Os dois pulmões da Igreja (IHU/Adital)

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26 Abril 2016

"Nesses dias, o mundo recebe com sofrimento e se preocupa com as notícias de perseguição e martírio de cristãos orientais em países do Oriente Médio. Quem vive na América Latina sabe que, nesses últimos 50 anos, muitos cristãos, católicos e evangélicos, homens e mulheres sofreram perseguições e muitos deram a sua vida para testemunhar a justiça e a busca da paz", escreve Marcelo Barros, Monge beneditino, escritor e teólogo brasileiro.

Eis o artigo.

“A Igreja cristã tem dois pulmões: o ocidental e o oriental. E precisa dos dois para respirar”. Essas palavras de João Paulo II tornam-se mais atuais nesses dias em que Francisco, o bispo de Roma e Bartolomeu, o patriarca de Constantinopla, juntos, foram à ilha de Lesbos, na Grécia para levar o apoio das duas Igrejas aos migrantes e refugiados, a maioria deles muçulmanos e de outras religiões, praticamente presos em uma espécie de campo de concentração, de onde não podem sair para entrar na Europa. O papa e o patriarca querem chamar a atenção do mundo para o drama humano desses milhares de homens e mulheres privados do direito humano de migrar, direito reconhecido pela ONU já em 1948.

Em fevereiro, o papa Francisco aceitou encontrar-se com Alexis II, patriarca de Moscou. Era a primeira vez em que se encontravam um papa de Roma e um patriarca da Igreja Russa. Como havia muitas dificuldades e obstáculos, a visita foi bem preparada. O patriarca impôs várias condições para o encontro se tornar possível. O papa Francisco deu uma lição de humildade e de profunda busca da unidade ao aceitar todas as condições para que o encontro ocorresse. Tudo para abraçar o patriarca e chamá-lo “irmão”. Em 1964, o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras cancelaram a excomunhão recíproca que seus ancestrais tinham publicado em 1054 e oraram juntos em Jerusalém. Em 2014, cinquenta anos depois, o papa Francisco e o patriarca Bartolomeu I refizeram o mesmo gesto de orar juntos em Jerusalém.

No plano teológico, a Igreja Católica que, por séculos, tinha concentrado sua teologia no pecado e em uma espiritualidade medieval muito fixada na paixão e na dor, aprendeu dos cristãos orientais uma espiritualidade mais baseada na bênção divina e na criação. Restaurou a centralidade da ressurreição de Jesus na vida dos crentes e passou a testemunhar uma fé mais centrada na unidade do mistério pascal. Depois que o papa Francisco publicou a encíclica Laudato Si’ sobre o cuidado da casa comum e a urgência de uma Ecologia integral (que integre o cuidado com o ambiente e a justiça social), todos nós nos damos conta de que também nesse caminho, precisamos de nossos irmãos das Igrejas do Oriente que, desde os séculos antigos, têm valorizado muito mais a dignidade da criação como sacramento divino (uma espécie de corpo de Deus presente no mundo). A teologia ortodoxa atual tem desenvolvido mais e de uma forma integrada à fé e à espiritualidade litúrgica cotidiana a responsabilidade das Iglesias frente à atual crise ecológica .

Nesses dias, o mundo recebe com sofrimento e se preocupa com as notícias de perseguição e martírio de cristãos orientais em países do Oriente Médio. Quem vive na América Latina sabe que, nesses últimos 50 anos, muitos cristãos, católicos e evangélicos, homens e mulheres sofreram perseguições e muitos deram a sua vida para testemunhar a justiça e a busca da paz. Eles quiseram viver sua fé na solidariedade a lavradores perseguidos, a povos indígenas ameaçados de extinção e a comunidades de periferia, marginalizadas por um sistema social e econômico que exclui os pobres. Essa experiência nos leva a apoiar nossos irmãos e irmãs do Oriente que sofrem perseguições, sejam cristãos, budistas, muçulmanos ou sem religião. Com eles, queremos testemunhar que o martírio não é somente uma forma de morrer, mas de viver. Isso significa viver em comunhão, solidariedade e na luta pacífica por um novo mundo possível.

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