“O Concílio pan-ortodoxo é um evento histórico; ninguém pode ficar de fora”. Entrevista com Crisóstomo Savatos

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Por: André | 08 Junho 2016

“O Espírito Santo iluminará as mentes dos primados; é um momento histórico e nenhuma Igreja ortodoxa pode ficar fora deste Concílio pan-ortodoxo. Devemos transmitir a imagem da unidade”.

Crisóstomo Savatos, de 55 anos e metropolita de Messinia em Kalamata (no Peloponeso), é professor de dogmática na Universidade de Atenas, membro do conselho de diálogo para a unidade dos cristãos e fará parte da delegação da Igreja grega no Concílio pan-ortodoxo de Creta, cujas sessões começarão no próximo dia 19 de junho.

Como se sabe, há muitas nuvens pesadas pairando sobre o evento, sobretudo nestas últimas semanas. O último obstáculo que se apresentou foi o pedido da Igreja ortodoxa búlgara de adiar o importante encontro devido a diferenças sobre os textos preparatórios.

 

Na segunda-feira, 06 de junho, o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla publicou um comunicado no qual recorda a todos os dissidentes que as decisões sobre a data, as modalidades e os textos que serão discutidos durante o Concílio pan-ortodoxo (o primeiro depois de vários séculos), foram decididos em comum por todos os primados das Igrejas. Por esta razão, qualquer diferença, qualquer emenda, qualquer proposta poderá ser apresentada durante a discussão sinodal.

A entrevista é de Andrea Tornielli e publicada por Vatican Insider, 07-06-2016. A tradução é de André Langer.

 

Eis a entrevista.

Metropolita Crisóstomo, o que vai acontecer? Todas as Igrejas ortodoxas vão participar do Concílio?

Esperamos a obra do Espírito Santo, vivemos um momento de dificuldades, mas existe a possibilidade de chegar a um acordo todos juntos. Tudo foi decidido durante a reunião dos primados de janeiro deste ano; todos votaram que o Concílio pan-ortodoxo aconteceria em Creta a partir de 19 de junho. Estou convencido de que o Espírito Santo iluminará as mentes dos primados. Não compreendo porque tenha surgido esta mudança. É um momento histórico e nenhuma Igreja ortodoxa por ficar fora deste Concílio pan-ortodoxo. Devemos transmitir a ideia da unidade.

Nas últimas semanas, alguns bispos da Igreja ortodoxa na Grécia propuseram emendas para tirar dos textos o substantivo Igreja em referência aos católicos. O que isso significa?

Alguns bispos propuseram estas mudanças ao texto que se ocupa das relações entre a ortodoxia e o resto do mundo cristão. A emenda foi aceita e será submetida à discussão.

Mas até agora os católicos foram considerados uma verdadeira Igreja pelos ortodoxos. Não é?

Claro que sim; a Igreja católica sempre foi considerada uma Igreja. A proposta de que você fala é de alguns conservadores que não querem colocar no mesmo nível ambas as Igrejas. Mas creio que será difícil que isso seja aprovado. Há muitos outros que não aceitam essa emenda.

Quais serão os principais pontos do Concílio pan-ortodoxo?

Em primeiro lugar, a imagem da unidade de todas as Igrejas ortodoxas, com os primados que celebram juntos a divina liturgia. Em segundo lugar, uma mensagem para o mundo contemporâneo e para os povos, sobre alguns problemas sociais e éticos: a defesa da vida e da família, o mal provocado pelo divórcio nas famílias, a paz e todas as guerras que estão sendo travadas, a defesa da Criação e os problemas do meio ambiente. Outro ponto importante será a possibilidade, para as Igrejas ortodoxas, de resolver alguns problemas que existem entre algumas delas.

Você se referiu ao divórcio. As Igrejas ortodoxas admitem a bênção das segundas núpcias. Como se pode conciliar isso?

A teologia da economia, que prevê isso, não será posta em discussão, posto que já foi estabelecida por um Concílio ecumênico. Mas isto não impede de refletir sobre o mal provocado pelo divórcio à família.

Nas Igrejas ortodoxas existem posições muito diferentes em relação ao diálogo com os demais cristãos, ao caminho ecumênico rumo à unidade...

Vamos discutir conteúdos e limites deste diálogo. É verdade que existem oposições a este caminho em algumas Igrejas ortodoxas. Esta é uma característica das nossas Igrejas, existe a liberdade para que cada um diga o que pensa. Mas isto não significa que aqueles que pensam de uma determinada maneira terão a última palavra.

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