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Domingo, 11 de janeiro de 2009
O Papa Bento XVI celebrará neste sábado, com uma missa na Basílica de São Pedro, os 40 anos do início do Caminho Neocatecumenal em Roma. Os fundadores do “itinerário evangelizador”, Argüello, Carmen Hernández e o padre Mario Pezzi, serão recebidos por Ratzinger com a primeira comunidade italiana. Segundo o Caminho, mais de 25 mil pessoas participarão da celebração. O ato é visto no Vaticano como a consagração da aliança entre Joseph Ratzinger e Kiko Argüello, dois velhos conhecidos que nem sempre se entenderam bem e que hoje são estreitos colaboradores na cruzada católica contra o “laicismo negativo” e a destruição da família.
A reportagem é de Miguel Mora, publicada no jornal El País, 10-01-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Em 1985, quando era professor de Teologia, em Tübingen, Ratzinger conheceu o Caminho por meio de alguns de seus estudantes e, “favoravelmente impressionado”, ajudou a exportar o modelo à Alemanha, segundo o movimento de Argüello. O certo é que o hoje Papa havia sido morno com relação ao Caminho. Por um lado, via com mais olhos sua liturgia heterodoxa; por outro, simpatizava com sua “alegria contagiante”. O tempo e o fervor mostrado aos kikos por João Paulo II tiveram que lhe ajudar a se decidir.
Sendo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, “o cardeal Ratzinger examinou os conteúdos teológicos das Catequeses Querigmáticas, assim como alguns passos do Neocatecumenato e, em 2003, comunicou a aprovação definitiva ao Pontifício Conselho para os Leigos”, lembrava ontem o Caminho.
Em fevereiro de 2007, sendo já Papa, Ratzinger lembrou: “Conheci os neocatecumenais desde o início. Foi um longo caminho, com muitas complicações, que ainda existem, mas encontramos uma forma eclesial que já melhorou muito a relação entre o Pastor e o Caminho. E, assim, vamos adiante!”.
Finalmente, acabaria por consagrar a atividade evangelizadora de Argüello e conduzir o processo vaticano que acabou na aprovação dos estatutos do Caminho em junho de 2008.
Salvando todas as distâncias, a comunhão entre os dois personagens é hoje tão notória como útil para ambos. Ratzinger não deixa de animar seus bispos e párocos a ajudar e deixar-se ajudar pelo Caminho, um grupo que considera crucial para lançar “a nova evangelização”, que, como indicou João Paulo II, busca “a unidade da Igreja particular com a Igreja universal”.
E Argüello corresponde mobilizando suas bases hiperativas. De duas formas diferentes: os caminhantes mais jovens alegram, inesgotáveis, com bailes e canções, as viagens do Papa erudito (eram a maioria na Jornada Mundial da Juventude, na Austrália, em 2008), e as famílias kikas acodem como um só corpo aos protestos de rua das igrejas nacionais.
A eleição de Madri como sede da Jornada Mundial da Juventude de 2012, que foi saudada no hipódromo de Sydney com coros e coreografias especialmente preparadas pelos kikos para a ocasião, é outra prova dessa confiança crescente, encorajada sempre pelo terceiro homem, Antonio María Rouco Varela.
O poderio construtor (de edifícios e vocações) do Caminho é outro dos atributos que agradam a Roma. Foi Argüello quem levou adiante o projeto faraônico Domus Galilea, o seminário construído próximo da Porta de Jafa, em Jerusalém, que Wojtyla inaugurou no ano 2000.
A família numerosa e mobilizada, a moral ultraconservadora, a oração feliz e o impulso missionário são as essências atuais do Caminho, um exército muito ativo e disciplinado que se converteu em uma das organizações mais influentes do catolicismo, levando o lema “Evangelizar aos afastados dos 120 países dos cinco continentes”. Os kikos já formam 20 mil comunidades, dominam 5,5 mil paróquias e gerem quase 50 seminários. A Itália é, de longe, o país onde estão melhor implantados: 200 mil membros italianos, “sem contar os filhos”.
No encontro de hoje, Kiko desdobrará todos os seus encantos. Apresentará ao Papa as 14 comunidades romanas (cada uma formada por entre 30 e 60 pessoas) que, de acordo com o cardeal Agostino Vallini, vigário do Papa para a diocese, estão prontas para partir como comunidades em missão a zonas difíceis da periferia.
Salvar a família
O objetivo imediato de Kiko Argüello é salvar a família na Europa, que, a seu ver, está ameaçada pelos “governos ateus”, segundo declarou à agência Zenit (gerida pelos Legionários de Cristo) em uma entrevista concedida no dia 1º de janeiro, após a manifestação pró-família em Madri. Após afirmar que a família está “muito ameaçada na Espanha, na Itália e em outros lugares”, ele defendeu que “a lei express sobre o divórcio fez com que, em apenas seis semanas, mais de 90 mil família tenham sido destruídas. Isso é catastrófico”. Acrescentou que, em países como a Suécia, “70% das pessoas vivem sozinhas, o mundo vive sozinho, não sabem o que fazer, há alcoolismo e problemas, e então a sociedade se transforma. E há muitos divórcios”.
Argüello afirma: “Na Europa, há governos que são ateus, e a coisa é muito grave: é como se estivéssemos em uma nave que não vai a nenhuma parte. E, pelo contrário, essa nave, que é a nossa vida, vai ao céu. Já em 1985, João Paulo II disse que a situação familiar da Europa não ia bem e propôs voltar ao primeiro modelo apostólico. É o que fazemos, vivendo como cristãos, ajudando-nos mutuamente”.
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Economia extrativista: ''Esse culto ao atraso é perigoso''. Entrevista especial com Alfredo Homma
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"Uma entrevista dividida em 3 partes com o Prof.Pinguelli Rosa pode ser conferida nos seguintes links..."
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"Concorco com o professor Pinguelli Rosa "...espero que se avance alguma coisa em direção a um mund..."
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