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O movimento neocatecumenal recebe todas as bênçãos do Papa

Os kikos, o mais numeroso dos novos movimentos do catolicismo contemporâneo, já têm todas as bênçãos do Papa, plasmadas num documento longamente esperado. O Vaticano entregou-o, no dia 13-06-2008, na Aula Magna do Conselho Pontifício para os Leigos. A notícia é de Juan G. Bedoya e publicada pelo jornal El País, 14-06-2008.

Trata-se do decreto de aprovação definitiva dos estatutos do Caminho Neocatecumenal, popularmente conhecido como os kikos que é o apelido do seu líder e cantor espanhol Kiko Argüello. Foi ele quem recebeu o decreto, acompanhado da religiosa Carmen Hernández e do padre italiano Mario Pezzi.

Kiko Argüello – na realidade se chama Francisco José Gómez Argüello Wirtz, nasceu em Léon, na Espanha, em 1939 – e Carmen Hernández, fundaram o Caminho em 1964. O primeiro já era um pintor conhecido; a segunda, licenciada em Química e membro do Instituto das Missionárias de Cristo Jesus, acabava de regressar da Bolívia. Depois se formou em Teologia e passou a ser a alma intelectual do movimento. Foi muito amiga e protegida de João Paulo II.

O Caminho Neocatecumenal foi o movimento que garantiu multidões quando o popular Papa polaco saía de Roma. Na Espanha, no Natal passado, chamados pelo cardeal Antonio Maria Rouco, os kikos mobilizaram mais de 1.200 ônibus na concentração convocada em Madrid contra a política familiar do Governo socialista.

Kiko tinha 25 anos quando fundou o Caminho. Hoje vive em Roma, como os grandes fundadores, e soma um milhão de fiéis em 105 países, 20 mil comunidades, 883 dioceses e 6 mil paróquias. Também conta com 52 seminários, 731 presbíteros, 1.500 seminaristas e algumas universidades.

O Vaticano deu uma primeira aprovação aos estatutos do Caminho Neocatecumenal em 2002, destacando que não é uma associação, um movimento ou uma congregação religiosa, mas um “instrumento de formação cristã” para redescobrir o batismo. “Depois de uma cuidados revisão do texto estatutário e a introdução de modificações consideradas necessárias, o Conselho Pontifício para os Leigos aprovou definitivamente os estatutos”, afirma o comunicado divulgado pelo Vaticano.

Não tudo tem sido um caminho de rosas para os kikos. A Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos aprovou seus estatutos depois de introduzir muitas correções, sobretudo sobre a celebração eucarística. Exige-se, por exemplo, que as missas sigam os livros litúrgicos da Igreja e que não se saltem, omitam ou acrescentem nada não está estabelecido. Também se lhes impõe que o domingo é o Dia do Senhor e que pelo menos uma vez por mês os kikos devem participar da missa na sua paróquia. Os Neocatecumenais celebram missa longas nas tardes de sábado, muitas vezes em lugares privados.

Com este reconhecimento pleno, longamente trabalhado e que não foi feito sem sobressaltos, Kiko Argüello entra no santuário dos grandes fundadores modernos, muitos dos quais já faleceram, como o mexicano Marcial Maciel (Legionários de Cristo), Luigi Giussani (Comunhão e Libertação) ou Chiara Lubich (Focolares).

“Parece que não basta o nome de cristãos”, se queixava Erasmo ante a proliferação de ordens religiosas ainda antes da fundação da Companhia de Jesus, em 1540, por Inácio de Loyola. Beneditinos, franciscanos, agostinianos, recoletos, dominicanos, carmelitas, mercedários... Com esse exército de tonsurados Roma iniciou a recatolização depois da ruptura de Lutero. Foi o modelo clerical do Concílio de Trento (1545 – 1563). Mas no Vaticano II (1962-1965), João XXIII convidou os leigos a conquistar seu próprio território na Igreja. Desde então, as grandes congregações religiosas não pararam de crescer (os jesuítas somam hoje apenas 19 mil membros, quando chegaram a ter 36 mil há pouco mais de meio século), enquanto que os kikos, focolares ou legionários contam com milhões de seguidores.

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