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Por: André | 16 Maio 2016

Francisco deu, na quinta-feira, uma nova demonstração de audácia frente aos setores mais conservadores do catolicismo ao reabrir o debate sobre o ministério consagrado das mulheres. Ele admitiu a criação de uma comissão oficial da Igreja para analisar o diaconato feminino nos primeiros tempos do catolicismo. Este pode ser o caminho escolhido para habilitar a discussão sobre o sacerdócio das mulheres, uma questão que o Papa João Paulo II havia fechado em 1994 na carta Ordinatio Sacerdotalis com o argumento de que Jesus convocou apenas varões, os apóstolos, como seus colaboradores diretos.

A reportagem é de Washington Uranga e publicada por Página/12, 13-05-2016. A tradução é de André Langer.

O Papa Bergoglio não costuma ser um homem de anúncios altissonantes. Sua estratégia é a dos gestos e dos avanços medidos, estudados, mas sempre a passo firme. Também não foge do conflito que decisões como esta podem lhe trazer no seio da própria Igreja, em particular pela resistência dos setores conservadores.

Na Igreja, o debate sobre o diaconato feminino não é uma novidade. Até mesmo durante a última sessão do Sínodo dos Bispos celebrado no Vaticano em outubro do ano passado, o arcebispo canadense Paul-André Durocher fez uma intervenção sobre o tema. Nessa oportunidade o prelado pediu “para refletir seriamente sobre a possibilidade de abrir o diaconato feminino, porque abriria o caminho para maiores oportunidades para as mulheres na vida da Igreja”.

Agora, Francisco institucionalizou a discussão sobre o tema abrindo uma porta que parecia definitivamente fechada apesar dos pedidos de muitos grupos de mulheres na própria Igreja. Tudo parece indicar que Bergoglio continua disposto a derrubar barreiras que até antes de seu pontificado pareciam intransponíveis.

A audácia de Francisco não está na espetacularidade de suas decisões, mas na perseverança em uma conduta que marca a necessidade de trilhar o maior número de caminhos possíveis para mudar a própria Igreja católica e sua imagem no mundo.

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