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Herbicida da Monsanto sofre novas acusações

O herbicida mais vendido no mundo, o Roundup, da Monsanto, é novamente colocado em xeque. O bioquímico Gilles-Eric Séralini (Universidade de Caen) e sua colega Nora Benachour acabam de publicar um estudo que evidencia o impacto de diversas formulações e constituintes desse pesticida sobre as gerações celulares humanas. E isso mesmo em doses muito pequenas.

A reportagem é de Hervé Morin e publicada no Le Monde, 10-01-2009. A tradução é do Cepat.

Séralini já havia publicado em 2005 e em 2007 resultados controversos sobre o assunto. Seu novo artigo, que apareceu na revista Chemical Research in Toxicology de final de dezembro de 2008, apresenta diversas danos – necrose, asfixia, degradações do DNA – induzidas ou pelo glifosato, princípio ativo do Roundup, ou por um produto de sua degradação (AMPA), ou por um coadjuvante (POEA) que facilita a sua incorporação pelas plantas, ou por formulações comerciais do herbicida.

As linhagens escolhidas para estudar o impacto desses produtos são células neonatais extraídas do sangue do cordão umbilical, das células placentárias e do rim do embrião. A morte das células expostas acontece dentro de 24 horas, em concentrações que os autores de estudo julgam representativas dos resíduos que subsistem nas sementes depois da utilização do Roundup.

Esse produto é empregado, especialmente, em conjunção com algumas plantas transgênicas concebidas para tolerar o glifosato. Esses campos de milho, soja ou algodão “Roundup Ready” podem ser limpos de suas ervas daninhas sem que se coloque em perigo a própria cultura.

Os pesquisadores tiveram a surpresa de constatar que os efeitos deletérios mais marcados não vinham do glifosato em si, mas de outros componentes que entram na formulação. Foi a POEA que teve o impacto mais marcado. Em resumo, “os efeitos deletérios não são proporcionais às concentrações em glifosato, mas dependem antes da natureza dos coadjuvantes”.

O mesmo fenômeno foi observado em 2005 por Rick Relyea (Universidade de Pittsburg) que havia mostrado que a POEA aumentava o impacto do herbicida sobre as populações de anfíbios. Trabalhando sobre o ouriço do mar, Robert Bellé (Estação biológica de Roscoff) chegou a conclusões similares. “Uma das novidades do artigo foi constatar que a AMPA, cuja concentração aumenta nas águas dos rios, também é ativa”, nota.

Apoiando-se sobre esses resultados, o Comité de recherche et d’information indépendantes sur le génie génétique (Criigen), do qual Séralini é membro, reclama a publicação detalhadas das análises de sangue “de cada mamífero que recebeu o herbicida quando testes regulamentares tiveram autorização comercial (...), porque elas poderiam esconder os efeitos indesejáveis”. Diretor-adjunto “vegetal e ambiental” da Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Alimentos (Afssa), Thierry Mercier estima que o artigo da equipe de Caen não justifica uma reavaliação do Roundup. “Esses resultados não colocam em questão as avaliações realizadas pela empresa e pelos laboratórios independentes”, estima. “É preciso ser prudente quanto a uma extrapolação possível ao homem de estudos in vitro”, observa. O último parecer da Afssa sobre o Roundup remonta a 2007.

Gilles-Eric Séralini critica o “laxismo” dos testes regulamentares, que levam a testar na maioria das vezes separadamente o princípio ativo e os coadjuvantes, quando a sua combinação pode multiplicar os efeitos tóxicos. Para ter em conta este “efeito coquetel”, “seria preciso, ao contrário, testes in vivo para cada formulação”, garante. Um princípio combatido pelas indústrias por razões de custo.

A Monsanto France, por sua vez, estima que “o protocolo utilizado leva a expor diretamente as células do cordão umbilical de humanos ao produto quando isso nunca se produz em condições reais de uso do Roundup (...). O estudo de Séralini desvia intencionalmente o uso normal do Roundup a fim de denegrir o produto, quando a sua segurança sanitária é demonstrada há 35 anos pelo mundo afora”.

Para ler mais:

O mundo segundo a Monsanto 

México, o berço do milho contaminado por OGMs 

`A Monsanto não é confiável`. Entrevista com Marie-Monique Robin

Aqueles que querem comer o mundo: as corporações 2008

 `A Argentina é um laboratório a céu aberto da Monsanto`

O Mundo segundo a Monsanto. Livro revela o lado obscuro da transnacional   

André Trigueiro comenta o livro `O mundo segundo a Monsanto`

O mundo segundo a Monsanto

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