Domingo, 07 de setembro de 2008
O Brasil foi menos afetado pela recente alta do petróleo que a maior parte de seus vizinhos. Resultado da combinação entre matriz energética limpa e auto-suficiência em petróleo. De acordo com Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), responsável pelo planejamento nacional do setor, 46,4% de toda energia produzida no país vêm de fontes renováveis. A média mundial é de 13%.
— O Brasil tem hoje uma das matrizes mais renováveis do mundo. Nossos estudos indicam que vamos manter a proporção de quase 50% de renováveis até 2030 — diz Tolmasquim.
A reportagem é de Ramona Ordoñez e publicada pelo jornal O Globo, 07-09-2008.
Já a participação de petróleo e derivados na matriz energética brasileira está caindo.
Passou de 37,8% em 2006 para 36,7% em 2007. A projeção para 2030 é de 29%. O espaço dos combustíveis fósseis vem sendo tomado em parte pela canadeaçúcar (álcool e bagaço), que já representa 16% da matriz, a segunda maior fonte de geração de energia do Brasil depois do petróleo. Em 2030, o percentual alcançar 18%.
O avanço da cana deve-se principalmente ao mercado de combustíveis, herança do Proálcool, programa dos anos 70 que incentivou o uso do etanol para reduzir a dependência das importações de petróleo.
Hoje, a gasolina distribuída nos postos tem uma mistura de 25% de álcool. E mais de 70% da produção de automóveis no país são do tipo flex fuel que podem rodar com gasolina ou álcool. Já são cerca de 6 milhões de unidades no país, desde que o modelo foi introduzido em 2003.
A auto-suficiência em petróleo — conquistada em 2006 — aliada à política de preços dos combustíveis da Petrobras, que não repassa a todo instante a volatilidade das cotações internacionais, fizeram com que os consumidores brasileiros não sentiram a disparada de preços do petróleo ocorrida no início do ano, nem agora a sua queda.
O ponto fraco é o gás natural pois depende 50% das importações.
Petrobras está investindo US$ 18,2 bilhões até 2012 para reduzir a dependência.

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