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O pensamento complexo e a ecologia da ação. Entrevista com Edgar Morin

A "complexidade manifesta-se no plano da ação, naquilo que chamo da ecologia da ação. Uma ação não depende somente da vontade daquele que a pratica, depende também dos contextos em que ela se insere, das condições sociais, biológicas, culturais, políticas que podem ajudar o sentido daquilo que é a nossa intenção. Dessa forma, as ações podem ser praticadas para se realizar um fim específico, mas podem provocar efeitos contrários aos fins que pretendíamos." É assim que Edgar Morin define o que entende por ecologia da ação no contexto do pensamento complexo. Este tema Morin desenvolve no sexto livro de O Método, intitulado Ética, publicado pela Editora Sulina, 2005.

Eis extratos da entrevista que o sociólogo francês concedeu a Marcelo Fiorini. Ela foi publicada na Revista Cult, março 2007, p. 9-15.

No final do verão de 1960, caminham lado a lado, diante das enormes janelas da sala de exposições do Musée de l`Homme, em Paris, Edgar Morin e Jean Rouch, co-autores de Crônica de um verão, filme inaugural do cinéma vérité. Morin reflete sobre o filme que acabavam de fazer: "ao contrário do cinema, com este filme nós entramos na vida real, os personagens estão no filme como estão no cotidiano de suas próprias vidas (...) e mostram a parte mais autêntica de si mesmos."

Essa reflexão marca toda a vida e a obra de Edgar Morin, pseudônimo de Edgar Nahoum, 86 anos, um dos grandes pensadores da atualidade na França. Sociólogo e escritor infatigável, autor de mais de 60 livros sobre temas que vão do cinema à filosofia, passando pela política, a psicologia, a etnologia e a educação, Morin é o idealizador de uma reforma do pensamento e da educação. Suas idéias expressam sua paixão pelo que chama de transdisciplinaridade e resumem-se em conceitos como a ecologia da ação, a identidade transcultural, a antropoética. Morin leva-nos a assumir nossa condição humana e a utilizar as relações com os outros para compreender nossas próprias vidas.

O senhor participou, recentemente, como convidado especial do governo francês, da Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o meio ambiente, em Paris. Qual a sua opinião sobre a situação do meio ambiente e quais as medidas a serem tomadas no sentido de preservá-lo?

Edgar Morin - A primeira coisa a fazer é compreender a situação e posicionar-se perante ela. Não só cada um de nós, mas, principalmente, cada um dos países do mundo hoje. Eu diria que esse posicionamento tem ocorrido, mas lenta e gradativamente. De fato, foi só com o acontecimento de várias catástrofes ambientais causadas por nós (Seveso, Three Mile Island, Bhopal, Tchernobyl) e de outras locais, como a poluição dos rios, a chuva ácida, a poluição cada vez maior nas cidades - ou a combinação de todos esses elementos - que nos levou à consciência do meio ambiente ou mesmo à preocupação com a ecologia e a entrada desta como parte integrante no discurso político no mundo. Tivemos encontros importantes como os do Rio de Janeiro, de Kyoto, ou de Johannesburgo, mas esses não levaram a mais do que recomendações e, de fato, as decisões mais importantes não foram realmente tomadas, ou não havia meios, então, de tomar tais decisões a fim de implementá-las.

O fator mais recente, se bem que já tenha pelo menos dez anos, é a questão do aquecimento climático. No início, cientistas discutiam se as diferenças climáticas eram causadas por variações normais, uma vez que, no passado, a Terra já teria sofrido perturbações significativas, ou se elas provinham de nossas atividades. Atualmente, o consenso entre os cientistas é o de que as atividades econômicas é que produzem o efeito estufa e o aquecimento da atmosfera, provocando o degelo das calotas polares, as grandes inundações em continentes diferentes etc.

Chegamos, portanto, manter neste momento da reunião de Paris, a uma nova etapa, com a plena consciência sobre esses fatos, e a inovação aqui é o aspecto prático da reunião: a formação de uma aliança entre 40 países para lutar contra os perigos que existem hoje em dia em relação à bioesfera. É algo positivo, mas não podemos nos esquecer de que alguns dos maiores países "poluidores" não fazem parte dessa aliança: os Estados Unidos, a Rússia, a China, a Índia, e nem mesmo o Brasil fazem parte.

