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Morte de Berta Cáceres, ativista ambientalista hondurenha, provoca indignação

Ao centro, Berta Cáceres, ativista pró-direitos indígenas e ambientalista, olha para o Papa Francisco durante um encontro dele com ativistas sociais no Vaticano em 28-10-2014. (CNS foto/L’Osservatore Romano)

Uma destacada ativista ambientalista de Honduras foi morta em casa, provocando indignação. A sua morte é mais um exemplo da impunidade e violência que assola o país centro-americano.

A reportagem é de David Agren, publicada por Catholic News Service, 04-05-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Berta Cáceres, vencedora do Prêmio Ambiental Goldman 2015 – premiação considerada o Prêmio Nobel para ações ecológicas –, foi morta por volta da 1h da madrugada de quinta-feira, 03-03-2016, no que a polícia chamou inicialmente de uma tentativa de roubo, mas, de acordo com reportagens, familiares condenaram como sendo um ato politicamente motivado.

“Uma mensagem forte e perigosa foi enviada hoje”, disse Mike Allison, especialista em política centro-americana e professor da Universidade de Scranton, instituição jesuíta na Pensilvânia. “É escandaloso que, após vários anos de investigação internacional e, por vezes, condenação, pessoas sem escrúpulos estejam mandando matar”.

Líder indígena, Cáceres atraiu a atenção internacional por sua oposição à barragem hidrelétrica no Rio Gualcarque, no oeste de Honduras, onde equipes de construção chegaram sem prévio aviso quase uma década atrás. Uma ordem judicial a proibia de frequentar a área quando ela passou também a receber ameaças de morte. Mesmo assim Cáceres continuou liderando, com sucesso, protestos que frustraram o projeto.

“Ela era uma mulher comprometida na luta pela defesa do meio ambiente e dos territórios dos povos indígenas, bem como com a luta comum”, disse o padre jesuíta Ismael Moreno, diretor da Radio Progreso e do centro também jesuíta Team for Reflection, Research and Communication.

“Era por estes motivos que ela ficou conhecida”, desde que fundou o Conselho dos Povos Indígenas de Honduras, em 1993, acrescentou Moreno. “Foram 25 anos de luta perpétua (...) Ela era uma mulher muito reconhecida no país” e no exterior.

Cáceres participou do Encontro Mundial de Movimentos Populares de 2014 ocorrido no Vaticano, mas não era considerada alguém próximo da hierarquia católica hondurenha.

As suas ações enfureciam as elites em Honduras, um dos países mais pobres do hemisfério e o lar de um dos mais altos índices de homicídio no mundo. Moreno disse que ela protestava contra as concessões dadas a empresas mineradoras estrangeiras e que era, talvez, a crítica mais conhecida de um conceito chamado “cidades-modelo”, que cria regiões dentro de Honduras que possuem leis e instituições diferentes do resto do país, num esforço para atrair investimentos internacionais.

Na maior parte, no entanto, ela protestava contra projetos mineradores e hidrelétricos, os quais eram planejados por empresas estrangeiras – e, afirmaram alguns apoiadores, ela lidava com ameaças de latifundiários e autoridades.

“Estamos de coração partido”, disse Moreno, que considerava Cáceres uma amiga próxima. “Ela estava constantemente sob ameaça”.

Este assassinato veio junto de uma condenação internacional e pedidos por investigação.

O presidente Juan Orlando Hernandez condenou o assassinato e prometeu uma investigação completa.

“Este ato é motivo de luto para todos nós”, disse ele via Twitter.

Em uma declaração conjunta, a Rede Eclesial Pan-americana – REPAM e o Global Catholic Climate Covenant condenaram a morte de Cáceres e uniram suas vozes em um pedido por justiça “a este ato infeliz e doloroso” que roubou o mundo de uma “brava mulher, mãe, esposa, ativista e defensora dos direitos humanos”.

“A morte de Berta Cáceres nos une em missão na defesa da vida, da terra e dos direitos dos muitos povos das gerações futuras. Esta morte fala alto (...) Ela nos comove e nos convoca a resistir e a exigir justiça”, disseram as organizações.

A polícia incialmente atribuiu a morte de Cáceres a uma tentativa de roubo, informando em seguida que ela fora morta com quatro tiros, segundo reportagens na imprensa local.

Este crime confirma novamente o problema de corrupção e impunidade em Honduras, onde protestos massivos preencheram as ruas do país em 2015 depois que se descobriu que um dinheiro desviado do sistema de previdência social acabou sendo usado para a campanha bem-sucedida de Hernandez.

Uma comissão internacional contra a impunidade foi criada em Honduras, na sequência do exemplo do país vizinho Guatemala, onde o presidente e o vice-presidente foram impedidos (impeachment) com base em acusações de corrupção. Analistas dizem que o trabalho pode não ser tão fácil assim em Honduras.

“A Comissão e a comunidade internacional não devem se iludir com o ambiente dentro do qual eles estão operando”, disse Allison.

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