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27 Novembro 2015

O Papa Francisco viaja para a África nesta semana para realizar uma visita apostólica de seis dias a três países e que deverá culminar, na próxima segunda-feira, com sua ida à República Centro-Africana, país ainda assolado por uma guerra civil brutal.

Existe a possibilidade de que as preocupações com a segurança possam forçar o papa e sua comitiva a retornar para casa após visitar somente os dois primeiros destinos – Quênia e Uganda – ou, pelo menos, limitar a última escala a um breve momento, conquanto o suficiente para rezar uma missa no altamente vigiado aeroporto de Bangui.

A reportagem é de Robert Mickens, publicada por National Catholic Reporter, 24-11-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Independentemente do que se decidir, Francisco, quando voltar para casa, não irá encontrar um ambiente que se pode considerar de “paz e tranquilidade” em Roma.

Entre outras coisas, nos próximos dias e semanas ele deve anunciar algumas importantes mudanças estruturais e no departamento pessoal da Cúria (e de outros departamentos).

Mudanças nas comunicações

Espera-se que finalmente saia do papel a ampla revisão do setor de comunicação social, assinalada pelo papa em junho passado quando estabeleceu a Secretaria para as Comunicações.

Em primeiro lutar, parece que o Pe. Federico Lombardi, chefe da Sala de Imprensa da Santa Sé desde 2006, irá se aposentar no final de dezembro.

O jesuíta, de 73 anos, também tem trabalhado na Rádio Vaticano desde 1991 como o diretor de programação e, desde 2005, como o seu diretor geral.

Ainda não está claro se Francisco se decidiu substituí-lo na Sala de Imprensa por um outro membro da Ordem, o padre jesuíta Antonio Spadaro, de 49 anos, ou se ele irá optar por nomear o padre basiliano Thomas Rosica, de 56 anos, para o posto.

Spadaro é o editor da Civiltà Cattolica. Foi ele quem conduziu uma entrevista bombástica com o Papa Francisco publicada simultaneamente em setembro de 2013 por publicações jesuítas ao redor do mundo. O papa deu a Spadaro a liberdade de lhe ajudar a modelar a sua mensagem e claramente valoriza a assessoria de seu confrade mais jovem.

“Spadaro tem o ouvido do papa”, geralmente se ouve nos círculos vaticanos.

Por outro lado, Rosica tem usado a sua fluência em vários idiomas, a sua impressionante formação teológica (ele possui um doutorado em Escrituras) e a sua vasta experiência no desenvolvimento e gestão de uma importante rede de comunicação (a chamada Salt + Light em Toronto) para ser um representante altamente eficaz nos meios de comunicação. Natural de Rochester, Nova York, com dupla cidadania (americana e canadense), ele já é figura conhecida na Sala de Imprensa. Além disso, o papa o conhece há vários anos.

Mas são as mudanças estruturais nas operações midiáticas do Vaticano que vão dar o que falar no próximo mês, quando a recém-criada Secretaria para a Comunicação deixa a sua casa temporária nas instalações da Rádio Vaticano e assume os escritórios do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais. Não está claro se o Mons. Dario Viganò, prefeito da secretaria, será nomeado bispo. O sacerdote de Milão, hoje com 53 anos (o qual não possui parentesco com o núncio apostólico para os EUA com o mesmo nome), é especialista em filmes e televisão.

Parece que esta mudança de escritórios é a confirmação de que o Conselho Pontifício será suprimido e o seu presidente, Dom Claudio Maria Celli, receberá um novo cargo – provavelmente com a promessa de um barrete vermelho. O diplomata papal de carreira (ele serviu na nunciatura vaticana na Argentina, entre outros lugares) não terá 75 anos até o próximo mês de julho, mas é possível que ele possa ser nomeado o Arcipreste de Santa Maria Maior. O atual detentor deste título é o Cardeal Santo Abril y Costelló, ex-núncio que completou 80 anos em setembro passado.

E então há a questão em torno do futuro do Mons. Paul Tigue, secretário do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, órgão que em breve deixará de existir. O sacerdote de Dublin, hoje com 57 anos, pode acabar sendo nomeado bispo de uma das grandes dioceses na Irlanda – tais como as de Meath, Cork ou Ross –, onde os atuais bispos estão em idade de se aposentar.

