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PAC tem estudos para 22 hidrelétricas na Amazônia, última fronteira hidrelétrica

No momento em que a possibilidade de construção da hidrelétrica de Belo Monte, na área paraense do Rio Xingu, deflagrou uma guerra entre índios, ambientalistas e governo, o balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) revelou a existência de outros 22 estudos voltados à geração de energia na Amazônia Legal. Ao custo de R$ 469 milhões, estão sendo feitas 12 análises de viabilidade de novas usinas e dez inventários de bacias, que somados têm potencial estimado de 49,787 megawatts (MW), metade do que o país gera atualmente. A reportagem é de Gustavo Paul e Henrique Gomes Batista e publicada pelo jornal O Globo, 06-06-2008.

Estes estudos estão sendo realizados há anos, mas os últimos balanços do PAC citavam a existência de quatro: os inventários das bacias dos Rios Tapajós (entre Amazonas e Pará) e Juruena (entre Amazonas e Mato Grosso) e os estudos de viabilidade dos rios Teles Pires (Mato Grosso) e Tabajara (Rondônia).

Ao tornar pública a existência de outros 18 estudos, o governo deixa clara a estratégia de fazer da Amazônia a última fronteira hidrelétrica do país.

— O filé do setor elétrico está na Amazônia. O Brasil foi aquinhoado com um bilhete premiado e não utilizar esse potencial seria como jogar o prêmio no lixo para usar apenas geração térmica no futuro — diz o presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), Maurício Tolmasquim.

Consultor do Greenpeace pede cautela ´

Este é o principal argumento do governo para enfrentar a polêmica que existe em torno do tema. A possibilidade de novos empreendimentos na Amazônia vai aumentar, disse Tolmasquim.

Muitas análises ainda estão em fase embrionária. As divergências, afirma, são esperadas e fazem parte do processo:

— Sempre vai haver polêmica, pois terá algum grupo contrário à construção de hidrelétricas, mesmo na região Sul.

O consultor de políticas públicas do Greenpeace e ex-deputado João Alfredo afirmou que estes estudos têm de ser vistos com preocupação. O ideal seria esgotar a potencialidade hídrica de outras regiões do país antes de avançar os estudos sobre a floresta. Ele reclama que o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica seja considerado o patinho feio da política de desenvolvimento:

—Se esse valor fosse destinado para fontes renováveis, talvez estivéssemos em um outro patamar. Com 70% de sua energia gerada pela força das águas, o Brasil só explorou 30% desse potencial.

É na região em que o terreno do Planalto Central se transforma em planície amazônica que está o maior potencial hidrelétrico brasileiro. Não há espaço nas demais regiões para grandes empreendimentos, capazes de atender ao crescimento da demanda do país. Segundo analistas, Sul, Sudeste e Nordeste poderão contribuir apenas com usinas médias e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

A fórmula para preservar ao máximo a floresta será utilizar usinas a fio d’água, sem a formação de grandes reservatórios, que possam inundar amplas extensões da mata.

Para o professor Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ, o desafio do governo será desenvolver a região sem devastação:

— O potencial de devastação de uma usina é de apenas 1% da área, enquanto o desmatamento é muito maior — afirmou Pinguelli Rosa.

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