças que teriam sido cometidos nas décadas passadas em vários institutos religiosos e em quase todas as dioceses alemãs.

Depois das conversas ocorridas no Vaticano, Zollitsch anunciou que a Congregação para a Doutrina da Fé "está acolhendo as experiências nos vários países para depois fazer uma avaliação total e eventualmente adequar suas próprias normas".

No que se refere à denúncia da Igreja à magistratura civil, ele especificou que o episcopado alemão pretende garantir a máxima colaboração e – disse, respondendo a uma pergunta dos jornalistas – "o Papa confirmou explicitamente o nosso modo de proceder".

"Queremos levar a verdade à luz – disse o bispo – sem falso respeito por ninguém ou por quem quer que seja, mesmo de coisas ocorridas há muito tempo, porque as vítimas têm esse direito". Por isso, foi iniciado um reconhecimento das normas processuais a serem seguidas em território alemão, uma espécie de "catálogo". "Nenhum outro país, com exceção da Áustria – indicou Zollitsch – jamais adotou normas semelhantes". A Igreja alemã, além disso, está providenciando o fornecimento às vítimas e aos seus familiares "assistência humana, psicológica e pastoral adequada às suas exigências".

O Papa Bento XVI escutou "com grande tristeza, com atento interesse e profunda comoção" as notícias sobre os casos de "prepotência pedagógica e abusos sexuais" ocorridos na Alemanha, acrescentou o prelado alemão na sua coletiva de imprensa, e "deu o seu pleno e explícito apoio às medidas por nós adotadas", mesmo que ainda não seja possível saber se "serão estendidas a outros países".

 

Comentários encerrados.

Cadastre-se

Quero receber:


Refresh Captcha Repita o código acima:
 

Twitter @_IHU

Novos Comentários

"A entrevista fala do mensalão mas não fala na Outra História do Mensalão, assim como a grande m..." Em resposta a: Corrupção: "Os políticos que respondem processos no Supremo (mais de uma centena) precisam ser julgados". Entrevista especial com Lúcio Vaz
"As manifestações são importante para obrigar os nossos políticos honrar aquilo que não são del..." Em resposta a: Sensação de mal-estar social contribui para protestos
"Mas o importante é a construção de estádios, para depois ficarem às moscas, a educação não ..." Em resposta a: No Brasil, 756 mil aprendem em paióis, galpões e igrejas

Conecte-se com o IHU no Facebook

Siga-nos no Twitter

Escreva para o IHU

Adicione o IHU ao seus Favoritos e volte mais vezes