Autoridades da Igreja dizem que as decisões do Concílio Ortodoxo serão obrigatórias

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29 Junho 2016

Importantes representantes ortodoxos têm insistido que as decisões do Santo e Grande Concílio, em reunião em Creta, serão "representativas e obrigatórias" para todas as Igrejas, já que mais duas declarações sobre aspectos fundamentais da vida ortodoxa foram discutidas e aprovadas.

A reportagem é de Jonathan Luxmoore, publicada por National Catholic Reporter, 23-06-2016. A tradução é de Luísa Flores Somavilla

"Não viemos aqui para uma conferência ou reunião, mas para um Concílio Santo, convocado por primatas da Igreja Ortodoxa em consenso - e, por isso, somente um consenso equivalente poderia adiar o Concílio ou alterar seu status", disse o Arcebispo Job Getcha de Telmessos, porta-voz do Concílio, em uma conferência de imprensa em 23 de junho.

"Os documentos em discussão foram construídos por todas as igrejas em conjunto durante nossas consultas pan-ortodoxas e sua recepção terá início após a sessão de encerramento. Portanto, está claro para todos aqui que as decisões do Concílio serão representativas e obrigatórias".

O arcebispo estava respondendo a perguntas sobre a ausência de líderes ortodoxos da Rússia, Bulgária, Geórgia e do Patriarcado de Antioquia ao Concílio, que representam cerca de metade dos 300 milhões de fiéis ortodoxos em todo o mundo.

Ele afirma que antes do Concílio de Creta houve consultas envolvendo todas as hierarquias ortodoxas durante mais de meio século e que o Concílio deve ser visto "como um processo, e não apenas um evento".

Enquanto isso, outro oficial da Igreja relatou que todos os líderes ortodoxos haviam concordado com as funções, regras e procedimentos de votação para o Concílio e que eles não foram afetados pela decisão de certas Igrejas de não comparecer.

"A conciliaridade não é determinada pela quantidade ou por quantos cristãos devem ser representados aqui - foi uma decisão comum para se reunir e discutir estes temas", disse Ionut Mavrichi, porta-voz da Igreja Ortodoxa Romena.

"Foram realizados concílios ecumênicos previamente, sem a presença de alguns patriarcados, mas isso não os torna menos ecumênicos ou eficazes. Algumas de nossas Igrejas nem sequer existiam na época, mas ainda as reconhecemos".

O Concílio, com duração de uma semana, tido amplamente como o primeiro dessa magnitude em mais de mil anos, acontece em Kolymbari, em Creta. Ele conta com a participação de 290 delegados, sendo dois terços bispos de 10 das 14 principais igrejas da Ortodoxia.

A declaração sobre a autonomia das igrejas afirma que a decisão de concessão de auto-governo a novas igrejas ortodoxas, que muitas vezes é causa de disputa, será a "prerrogativa canônica" de sua igreja-mãe.

Ela também confirma que reivindicações rivais à jurisdição de igrejas autônomas devem ser encaminhadas ao Patriarca Ecumênico de Constantinopla, que detém o posto honorário dentre os primatas ortodoxos, "para que ele possa encontrar uma solução canônica, de acordo com a prática pan-ortodoxa em vigor".

A segunda declaração, sobre o jejum, descreve a prática como um "mandamento divino" e "expressão do ideal ascético ortodoxo", mas diz que o jejum também inclui "o exame da raiva e o afastamento da luxúria, da calúnia e das falsas promessas".

Acrescenta, ainda, que os pedidos de dispensa do jejum por motivos de doença, condições de trabalho ou serviço militar devem ser encaminhados às igrejas locais, mas "a importância da instituição sagrada do jejum não deve ser diminuída".

"No sentido literal, jejum é a abstinência de alimentos; mas a comida não nos faz mais ou menos corretos. No sentido espiritual, como a vida vem da comida e a falta de alimentos é um símbolo da morte, é necessário que mantenhamos jejum do que é mundano", diz o documento do Concílio.

"Portanto, o verdadeiro jejum afeta a vida cristã dos fiéis como um todo, e é coroada por sua participação no culto divino, especialmente no sacramento da Eucaristia".

Fontes do Concílio relataram que a pressão por uma modificação das regras do jejum tinha crescido entre os cristãos ortodoxos "devido ao estilo de vida e de trabalho atual".

No entanto, os líderes ortodoxos conservadores haviam insistido na "manutenção de padrões rigorosos", alegando que a alteração das exigências na Igreja Católica haviam "levado a uma diminuição dramática de jejum entre os católicos".

Duas outras declarações, sobre a missão contemporânea das Igrejas e sobre o cuidado das comunidades da diáspora ortodoxa, também foram acordadas no Concílio. Os documentos sobre o casamento e sobre os laços com outras igrejas cristãs ainda estão em discussão.

Job disse aos jornalistas que a maioria dos textos tinha sido acordado apenas com "pequenas alterações", enquanto os funcionários do Concílio estavam "trabalhando intensamente" para obter um acordo final sobre todo o resto.

Ele acrescentou que mais bispos ortodoxos estavam agora pronunciando-se em debates, "depois de um susto inicial", e que o objetivo geral do Concílio era "não apenas copiar e colar a partir de concílios passados", mas produzir uma mensagem "às pessoas do século XXI".

Acrescentou, ainda, que a institucionalização do Santo e Grande Concílio como "o órgão supremo da Ortodoxia", com a realização de reuniões periódicas a cada 5 ou 10 anos, ainda estava em discussão.

Além disso, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, anfitrião do Concílio, haveria incluído em sua delegação um abade do centro monástico autônomo da Grécia, de Monte Athos, e prometido "levar em consideração" as críticas veementes de figuras conservadoras da península.

Na conferência de imprensa, o Metropolita Alexander da Nigéria, representando o Patriarcado de Alexandria, disse que os participantes do Concílio estavam profundamente preocupados com "questões humanitárias graves" enfrentadas pela África e pelo Oriente Médio, acrescentando que a declaração aprovada em missão forneceria "um roteiro para igrejas locais tomarem medidas" para aliviar os sofrimentos atuais.

Enquanto isso, um porta-voz do Patriarcado Ecumênico negou relatos de imprensa de 23 de junho que sugerem que tenha acontecido um conflito com a Igreja Ortodoxa da Grécia, sobre a jurisdição em algumas áreas do Mar Egeu oriental e intensa discussão sobre as ameaças às comunidades cristãs nos históricos territórios dos Patriarcados da Antioquia, de Alexandria, de Constantinopla e de Jerusalém.

"Por mais de mil anos, não nos dialogávamos, mas agora estamos dialogando, apoiados por milhões de cristãos ortodoxos - isso pode não ser uma frase de efeito da mídia, mas é muito significativo para nós", disse o Arcediago John Chryssavgis.

"Como teólogo, muitas vezes me questiono sobre a minha Igreja, sobre se ela está realmente no século XXI como deveria estar. Também questiono a minha hierarquia e o alcance pastoral da minha Igreja. Mas estou positivamente surpreso com a abertura mostrada aqui em relação as preocupações e interesses globais".

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