Para que essa aliança seja fortalecida e para que outros países unam-se a ela, eu creio (e esta é uma idéia que defendo há muitos anos) ser preciso fazer parte de uma comunidade humana que tem um destino comum, seja qual for a localização e a origem de seus membros. Essa comunidade compartilharia também uma identidade comum, pois, apesar de nossas diferenças individuais e culturais, somos todos, fundamentalmente, cidadãos de uma Terra-pátria. Não somos apenas franceses ou brasileiros, e nem mesmo só europeus ou latino-americanos, mas temos uma pátria maior comum, uma pátria terrestre. Creio que podemos desenvolver essa consciência ecológica ao desenvolver uma consciência humana na qual nos vemos como tendo o mesmo destino, e que estamos diante dos mesmos problemas, com as mesmas ameaças ou perigos.

Seus trabalhos em sociologia e filosofia já foram definidos como uma forma de "pensamento complexo" que levaria a uma reforma do pensamento. O senhor pode nos explicar ou simplificar o significado desses termos e também esse processo?

Edgar Morin - O sentido vem da palavra latina complexus, que quer dizer o que se encontra tecido juntamente, ou estar abraçados juntos. Tomemos como exemplo a situação do planeta Terra. Hoje, há uma complexidade no sentido em que existe a interferência de conjuntos de fatores diversos, dentre os quais estão os fatores demográficos, os econômicos, os religiosos, os políticos etc.

Nossos problemas não podem mais ser concebidos como separados uns dos outros. Nessas condições, compreendemos que o conhecimento que aprendemos nas escolas e nas universidades não é, evidentemente, adaptado a essa complexidade, que se torna cada vez mais importante para o destino de cada um de nós e também de cada nação, pois nos ensinam disciplinas distintas umas das outras - a economia, a filosofia da religião, a psicologia e a sociologia são todas ciências independentes - e, portanto, formamos mentes "míopes", para não dizermos, "cegas" aos nossos problemas, pois a forma com que nosso conhecimento é passado adiante nos incapacita de ver os problemas fundamentais e globais. O que é verdadeiro para cada pessoa é ainda mais verdadeiro para as sociedades humanas ou todo o gênero humano.

A complexidade não é mais do que essa consciência, e o pensamento "complexo" é uma forma de trazer à tona essa consciência, pois a forma de entender o conhecimento ou de pensar que temos é incapaz disto. São necessários outros meios, uma outra forma de pensar, e é isso que busco em minha obra que chamei de La Méthode, na qual busco as formas e as maneiras de se chegar a essa consciência.

Temos de abandonar a maneira linear de conceber a causalidade das coisas; abandonar as formas dogmáticas de pensar; mudar essa idéia de que só podemos entender algo isolando-o de outras coisas - a não ser que fizéssemos a distinção das coisas para reuni-las novamente. Há toda uma gama de procedimentos que tem de ser reconsiderada e eu procuro em meu trabalho meios conceituais de religar essas coisas que ainda se encontram separadas hoje em dia para enfrentar as contradições que se apresentam a nós mesmos.

O senhor pode nos falar sobre o último e mais recente volume dessa obra, que trata da ética? Qual o lugar da ética em seu pensamento?

Edgar Morin - Fui levado à ética, pois acho que ela também não pode ser concebida de forma simples, ou seja, da forma como Kant a concebeu, na qual há um dever, o "faça o que se deve fazer"; o "aja pelo interesse de todos"; o "faça de forma que aquilo que se quer de outro seja válido para você também", etc. essa é a ética do dever moral. Essa ética é muito conhecida, podemos dizer que ela já está presente nas religiões, no sentido que não devemos matar, que devemos ser bons etc.

O que ainda muitos não se deram conta, porém, é o que eu chamo do caráter complexo da ética. Essa complexidade manifesta-se justamente no plano da ação, naquilo que chamo da ecologia da ação. Uma ação não depende somente da vontade daquele que a pratica, depende também dos contextos em que ela se insere, das condições sociais, biológicas, culturais, políticas que podem ajudar o sentido daquilo que é a nossa intenção. Dessa forma, as ações podem ser praticadas para se realizar um fim específico, mas podem provocar efeitos contrários aos fins que pretendíamos.

Um exemplo grosseiro em política seria a intervenção de George W. Bush no Iraque: em vez da democracia ideal que aí se visava instalar, provocou uma situação caótica. A ecologia da ação implica que não é suficiente apenas ter boa vontade. Temos de tentar examinar as condições em que se dá a ação, e então, de acordo com a necessidade, poderemos segui-la, ou transformá-la, ou ainda abandoná-la. Portanto, há duas idéias importantes na ética: uma, quando nos decidimos pro uma ação pelo bem, fazemos um balanço dos efeitos de nossa ação, e assim, ao tornarmo-nos conscientes de seus efeitos, podemos rever nossas ações ou decisões.

