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Carta ao Povo Brasileiro II divide o PT e adia reunião do diretório nacional

Já causa desconforto no PT a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de divulgar, antes da eleição de outubro, uma nova Carta ao Povo Brasileiro, que seria uma espécie de compromisso programático caso seja eleito para o segundo mandato. A idéia foi apresentada a Lula pelo presidente nacional do PSB, Eduardo Campos (PE), e assimilada por dirigentes petistas e do PCdoB.

Há dois meses, Lula pediu aos aliados mais próximos que começassem a elaborar o texto. Os petistas ponderam que um documento com diretrizes programáticas teria que ser exaustivamente debatido por todas as instâncias partidárias. O incômodo aumentou depois das especulações de que o ex-ministro Tarso Genro já teria um esboço da carta.

A notícia é do jornal Valor, 2-3-06.

"Não estou redigindo qualquer tipo de carta, não há isso. As pessoas têm que entender que qualquer carta vai obedecer às diretrizes do presidente. Não será uma carta de um partido, ou de um grupo do governo. Será conduzida por Lula", disse Tarso ao Valor, deixando evidentes as discordâncias petistas.

O clima no partido ficou ainda mais tenso com a decisão do presidente da legenda, Ricardo Berzoini, de adiar a reunião do diretório nacional, prevista para os dias 4 e 5 de março, para o dia 18 de abril. Para a cúpula petista, o partido deve evitar debates acalorados exatamente no momento em que Lula recupera-se nas pesquisas.

O principal nó, na visão do PT, seria a abordagem dada à política econômica nesta segunda carta ao povo brasileiro. Em nenhum momento cogitou-se sinalizar, no novo pacto, mudança de rumo na condução da economia. O que se pretende é firmar um compromisso de desenvolvimento, com defesa da redução dos juros e queda gradual do superávit primário. Sem radicalismos.

Já a resolução do diretório nacional do PT, de dezembro de 2005, é explícita. "Consideramos fundamental reduzir de forma significativa e sustentada as taxas de juros (...) O caminho do crescimento permite reduzir a relação dívida/PIB, sem os sacrifícios resultantes das metas de superávit primário, que devem ser reduzidas", diz o texto petista. O PT trata ainda, na resolução, da necessidade de uma reforma de Estado para combate à "corrupção sistêmica".

Em 22 de junho de 2002, quando Lula se dirigiu à nação por meio da Carta ao Povo Brasileiro, a reação do PT foi negativa. Lula afirmava que preservaria o quanto fosse necessário o superávit para reduzir a dívida interna. O PT entendeu o recado como submissão ao mercado. Um outro aspecto que preocupa os petistas é como a Carta ao Povo Brasileiro II trataria a questão da governabilidade, um aspecto que, aliás, deixa inquietos os investidores estrangeiros.

Há um grande segmento no PT que resiste à repetição de alianças que Lula fez no primeiro mandato, com o PTB, PP e PL, partidos que, assim como o PT, foram envolvidos no escândalo do mensalão. Lula acha necessário não só manter a coalizão como ampliar a aliança com o PMDB.

Para o secretário-geral do PT, Raul Pont, o debate sobre a nova Carta deve estar subordinado ao calendário do partido. "As diretrizes do programa de governo, a política de alianças e a ratificação da candidatura de Lula certamente serão resultado de um debate coletivo do partido. Portanto, isso deve anteceder qualquer comunicação de campanha, como a Nova Carta ao Povo Brasileiro", disse Pont.

O secretário-geral do PT disse que nunca ouviu falar da nova versão da Carta, e sequer sabe de quem foi a idéia. Pont alerta, ainda, que o PT não pode se recusar a discutir amplamente a política de alianças. "Temos que fazer um balanço. É impossível que digam: olha, não aconteceu nada, não tivemos nenhum problema com o PTB, o PL e o PP", diz.

Ele alega que os rituais partidários não podem afetar a reeleição de Lula, nem mesmo se o presidente pensar diferente do partido. "Isso não é mão única. O compromisso tem que ser feito dos dois lados".

Segundo Tarso Genro, Lula tem uma visão clara de que "a política fiscal já tem acúmulo de resultados e que um novo mandato terá uma nova diretriz".

Lula desautoriza 2ª "Carta ao Povo" nos moldes propostos por Tarso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desautorizou a elaboração de uma segunda "Carta ao Povo Brasileiro" nos moldes pregados por Tarso Genro, ex-ministro da Educação. Lula também reavalia a possibilidade da volta de Tarso ao governo por julgar que ele tem sido inábil em declarações públicas.

A notícia é do jornalista Kennedy Alencar, publicada no jornal Folha de S. Paulo, 2-3-05.

Setores do PT, empolgaram-se com a possibilidade de uma carta que tivesse teor mais social e pregasse uma espécie de volta às origens, já que setores do partido são críticos da política econômica do ministro Antonio Palocci (Fazenda).

Nos últimos dias, ao saber das declarações de Tarso a respeito da confecção de uma nova carta, publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo, na segunda, e do convite que Lula teria feito para que voltasse ao ministério, o presidente disse que Tarso estava errando politicamente. E chegou a lembrar a efêmera passagem dele pela presidência do PT no ano passado, quando se inviabilizou por ter comprado briga pública com o ex-ministro José Dirceu.

Nas palavras de um auxiliar direto de Lula, uma nova carta elaborada por Tarso e por setores do PT, PSB e PC do B poderia servir de crítica ao governo. Há temor no Planalto de que se peça um segundo mandato voltado para os mais pobres e para o crescimento econômico, contrariando o discurso de Lula de que fez mais para as camadas carentes e de que teria criado as condições para um crescimento sustentado.

De fato, o presidente sondou Tarso por avaliar que ele foi um bom ministro da Educação, que deixou um sucessor que está indo bem (Fernando Haddad) e que se deu mal na presidência do PT por inabilidade política e não má-fé.

Por isso, gostaria de reintegrá-lo ao primeiro escalão. Como o ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais) hesita entre ficar no posto e ser candidato ao governo baiano, Lula pensou em Tarso. Seria opção para a Defesa, com a saída de José Alencar, ou a pasta de Wagner. O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, já dirigido por Tarso, foi incorporado às Relações Institucionais.

Seria uma solução natural. Mas auxiliares do presidente listaram várias declarações recentes do ministro que desaconselhariam sua ida para a articulação política. A primeira foi admitir em público a sondagem de Lula e indicar que seria para a pasta de Wagner.

A menção a uma nova carta na hora em que Lula ainda dissimula a candidatura à reeleição foi considerada outro erro.

Tarso disse ontem não ter relatado uma novidade ao dizer que há preparação de uma segunda carta. O tema, segundo ele, foi divulgado há dois meses, na visita que dirigentes do PC do B, PSB e PT fizeram ao presidente.

Tarso diz não ter conversado com Lula nos últimos dias e afirma não acreditar em qualquer descontentamento com suas declarações. A Folha apurou que petistas ligados a ele acreditam que possa haver alguma informação ""plantada" para prejudicá-lo.

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