Francisco homenageia João Paulo II com manhã da misericórdia

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01 Agosto 2016

Com uma visita no sábado pela manhã ao Santuário da Divina Misericórdia em Lagiewniki e, depois, com uma missa no Santuário de S. João Paulo II, em Cracóvia, o Papa Francisco prestou homenagem ao seu antecessor e à Santa Faustina Kowalska, cujos legados se fazem presentes neste Ano da Misericórdia.

A reoortagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 30-07-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Os papas prestam homenagem aos seus antecessores o tempo todo através de pequenos gestos: com notas de rodapé em seus documentos, por exemplo, ou com referências aos seus magistérios, ou simplesmente mencionando-os em variados contextos.

Se alguma vez uma manhã papal inteira tive “homenagem” inscrita durante todo o tempo, no entanto, ela deve ter sido a visita do Papa Francisco ao Santuário da Divina Misericórdia, na região da Cracóvia conhecida como Lagiewniki, e então a sua missa para padres e religiosos no Santuário de S. João Paulo II.

Divina Misericórdia, é claro, é a devoção associada com Santa Faustina Kowalska, freira polonesa que entrou para a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia em 1925 e, mais tarde, relatou que começou a ter visões de Jesus, Maria e vários santos.

Durante uma dessas visões, segundo contou, ela foi instruída a encomendar uma pintura de Jesus com base na Divina Misericórdia, com raios de luz vermelha e branca saindo de seu coração e com a inscrição: “Jesus, eu confio em Vós”.

Foi Dom Karol Wojtyla, arcebispo Cracóvia, mais tarde Papa João Paulo II, quem em 1965 começou o processo de beatificação de Faustina Kowalska e quem mais promoveu a devoção da Divina Misericórdia. Na verdade, a razão pela qual o local é chamado de “santuário” é porque Wojtyla o designou como tal e, em 1985, declarou Lagiewniki como a “capital devocional da Divina Misericórdia”.

Em 1997, João Paulo II retornou ao local como papa para rezar junto ao túmulo de Santa Faustina. Quando Bento XVI fez sua visita, desvelou uma estátua de João Paulo II.

Em 2000, João Paulo II declarou Faustina Kowalska como o primeiro santo do novo milênio, e decretou que o primeiro domingo depois da Páscoa seria observado como “o Domingo da Divina Misericórdia” (este também sendo um outro pedido que, segundo Kowalska, foi feito em suas visões).

Tão grande era a ligação de João Paulo II com a devoção à Divina Misericórdia que muitos analistas acreditam que ele se agarrou por mais alguns dias tão firmemente à vida em abril de 2005 a fim de que pudesse morrer na vigília em torno da festa da santa. Sendo assim, parece natural que João Paulo II tenha sido beatificado no Domingo da Divina Misericórdia em 2011 e canonizado, juntamente com Papa João XXIII, no Domingo da Divina Misericórdia em 2014.

Em outras palavras, há poucos lugares neste mundo mais associados a João Paulo II do que Lagiewniki, e simplesmente ao colocar seus pés no santuário o Papa Francisco já estava prestando o seu testemunho à memória do seu antecessor.

Quando Francisco chegou à igreja do convento, 150 membros das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia o saudaram com cantos e bandeiras que estampavam a imagem da Jornada Mundial da Juventude, de um lado, e, de outro, uma imagem da Santa Faustina. O pontífice rezou em frente a uma estátua de Faustina com seu famoso diário, em seguida conduziu as irmãs na recitação da “Ave Maria” e proferiu uma breve bênção.

Ele assinou o livro de convidados citando, em espanhol, uma frase do Evangelho de Mateus (que em si é uma citação do Livro de Oseias): “Eu quero a misericórdia, não o sacrifício”.

Francisco então foi a uma estrutura maior e mais moderna no santuário de Lagiewniki, onde cumprimentou uma multidão entusiasmada, saudando os presentes em espanhol com uma breve exortação sobre misericórdia e conduzindo-os a uma breve oração.

Depois, Francisco atravessou a Porta Santa no santuário – gesto feito estando em sintonia com seu próprio Ano Santo da Misericórdia, jubileu inspirado também em Faustina e João Paulo II. Depois, ele ouviu as confissões de cinco jovens, em espanhol, italiano e francês. Mais tarde, espontaneamente concordou em ouvir a confissão de um padre que assim lhe pediu enquanto o cumprimentava.

Então, Francisco pôs um ponto de exclamação nesta manhã de homenagem a João Paulo II rezando a missa em um santuário expressamente dedicado à sua memória, fundado em junho de 1995 com a força de um decreto do Cardeal Franciszek Macharski, sucessor de João Paulo como o arcebispo de Cracóvia, e cuja expansão foi supervisionada pelo Cardeal Stanislaw Dziwisz, que trabalhou para João Paulo como secretário e braço direito.

O complexo chamou-se Centro “Não tenhais medo!”, em homenagem à exortação mais famosa de João Paulo II, que captura em três palavras todo o espírito de seu papado de quase 27 anos. O local possui um centro de voluntários, um instituto acadêmico e uma série de igrejas e capelas.

Em sua homilia, Francisco citou uma outra frase famosa associada a João Paulo II: “Como podemos deixar de ouvir este eco no grande apelo de São João Paulo II: ‘Abra as portas’?”

O pontífice dedicou grande parte sua homilia a um apelo a sacerdotes e religiosos para que não se fechem sobre si mesmos, mas que se ponham a sair pelas ruas a se encontrar com os necessitados do mundo.

“Jesus indica uma direção de sentido único: (…) sair de nós mesmos”, disse o papa. “Trata-se de realizar um êxodo do nosso eu, de perder a vida por Ele”.

O papa convidou os presentes à missão, assentada na virtude da misericórdia.

“Mas há ainda um desafio, há espaço para sinais feitos por nós, que recebemos o Espírito do amor e somos chamados a difundir a misericórdia”, continuou.

“Poder-se-ia dizer que o Evangelho, livro vivo da misericórdia de Deus que devemos ler e reler continuamente, ainda tem páginas em branco no final: permanece um livro aberto, que somos chamados a escrever com o mesmo estilo, isto é, cumprindo obras de misericórdia”.

Ao longo de toda a manhã, Francisco não se referiu explicitamente a Santa Faustina ou a São João Paulo II. E nem era preciso. A experiência toda indicava o quão se fazem presentes os legados dos dois santos poloneses neste Ano Santo da Misericórdia e, nesse sentido também, o tipo de Igreja Católica que Francisco está tentando liderar.

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