Em segundo lugar, a idéia de que é preciso traçar uma estratégia de ação, ou seja, ficar atento aos elementos novos e às informações que se somam à situação. Penso no período em que vivi durante a guerra, ou no pós-guerra, na minha relação com o comunismo, quando conheci pessoas ou militantes que achavam que trabalhavam para o bem da humanidade sem perceber que trabalhavam, ao contrário, pela sua escravidão. Isso, contudo, pode estender-se a todas as atividades. Quantas pessoas não acreditam trabalhar para o bem, sem perceber que na realidade estão sendo manipuladas?

Mas não é esta ecologia a própria complexidade?

Edgar Morin - A ecologia da ação é constituída pela complexidade de nossas ações. Para além disso, há a questão das contradições éticas. A meu ver, é possível existir dois deveres que se impõem, mas que são contraditórios. Um exemplo chocante é aquele dado pela etnologia das culturas árabes do deserto, sobre a mulher de um beduíno assassinado em uma vendeta entre duas tribos inimigas. O cunhado do homem morto parte em busca do assassino, mas esse último vem dar na tenda da viúva ao cair da noite e pede sua hospitalidade. Nesse caso, a mulher tinha dois deveres contraditórios: um dever sagrado, que é o de dar hospitalidade ao forasteiro; e outro dever sagrado, que é o de matar o assassino de seu marido. Ela resolve essa contradição ao conceder hospitalidade ao forasteiro à noite e partindo no dia seguinte com seu cunhado para matar o mesmo homem.

É essa questão que emerge quando temos de decidir se devemos transplantar um órgão de uma pessoa que está morrendo para uma pessoa que sofreu um acidente e que pode ser salva. Devemos obedecer ao pedido de um agonizante que está sofrendo muito e pede a morte? Ou, ao contrário, devemos prosseguir na política mais comum em nosso mundo nesse caso, a de Hipócrates, de prolongar ao máximo a vida do doente. Penso haver uma diferença nesse caso entre o viver e o sobreviver. Quando uma pessoa está em coma, ela sobrevive, mas não tem mais consciência ou espírito, é uma máquina que funciona. Devemos prolongar-lhe a vida artificialmente? Indefinidamente? Ou, ao contrário, devemos deixá-la morrer naturalmente? Certamente, pode haver casos onde algo possa vir a acontecer, casos raros decerto, mas que existem. Há pessoas que, de repente, voltaram a si depois de um ou dois anos de coma. Portanto, coma é um caso típico em que devemos tomar uma decisão que pode vir a ter efeitos positivos ou nocivos. Esse é um bom exemplo da complexidade inerente à ética. Vou citar também um pensador moralista que disse: "Em períodos difíceis, o problema não é o de não fazer o seu dever, o problema é o de conhecê-lo". (...)

Em seu livro, Os sete saberes necessários à educação do futuro [São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2002], o senhor coloca os problemas da educação de uma maneira semelhante a Paulo Freire. O senhor pode nos dizer se o trabalho de Freire inspirou ou influenciou a sua filosofia?

Edgar Morin - Foi um grande prazer para mim ter tido acesso ao trabalho de Freire. Eu o encontrei justamente no momento em que escrevera meu livro, pois algumas pessoas que leram Os sete saberes... falaram-me da similaridade de minhas idéias com as de Freire. Acho seu trabalho maravilhoso.

Quais são os princípios básicos dessa nova cultura?

Edgar Morin - O princípio básico é que não aprendemos os problemas fundamentais que dizem respeito às nossas vidas, enquanto pessoas, cidadãos e seres humanos. O problema fundamental - e menciono alguns exemplos em meu livro - é o problema do conhecimento. É necessário ensinar quais são as armadilhas e ilusões que fazem parte do conhecimento. A verdade é que nós recebemos uma forma de conhecimento em nosso aprendizado que nos impossibilita de fazer conexões/pontes entre diversos tipos de conhecimento. A transdisciplinaridade, em minha opinião, não pode ser feita a não ser a partir do pensamento complexo. É necessário ter uma forma de unir os diferentes saberes/conhecimentos separados em disciplinas. Dessa forma, a complexidade conduz a transdisciplinaridade e vice-versa. É, portanto, a partir do conhecimento que nós nos enganamos, que cometemos erros. E é pelo fato de termos uma consciência limitada do conhecimento que o mundo passa por catástrofes e caminha para o desastre.

