Terça, 21 de dezembro de 2010
No próximo dia 8 de fevereiro de 2011, o Fórum Mundial de Teologia e Libertação irá celebrar, dentro do Fórum Social Mundial, em Dakar, no Senegal, uma oficina sobre "Religiões e Paz: A visão/teologia necessária para tornar possível uma Aliança de Civilizações e de Religiões para o bem comum da humanidade e a vida no planeta". A organização da oficina é da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo - ASETT/EATWOT.
Para facilitar a participação e o debate, a EATWOT disponibilizou as conferências resumidas de vários especialistas que serão apresentadas sobre a temática proposta na oficina do ano que vem.
O sítio do IHU, em suas Notícias do Dia, está disponibilizando as principais conferências a respeito da temática. Veja abaixo, em "Para ler mais", a lista de textos já publicados.
No texto abaixo, David R. Loy, professor da Xavier University, a partir da perspectiva budista, afirma que "a globalização da humanidade permite que nossas diversas tradições se tornem cada vez mais conscientes das demais". A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
Reflexões sobre uma teologia budista para o bem comum
1. Vivemos em um tempo de uma grande e crescente crise: econômica, social e – o mais alarmante – ecológica. Esses desafios urgentes foram provocados pelo ser humano e requerem a melhor resposta possível das tradições religiosas. As religiões não deveriam se relacionar entre si como concorrentes, porque estão comprometidas em uma tarefa comum. A globalização da humanidade permite que nossas diversas tradições se tornem cada vez mais conscientes das demais, que aprendam e cooperem entre si. Também devemos aprender com o melhor que a ciência tem a oferecer – por exemplo, a evolução biológica –, sem cair em um materialismo reducionista.
2. "Deus" é uma forma de tentar dizer algo muito importante, que definitivamente não pode ser expresso pela linguagem. Brahman, Nirvana e o Tao são algumas outras formas para tentar descrever ou apontar para essa ultimidade. Somos desafiados não a compreender esse mistério inefável, mas sim a abrir-nos a ele e a ser transformados por ele.
3. Cada tradição religiosa tem contribuições espirituais que se tornaram parte da herança religiosa comum da humanidade, mas nenhuma tradição é incorrigível ou tem o monopólio da verdade religiosa. Historicamente preservadas e transmitidas, todas essas revelações ou realizações foram cocriadas por seres humanos e, portanto, estão sujeitas à crítica e à correção. Elas precisam ser integradas aos desenvolvimentos "seculares" tais como a democracia e os direitos humanos, incluindo os direitos das mulheres.
4. A partir de uma perspectiva budista, não somos "salvos" por nos identificarmos com uma figura em particular (por exemplo, Shakyamuni Buddha), um texto, um código moral ou um conjunto de rituais. Cada um destes, por si mesmos, é apenas parte do caminho espiritual que envolve a transformação pessoal de toda a pessoa, incluindo a realização da nossa interdependência com os outros. Hoje, tornou-se mais claro que esse processo de transformação individual não pode ser separado da transformação social e ecológica.
5. No passado, os caminhos religiosos foram entendidos frequentemente como transcendentes a este mundo, no sentido de que escapariam de seus problemas ao alcançar algum âmbito mais alto ou alguma dimensão espiritual. Esse dualismo implicou às vezes em desprezo ou desvalorização do mundo físico, incluindo a natureza (os animais), a mulher e os nossos próprios corpos. Os desafios religiosos que enfrentamos hoje incluem a superação desse dualismo. O caminho religioso não significa escapar deste mundo, mas envolve um compromisso com ele, que está profundamente comprometido com o aperfeiçoamento de todas as suas criaturas.
David R. Loy
Professor da cátedra Besl de Ética, Religião e Sociedade da Xavier University, em Cincinnati, nos Estados Unidos

"considero o culto ao progresso o mais perigoso e daninho do que o culto "ao atraso""
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Economia extrativista: ''Esse culto ao atraso é perigoso''. Entrevista especial com Alfredo Homma
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"Uma entrevista dividida em 3 partes com o Prof.Pinguelli Rosa pode ser conferida nos seguintes links..."
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"Acredito que a Rio+20 não vai ser um grande sucesso", diz Luiz Pinguelli Rosa
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"Concorco com o professor Pinguelli Rosa "...espero que se avance alguma coisa em direção a um mund..."
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