O aprofundamento da crise das hipotecas de alto risco obrigou o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e o Banco Central Europeu (BCE) a socorrerem os mercados ontem. A reportagem é de Patrícia Campos Mello e publicada no jornal O Estado de S. Paulo, 10-08-2007.
A turbulência começou com o anúncio do banco BNP Paribas, o maior da França, de que iria congelar os resgates de três de seus fundos, com ativos de US$ 2,2 bilhões, que têm investimentos em papéis lastreados em hipotecas de alto risco. O anúncio desencadeou uma onda de aversão ao risco entre os investidores e os bancos fecharam a torneira de crédito.
Com isso, as taxas de juros interbancárias subiram muito e os bancos centrais resolveram injetar recursos no sistema por meio de empréstimos para cobrir o déficit de crédito. O BCE emprestou mais de US$ 130 bilhões a 4% ao ano no overnight. O Fed injetou US$ 24 bilhões no sistema bancário para manter a taxa de empréstimos em 5,25%, depois de abrir em 5,5% de manhã. Tanto nos EUA quanto na Europa, os juros antes das intervenções superavam a taxa básica. O Banco do Canadá também injetou um volume de recursos maior do que o normal no mercado para estabilizar o sistema.
O aperto de crédito reverberou no mercado acionário, derrubando as bolsas. O Índice Dow Jones, o mais importante da Bolsa de Nova York, teve a maior queda (2,8%) desde a turbulência provocada pela Bolsa de Xangai, em 27 de fevereiro. A bolsa eletrônica Nasdaq caiu 2,16% e o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) despencou 3,28%.
Depois de anos concedendo empréstimos imobiliários para pessoas com histórico de crédito capenga, os EUA estão em plena temporada de calotes. Essa onda de inadimplência tem efeitos em cadeia: primeiro, a crise do subprime atingiu as empresas imobiliárias; depois, bancos e fundos hedge (de alto risco), que compravam papéis lastreados nesses financiamentos arriscados. Agora, espalha-se para outros tipos de financiamento, até mesmo para pessoas com bom histórico de crédito. E chega até as aquisições alavancadas de empresas (compras feitas com endividamento).
Os investidores estão preocupados com os sinais de que a crise do subprime dos Estados Unidos está se alastrando. Nos últimos dias, várias empresas de financiamento imobiliário fecharam as portas e muitos fundos hedge que investem em papéis lastreados em hipotecas, como os da Bear Stearns que quebraram no início do mês passado, estão em dificuldades. A crise chegou até a Europa, onde bancos que investiram em papéis lastreados em hipotecas dos EUA também estão com problemas. Bancos alemães, com apoio do governo , resgataram o IKB Deutsche Industriebank.
Assustados com as perdas nos fundos, investidores estão `fugindo para qualidade`, ou seja, voltando-se para os papéis do Tesouro americano, considerados os mais seguros do mercado mundial.
O nervosismo ontem chegou a tal ponto que até o presidente dos EUA, George W. Bush, tentou acalmar os ânimos durante uma entrevista coletiva concedida pela manhã. `Nossa economia é forte e há liquidez suficiente no sistema para correção`, disse.
Ainda assim, o mercado não se acalmou. `Sem dúvida, estamos vendo um aperto de crédito generalizado`, disse Italo Lombardi, economista da IdeaGlobal em Nova York. `Já há reflexos em papéis da dívida e moedas de emergentes, mas não acredito que haverá impacto no lado real da economia do Brasil, por exemplo.` Mas ele observa que pode haver uma desaceleração no ritmo de corte de juros no Brasil.
Segundo Sonia Racy, jornalista especializada em economia, “o clima ontem pelos mercados mundiais era um só: o de pavor”.

"considero o culto ao progresso o mais perigoso e daninho do que o culto "ao atraso""
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Economia extrativista: ''Esse culto ao atraso é perigoso''. Entrevista especial com Alfredo Homma
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"Uma entrevista dividida em 3 partes com o Prof.Pinguelli Rosa pode ser conferida nos seguintes links..."
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"Acredito que a Rio+20 não vai ser um grande sucesso", diz Luiz Pinguelli Rosa
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"Concorco com o professor Pinguelli Rosa "...espero que se avance alguma coisa em direção a um mund..."
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