A tentação de Rohani: convidar o papa ao Irã para uma visita histórica

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26 Janeiro 2016

Francisco e o Irã. Essa é a última frente da diplomacia vaticana. Um diálogo que será reiniciado no dia 26 de janeiro, com a visita do chefe de Estado de Teerã, Hassan Rohani, ao Vaticano. É desde 1999 que um presidente da República Islâmica – na época, foi o reformador Mohammad Khatami – não atravessa o Portão de Bronze.

A reportagem é de Marco Ansaldo, publicada no jornal La Repubblica, 24-01-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Agora, fontes diplomáticas estrangeiras e alguns sites iranianos levantam a hipótese de que Rohani, nesta terça-feira de manhã, pode ter no bolso um convite para que o papa visite o Irã. A Secretaria de Estado vaticana não tem sinais de um passo nessa direção.

Mas, se a hipótese se tornasse realidade, e Francisco se reservasse o direito de aceitar o convite, então seria o momento de um passo histórico, mais um para o pontífice argentino.

A tentação de uma viagem a Teerã é um projeto cheio de fascínio e à qual levam diversos elementos que, considerados um a um, tornam o cenário plausível no papel. O recente degelo internacional em relação a Teerã está credenciando o Irã como um país com o qual é possível falar agora mais abertamente, com relação a um passado feito de suspeitas e de sanções.

E eis Rouhani movendo-se imediatamente para a Europa, visitando nesta semana a Itália, o Vaticano e a França, para desbloquear, portanto, não só um potencial muito vasto em termos de negócios, mas também no plano das relações diplomáticas.

Depois, é preciso considerar a frente da política externa vaticana mais recente. Francisco visitou Turquia, Israel, Palestina e Jordânia, várias vezes manifestou o desejo de ir ao Iraque e resolver o caso da Síria, e, nesse contexto, um diálogo direto com o Irã poderia contribuir fortemente para construir pontes de paz em uma região abalada por guerras internas (árabes e israelenses, turcos e curdos) e pela trágica presença do IS.

Um novo elemento também está amadurecendo: o de uma visita de Francisco à Armênia. O papa recebeu várias vezes convites dos patriarcas armenos e do governo de Yerevan, e agora a data da sua viagem será fixada. O Vaticano, porém, não pretende irritar Turquia, embora as relações com o presidente Erdogan permaneçam gélidas, e Ancara mantenha a retirada do seu embaixador.

O papa, assim, poderia deixar passar o 101º aniversário do genocídio em abril para enfrentar a etapa em Yerevan a partir de maio. E há também quem pense que o pontífice poderia unir a visita ao Irã à da Armênia: com tempos muito estreitos.

Mas "com este papa – refletem outras fontes diplomáticas – tudo é possível." A Armênia, para Bergoglio, é não só um país onde ele tem muitos amigos desde os tempos em que era arcebispo de Buenos Aires, mas também uma chave de aproximação à Rússia, onde o encontro com o Patriarca Ortodoxo é um evento ainda a ser construído, não em Moscou por enquanto, mas em um país terceiro. Enquanto isso, Francisco anuncia a sua próxima visita sul-americana, desta vez à Colômbia.

No domingo passado, dia da primeira visita de Bergoglio à sinagoga de Roma, já se falava da próxima etapa de Francisco à mesquita da capital italiana, a primeira visita de um papa a um local sagrado islâmico na Itália. Outro passo do Vaticano imediatamente captado pelo mundo muçulmano.

E os sinais do lado iraniano não faltam. Em um interessante fórum realizado há poucos dias na agência Ansa, o embaixador de Teerã em Roma, Jahanbakhsh Mozaffari, sublinhou que o papa e a Santa Sé são para o Irã de "extrema importância", que as relações entre a República Islâmica e o Vaticano sempre foram "ótimas", e há "contínuos intercâmbios de delegações".

Nunca um papa esteve no Irã. Mas, com Francisco, a história poderia conhecer uma nova aceleração.

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