O desafio (vencido) da segurança para a viagem mais arriscada do papa

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03 Dezembro 2015

O comandante da Gendarmeria Vaticana, Domenico Giani (foto), com o avião decolado, dá um suspiro de alívio e não esconde a sua satisfação com os jornalistas que acompanharam o papa durante a viagem à África.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 30-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Tudo correu bem, e a terceira etapa da viagem, em Bangui, onde existe uma situação de instabilidade e de guerra civil travada entre as milícias islâmicas Salaka e as cristãs anti- Balaka, ocorreu como planejado. Francisco não só pôde visitar a mesquita no bairro Km 5, onde aconteceram confrontos e mortes há poucos dias, mas a acolhida que os centro-africanos de religião muçulmana lhe concederam também foi muito calorosa.

Há muito tempo, o governo francês tinha advertido a Secretaria de Estado vaticana sobre a impossibilidade de garantir a segurança do pontífice na África Central. Os militares da missão de paz francesa Sangaris, que opera no país, afirmou-se, não teriam sido envolvidos. Foi o que aconteceu.

Quem coordenou as operações de campo foram os homens da Gendarmeria Vaticana, que nunca antes tinham se envolvido de modo tão numericamente maciço e equipado em um país visitado pelo papa. Os policiais vaticanos se integraram aos soldados da Minusca, a força da ONU, os Capacetes Azuis provenientes principalmente de outros países africanos, particularmente do Senegal, que são comandados por um general muçulmano.

Junto com os gendarmes, havia militares norte-americanos das Nações Unidas. O céu de Bangui foi monitorado por helicópteros das Nações Unidas, que sempre tinham um gendarme vaticano a bordo.

"Durante a viagem, não houve nenhum momento de tensão, nem houve ameaças ou perigos reais." Portanto, à luz da situação real no local, sobre a qual, poucos dias antes da chegada de Francisco, o próprio Giani pessoalmente prestou contas, parecem bastante injustificados os reiterados alertas e os alarmismos sobre possíveis atentados durante a permanência do papa em Bangui.

Certamente, a situação da capital centro-africana é muito delicada e instável, apesar dos esforços das autoridades do governo de transição chamado a levar o país para eleições livres. No entanto, os convites urgentes para que Bergoglio não pusesse o pé na República Centro-Africana pareceram interessados demais. Na segurança do papa e dos fiéis que se aproximariam dele, é claro. Mas não se deve excluir que se queria evitar acender os holofotes sobre a tragédia desse país esquecido, um dos mais ricos em recursos naturais, dos mais pobres pelas condições em que a sua população foi forçada a viver. Esses recursos naturais são explorados, e estão em jogo, como sempre, interesses muito fortes.

Percorrendo as ruas de Bangui, o papa pôde se dar conta de quanta e qual era a expectativa pela sua presença, antes ainda que pela sua palavra. As lágrimas de Catherine Samba-Panza, a presidente de transição, ao acolher Francisco, e o seu comovente discurso, mas ainda mais a acolhida das pessoas deixaram evidente o porquê da viagem e por que o "mensageiro da paz" vindo de Roma não quis cancelá-la.

Havia a necessidade de acender os holofotes sobre a África Central, havia a necessidade de mostrar que cristãos e muçulmanos podem viver juntos, havia a necessidade de uma palavra de paz e de reconciliação. O clima que se respirou nesses dias pareceu semelhante ao que se percebe pelas ruas quando uma guerra termina.

Esperamos que seja realmente assim, e, por isso, para trazer reconciliação e misericórdia, Francisco quis que Bangui e a sua Porta Santa jubilar aberta com antecedência se tornassem "capital espiritual do mundo".

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