Um segundo problema é o da identidade humana. Ninguém nos ensina o que realmente somos enquanto seres humanos, pois isso é a união de tudo o que nos diz respeito: a poesia, a literatura, as ciências humanas, a biologia (somos todos animais), as ciências físicas (nós somos máquinas térmicas e nossas moléculas vêm da origem do mundo). Atualmente, porém, todos esses saberes estão separados. Precisamos saber o que somos, conhecer nossa relação com o cosmos e a natureza e saber que estamos separados da natureza por causa de nossa consciência e cultura. Ninguém nos ensina a incerteza. Hoje, só nos dão certezas. Precisamos aprender a enfrentar a incerteza. Enfrentá-la é uma verdade na vida de cada indivíduo, assim como para o planeta. Ninguém nos ensina a compreensão humana.

São esses os temas fundamentais que necessitam evidentemente de uma cultura polidisciplinar. Enquanto estivermos orientados a apenas uma disciplina, não poderemos tratar realmente desses problemas. No fundo, a verdadeira questão é a que coloca Jean-Jacques Rousseau em seu livro sobre educação, Émile, onde dizia que faria seu educador aprender a viver. Aprender a viver é algo que não se aprende pelo exterior. Podemos é ajudar alguém a aprender a viver. Acredito ser esse o objetivo.

A diversidade cultural seria uma das formas dessa educação?

Edgar Morin - Sim, é preciso também compreender a unidade e a diversidade. Aqueles que enxergam somente a unidade humana não vêem a diversidade e vice-versa. Para mim, todos os seres humanos têm um ponto em comum, que é a cultura. Essa cultura humana, porém, só pode ser observada/conhecida por meio de diferentes culturas. Então, é necessário ligar ou reunir a unidade e a diversidade. (...)

Em sua opinião, qual a relação que o Brasil deveria ter com o mundo?

Edgar Morin - O Brasil tem um propósito extremamente difícil, mas que está empreendendo: o de poder avançar na questão da justiça social. O Brasil tenta um compromisso entre sua vontade de progresso humano e social e as condições objetivas muito duras que são as da globalização do mundo econômico. Eu acho que o Brasil pode ter um grande papel na criação de uma confederação dos países da América Latina, porque acho que é a união que nos torna fortes. A Europa, infelizmente, ainda não desenvolveu essa verdadeira unidade, mas o Brasil está em uma posição privilegiada, que, pode ser um motor dessa unidade e a da criação dessa confederação dos países latino-americanos que, por sua vez, poderá ter uma grande influência no mundo.

Parece-me que o Brasil é um grande país, que creio, pode apoiar sua força em sua diversidade, não somente em sua diversidade interior, mas também no sentido de que recebe muitos imigrantes japoneses, o que pode fazer com que haja uma maior compreensão dos problemas do Pacífico, e imigrantes de origem européia, o que permite relações mais estreitas com a Europa. Eu creio que, hoje, o Brasil é um carrossel da humanidade.

O senhor começou, de certa forma, com a etnologia e o cinema. Refiro-me ao filme que o senhor fez com Jean Rouch no início dos anos 1960, Chronique d`un été. Qual foi o projeto inicial do filme?

Edgar Morin - O cinema teve uma grande parte na minha formação. Eu sou dessa geração que foi formada pelo cinema tanto quanto pela literatura. Eu não sou somente um cinéfilo, mas um cinófago, pois eu devoro o cinema. Isso também me levou a escrever um livro, Le cinéma ou l`homme imaginaire. O cinema me proporcionou também uma reflexão antropológica. O filme que fiz com Jean Rouch foi uma idéia de fazer etnologia em Paris. Foi uma relação, a princípio, excelente e benéfica, pois o produtor aceitou o projeto que eu fizera, uma vez que tinha a garantia de Jean Rouch, que já havia feito excelentes filmes.

Talvez o tema mais profundo do filme tenha sido o da vida, a vida das pessoas, não somente a vida exterior. Chronique d`un été é um filme sobre a vida. Perguntamos às pessoas, "como você vive ou `se arranja` com sua vida?" "Como você encara os problemas da vida?" De fato, o filme chamava-se inicialmente Comment vis-tu? Foi apenas depois, e por influência do produtor, que escolhemos um outro título, que veio do fato que o filme foi rodado durante um verão. Esse filme foi importante também para o cinema, pois foi um dos primeiros filmes a usar câmera na mão. Na realidade, de minha parte, Chronique d`un été foi inspirado no filme de Lionel Ragosin, Come Back Africa, que eu vi no festival de cinema etnográfico que havia em Florença naquela época, e também nos filmes de Richard Leacock, o pioneiro do cinema direto.


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