“O Papa insiste muito na reforma da Cúria”

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14 Janeiro 2016

“O celibato é difícil, mas não é a causa dos escândalos. Se pode ser diplomáticos e juntamente párocos". Numa entrevista global à Rádio Vaticana, o cardeal Pietro Parolin explica que Francisco “insiste muito na reforma da Cúria" e comenta nos microfones a iniciativa do Papa de fazer chegar a Roma, para o Jubileu, as urnas dos santos capuchinhos, padre Pio e padre Leopoldo Mandic. "É uma exigência da centralidade da confissão”.

A reprotagem é de Giacomo Galeazzi, publicada por Vatican Insider, 09-01-2015. A tradução é de Benno Discinger.

Na rádio da Santa Sé, o Secretário de Estado, com 61 anos no próximo dia 17 de janeiro, conta: “Sempre me propus viver a diplomacia como sacerdote e, como sacerdote, em várias ocasiões, por exemplo, notei que, nesta veste, podia dizer uma palavra onde outros não tinham voz para fazê-lo; uma palavra que talvez não tenha mudado as coisas, mas que era importante naquele momento”.

E acrescenta: “Naturalmente, as maneiras de ajudar os outros são múltiplas, mas também através do serviço diplomático da Santa Sé se pode anunciar o Evangelho e impregnar a sociedade com os seus valores”.

Além disso, “viver o celibato na sociedade atual é menos fácil com respeito a um tempo, tudo se tornou hoje mais complexo, mas não é certamente o celibato enquanto tal a causa dos escândalos que envolvem os sacerdotes”. Para o principal colaborador do Pontífice, “as causas dos escândalos são a imaturidade e a fragilidade das pessoas, a sua malícia, a escassa informação, o insuficiente discernimento.”

Um dos principais esforços a por em ato, segundo o cardeal Vêneto, é aquele de “uma séria e eficaz educação afetiva, a começar na família, apoiada pela escola e a prosseguir depois no período do seminário, que tenda à maturação do amor, que é o dom de si e que se pode vivenciar na plenitude, tanto na forma do matrimônio como naquela do celibato”.

Parolin faz parte também do “C9”, o conselho dos cardeais, que está preparando a reforma da Cúria. “Francisco insiste muito na dimensão missionária da Igreja e na necessidade de reformar suas estruturas, “in primis” a Cúria Romana – sublinha o Secretário de Estado. Temos necessidade de menos palavras e maior quantidade de bons exemplos. Mudaram muitas coisas, a sociedade de hoje não é a mesma de ontem e, portanto, é lógico que também da parte da Igreja não deva faltar um esforço de adaptação às novas condições de vida, porém a vocação e a missão de um padre permanecem sempre as mesmas: levar Deus ao povo e conduzir o povo a Deus, o Deus do Evangelho”. Trata-se de “uma missão que não muda, nas mudanças das situações ou das contingências históricas; uma missão que hoje se torna tanto mais necessária quanto mais parece obscurecer-se o horizonte da fé e o nosso mundo parece tornar-se cada vez mais secularizado”.

Enfim, uma reflexão sobre o Padre Pio: “Do ministério exercido pelo Padre Pio da Pietrelcina e pelo padre Leopoldo Mandic fica, ao padre de hoje, a mensagem fundamental: apreciar e amar o Sacramento da confissão, estar disponível a celebrá-lo e dedicar-lhe o tempo necessário”, sublinha o cardeal a propósito dos dois capuchinhos que transcorreram em grande parte as suas existências na escuta dos pecados e no absolver os fiéis. “Devo admitir que, diante destas figuras, eu me encontro um pouco em dificuldade, porque os tempos de que disponho não me permitem exercer o ministério da confissão que é fundamental na vida do sacerdote” – afirma Parolin. “É na confissão que a misericórdia de Deus nos atinge, nos toca e nos transforma. Somos todos pecadores, temos tanta necessidade do perdão do Senhor, que nos é dado através da mediação da Igreja. O que há de mais belo e de mais consolador deste Sacramento, tanto para quem o recebe como para quem o administra? O exemplo destes dois santos permanece como fundamental e constitui uma exigência a recuperar este aspecto do ministério sacerdotal que, com frequência, não é mantido suficientemente em consideração”.

Segundo o secretário de Estado, “seria preciso recuperar também a própria concepção da misericórdia, na sua validez de “remédio para a humanidade ferida”. Nós cristãos – afirma – deveremos fazer da misericórdia um princípio de vida social. Se conseguirmos fazê-lo, talvez sejamos capazes de mudar um pouco a fisionomia da nossa sociedade”.

O tema da misericórdia é central também no empenho da diplomacia para a superação dos conflitos e, em mérito, ele cita a “Evangelii Gaudium”, na qual Francisco sustenta que “o conflito faz parte da nossa realidade humana, marcada pelo pecado e, por conseguinte pela divisão, mas, ao mesmo tempo é ocasião, através de sua recomposição, para ir mais em frente, para crescer, para atingir metas mais elevadas. Mas, não se supera o conflito se não há conduta de misericórdia no sentido, sobretudo, do perdão e de uma conduta de benevolência com o outro, também nos seus limites e nos seus erros”. É “remédio para a humanidade ferida e também a misericórdia no sentido das obras de misericórdia, corporais e espirituais, isto é, o vir ao encontro com a conduta do bom Samaritano a tantas carências e necessidades que chagam o corpo e a alma dos homens”.

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