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A Terra entrou numa nova era geológica: o antropoceno

A terra entrou numa nova era geológica: o antropoceno. Este neologismo foi proposto pelo holandês Paul Crutzen, Prêmio Nobel de Química (1995), para descrever o crescente impacto da humanidade sobre a biosfera. Ela, segundo ele, iniciou em torno de 1800 com o advento da sociedade industrial, caracterizada pela utilização massiva dos hidrocarburos. Desde então a concentração atmosférica de dióxido de carbono produzido pela combustão não cessou de aumentar. A acumulação deste gás de efeito estufa contribuiu para o aquecimento do planeta. A reportagem é do jornal Le Monde, 8-01-2008.

No número de dezembro da revista Ambio, Paul Crutzen detalha os impactos que marcam a entrada no antropoceno. Com Will Steffen, especialista em problemas ambientais da Universidade Nacional de Canberra, Austrália, e John McNeill, professor de história na School of Foreign Service em Washington, ele publica um artigo intitulado “O antropoceno: os humanos estão prestes a fazer submergir as grandes forças da natureza?” Após ter modificado, nestes últimos cinqüenta anos, seu ambiente como nunca o fizera antes, perturbando a maquinaria climática e deteriorando o equilíbrio da biosfera, a espécie humana, transformada numa “força geofísica planetária”, deve agora agir muito rapidamente para limitar os desgastes. Mas será ela capaz deste desafio? É a questão colocada pelos três pesquisadores.

Segundo eles, nós nos encontramos atualmente na fase II (1945-2015) do antropoceno, que ele denominam de “grande aceleração”, pois a ação de homem sobre a natureza se acelerou neste período. “A grande aceleração atingiu um estágio crítico, escrevem eles, pois 60% dos serviços fornecidos pelos ecossistemas terrestres já estão degradados”.

Há, no entanto, um ponto positivo: durante os anos 1980 a 2000, os homens tomaram progressivamente, consciência dos perigos que sua atividade provocava no “sistema Terra”. As diversas reuniões internacionais de 2007 sobre o clima e os numerosos trabalhos científicos sobre o tema e sobre a perda da biodiversidade o demonstram.

Face a este estado inquietante, três possibilidades se oferecem à humanidade para fazer face à fase III do antropoceno (a partir de 2015 para frente). A primeira (“business as usual”) consiste em não mudar em nada os nossos hábitos, esperando que a adaptabilidade humana e a economia de mercado permitam fazer face aos problemas ambientais. Esta orientação comporta “riscos consideráveis”, segundo os autores do artigo, pois talvez seja tarde demais quando ele decidir tomar medidas adequadas.


A segunda opção (“mitigação”) visa a atenuar consideravelmente a influência humana sobre a Terra para uma melhor gestão do ambiente. Isto implica na utilização de novas tecnologias, uma gestão mais sábia dos recursos terrestres, um controle das populações humanas e uma recuperação das zonas degradadas. O que não se pode fazer sem “mudanças importantes dos comportamentos individuais e os valores sociais”. Mas estas tendências para menos materialismo “serão elas suficientemente fortes para desencadear a transição da nossa sociedade para um desenvolvimento durável?”, perguntam os cientistas.

Se isto não for possível e se o aquecimento climático for demasiadamente brutal, então resta a terceira opção que consiste em acionar a geo-engenharia climática. Esta opção implica na manipulação poderosa do ambiente em escala mundial, destinada a contrabalançar o impacto das atividades humanas.

Desde já se pensa em seqüestrar o gás carbônico em reservatórios subterrâneos. Pode-se também espalhar partículas de sulfato na atmosfera para que a luz solar seja refletida para o espaço. O que diminuirá as taxas de CO2 da atmosfera e resfriará as temperaturas. Mas será necessário agir de tal forma que isto se não se traduza numa nova era glacial, que só poderá ser contida emitindo, novamente, gás carbônico na atmosfera... Conclusão: “O remédio poderá se pior que o mal”.

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