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Em 2010, Bento XVI enfrentou duros desafios dentro e fora da Igreja

O Papa Bento XVI vai olhar para trás em 2010 como um ano desafiador para o sacerdócio e como um tempo de provação para as minorias cristãs.

A reportagem é de John Thavis, publicada no sítio Catholic News Service, 17-12-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Essas duas questões se destacaram entre as muitas preocupações e atividades papais ao longo dos últimos 12 meses, que viram o pontífice de 83 anos fazer cinco viagens ao exterior, publicar documentos sobre a Bíblia e a nova evangelização, e se pronunciar sobre uma vasta gama de assuntos em um livro-entrevista.

As revelações dos abusos sexuais clericais, especialmente na Irlanda, na Bélgica e na Alemanha, pesou sobre o Papa ao longo do ano. Em uma carta aos fiéis irlandeses, em março, ele pediu desculpas pessoalmente às vítimas desses abusos e anunciou novas medidas para curar as feridas do escândalo, incluindo uma investigação do Vaticano e um ano de reparação penitencial.

Mais adiante, o Papa se encontrou com vítimas de abuso em Malta e na Grã-Bretanha, e falou repetidamente sobre a necessidade de tratar o problema com mais transparência. Ele codificou medidas mais forte no Vaticano para lidar com padres abusadores, algumas das quais ele havia instigado anos antes como cardeal.

Encerrando o Ano Sacerdotal em junho, o Papa disse que as revelações de abusos foram uma "intimação à purificação" do sacerdócio. No entanto, ele insistiu na contínua necessidade da Igreja de sacerdotes ordenados, dizendo que o seu ministério era insubstituível e defendeu fortemente o celibato sacerdotal como a norma da Igreja ocidental.

Ao longo do ano, o Papa Bento XVI dedicou uma atenção crescente ao destino das minorias cristãs no Oriente Médio e na Ásia. Ele convocou um Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio de duas semanas, em outubro, e fez uma viagem ao Chipre em junho de sublinhar a sua preocupação pelas comunidades eclesiais da região.

Os ataques contra alvos da Igreja no Iraque levaram apelos papais à comunidade internacional e ao governo iraquiano, particularmente depois que um ataque a bomba em uma igreja de Bagdá, no final de outubro, deixou mais de 50 mortos.

O Papa e seus assessores também se pronunciaram frequentemente sobre a necessidade de defender as minorias cristãs da discriminação e das agressões físicas em lugares como a Índia, o Paquistão e a Indonésia. Ele refletiu sobre o tema da liberdade religiosa em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2011, divulgada no dia 15 de dezembro, dizendo que, no mundo de hoje, os cristãos sofrem mais com a perseguição do que qualquer outro grupo religioso.

Além do Chipre, as viagens do Papa em 2010 levaram-no para Portugal, Espanha, Malta e Reino Unido. Na Grã-Bretanha, onde o Papa beatificou o cardeal John Henry Newman, o teólogo do século XIX convertido do anglicanismo, sua visita gerou interesse e reflexão, junto com alguns protestos.

Um tema comum em todas as visitas papais foi de que a Igreja precisa ajudar as pessoas a redescobrirem a presença de Deus em suas próprias vidas e na vida da sociedade. Ele alertou que as pessoas do Ocidente continuam se afastando do cristianismo e da fé em geral.

Para ajudar a conter essa tendência, ele estabeleceu em junho o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, com a tarefa de reevangelizar países tradicionalmente cristãos. Ele anunciou que a "nova evangelização" seria o próximo tema do Sínodo dos Bispos de 2012.

Em novembro, o Papa divulgou o documento do Sínodo de 2008 sobre a Bíblia. Intitulado "Verbum Domini" ("A Palavra do Senhor"), ele encorajou a um melhor uso da Bíblia em todos os níveis da Igreja.

O Papa Bento XVI também usou as Escrituras como uma ponte no diálogo com os judeus, citando os Salmos e outros livros do Antigo Testamento durante uma visita em janeiro à principal sinagoga de Roma.

O Papa presidiu mais de 50 grandes liturgias em 2010, incluindo uma missa em outubro para proclamar seis novos santos. Um desses canonizados foi Santa Mary MacKillop, que educou crianças pobres no interior da Austrália no final do século XIX. Ela se tornou a primeira santa da Austrália.

O Papa também nomeou 24 novos cardeais e entregou-lhes os chapéus vermelhos durante um Consistório no Vaticano, em novembro. Entre eles estão dois norte-americanos: o cardeal Donald W. Wuerl, de Washington, e o cardeal Raymond Burke, prefeito do Supremo Tribunal do Vaticano. [E também um brasileiro, Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, São Paulo, e atual presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano - Celam.]

Uma das mais difíceis questões internas da Igreja na agenda papal de 2010 foi a reforma dos Legionários de Cristo, após as revelações de que o fundador da ordem, o falecido padre mexicano Marcial Maciel Degollado, havia tido filhos e abusou sexualmente de seminaristas. Depois de uma investigação do Vaticano, o Papa nomeou um delegado para dirigir a ordem, que previu que a reforma pode levar vários anos até ser concluída.

Em novembro, o Vaticano publicou um livro-entrevista com o Papa Bento XVI, intitulado "Luz do Mundo: O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos". Foi um best-seller instantâneo, em parte porque o Papa respondeu a todas as perguntas que lhe foram lançadas pelo jornalista alemão Peter Seewald e falou em uma linguagem surpreendentemente direta.

Os comentários do Papa sobre os preservativos foram manchete em todo o mundo. Embora continuando a afirmar que os preservativos não são a resposta à pandemia da Aids, ele reconheceu que, em circunstâncias particulares, por exemplo, uma prostituta que procura reduzir o risco de infecção, usar um preservativo pode representar um passo em direção à conscientização moral.

No livro, o Papa disse que a principal missão da Igreja em um mundo despedaçado é despertar as consciências e levar as pessoas a um encontro com Cristo, para que a humanidade possa responder a problemas globais que, de outra forma, poderiam levar a uma catástrofe econômica, ambiental, biológica e moral.

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