Argentina: poder aquisitivo dos 10% mais pobres caiu quase 24% nos últimos 4 meses, diz pesquisa

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15 Março 2016

Um estudo realizado pelo Centro de Inovação dos Trabalhadores da Argentina, divulgado nesta segunda-feira (14/03) pelo jornal Página 12, mostrou que o poder aquisitivo dos 10% mais pobres do país caiu 23,8% nos últimos quatro meses.

A reportagem foi publicada por Opera Mundi, 14-03-2016.

A pesquisa, que foi encomendada pelo órgão estatal Conicet (Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas), aponta como principais causas desse fenômeno o aumento da tarifa de luz elétrica e de gás, o reajuste dos preços dos alimentos e aluguéis, e a eliminação dos impostos de exportação dos bens industriais e agrícolas.

“As famílias com maiores recursos possuem um padrão de consumo intensivo focado em serviços e bens duráveis. As famílias com menos recursos, por outro lado, possuem um padrão focado em alimentos, transporte, aluguel e serviços públicos, como eletricidade. Portanto, quando o motor inflacionário é de raiz cambial ou tarifária, os principais prejudicados estarão entre os mais pobres da sociedade”, indicou a investigação do Centro.

Segundo o órgão, o preço dos alimentos aumentou em 39% entre fevereiro de 2015 e 2016; os aluguéis, em 63%; e as tarifas de energia, em 405% no mesmo período. Estes três itens representam mais de 50% dos gastos das famílias mais pobres.
O estudo também mostrou que a inflação anual chegou aos 35% em fevereiro. Só nesse mês, a inflação foi de quase 5%. Esta é uma das taxas mais elevadas desde 2002, de acordo com o Centro.

Estima-se ainda que a inflação anual não ceda e atinja os 55% em outubro deste ano, superando o limite de 25% projetado pelo ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay.

“As decisões econômicas tomadas desde o dia 10 de dezembro [data da posse de Maurício Macri] geraram uma dinâmica de preços que implicariam em uma taxa de inflação anual, até outubro de 2016, de cerca de 55%. Não parecem existir elementos que apontem para a desaceleração do fenômeno inflacionário”, aponta a pesquisa.

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