Mudanças na Secretaria de Estado

Nos próximos dias, Dom Angelo Becciù, quem tem sido o Sostituto ou vice-secretário de Estado para assuntos domésticos desde 2011, será nomeado prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. O posto de cardeal é um acordo feito para o ex-núncio apostólico para Cuba e natural da Sardenha. Ele substituirá o Cardeal Angelo Amato, 77, salesiano italiano que foi o número 2 na Congregação para a Doutrina da Fé entre 2002 e 2008.

E quem ficará com a atual função de Becciù?

Há uma forte especulação de que Dom Gabriele Caccia, a completar 57 em março e atualmente servindo como núncio no Líbano, é o principal candidato a se tornar o próximo Sostituto. Ele foi o Assessor (assessor do Sostituto) de 2002 a 2009, quando ele e sua contraparte na seção estrangeira (é preciso citar o nome de Pietro Parolin?) foram mandados embora de Roma e se exilaram.

O Papa Francisco sabiamente trouxe Parolin de volta para ser o seu Secretário de Estado. Ao nomear Caccia, ele reuniu uma dupla que – pelo menos em seus anos – evitou, com sucesso, numerosos desastres que, mais tarde, iriam assolar o pontificado anterior.

Enquanto isso, o atual Assessor, o Mons. Peter Wells de Oklahoma, é frequentemente mencionado como o próximo núncio papal na ONU em Genebra, Suíça. O espirituoso e altamente competente diplomata tem 52 anos e deve ser promovido ao episcopado. Ele substituiria Dom Silvano Tomasi, 75, quem está à frente neste cargo extremamente importante nas Nações Unidas desde 2003.

Novo departamento para os leigos, a família e a vida

O Papa Francisco finalmente anunciou no mês passado aquilo que todo mundo já sabia há mais de um ano: que três estruturas existentes seriam combinadas para formar um grande departamento e lidar com questões concernentes aos leigos, à família e à vida humana. Mas, até agora, ele não disse exatamente como será o novo órgão (se será uma congregação ou uma secretaria) ou quem irá comandá-lo.

O cardeal polonês Stanislaw Rylko, atualmente presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, parece ser o principal candidato a supervisionar a nova seção, mesmo se leigos forem mencionados como possíveis chefes de vários departamentos. O papa, porém, pode pensar que chegou a hora deste cardeal, que foi ordenado ao sacerdócio e ao bispado por Karol Wojtyla-Papa João Paulo II, para retornar à sua arquidiocese nativa de Cracóvia após passar as últimas três décadas em Roma. Ele seria um substituto natural para o atual bispo que lá se encontra, o Cardeal Stanislaw Dziwisz. O secretário de longa data do papa polonês completa 77 anos em abril próximo.

O Papa Francisco poderá se voltar ao vice de Rylko (e ex-secretário pessoal do Cardeal Joseph Ratzinger), ou seja, o arcebispo alemão Josef Clemens, de 68 anos. Ou ele poderá olhar para o atual presidente do Pontifício Conselho para a Família, o arcebispo italiano Vincenzo Paglia, de 70 anos. Por outro lado, os dois religiosos são jovens o suficiente para liderar uma diocese em seus países de origem. Mas o papa terá de discernir se esta seria mesmo uma boa ideia – e para quem o seria.

Há ainda uma outra possibilidade. Francisco pode nomear o seu coordenador de confiança no C9, o Cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga, para ser o primeiro chefe do novo departamento para os leigos, a família e a vida. O afável salesiano completará 73 anos no próximo mês e, em breve, irá marcar 23 anos à frente da Arquidiocese de Tegucigalpa, Honduras.

Este pode ser o momento certo para que ele receba um novo cargo. Rodriguez é, sem dúvida, um dos aliados mais importantes de Francisco. Mas ele se parece demais com o chamado “bispo de aeroporto”, o qual o pontífice critica fortemente: alguém que está constantemente fora do país proferindo palestras e participando de encontros, raramente se encontrando em casa.

“Se acha que não consegue ficar na diocese, renuncia! E roda o mundo fazendo outro apostolado muito bom”, disse o Papa Francisco em um evento organizado pelo Vaticano na semana passada.

Trazer o Cardeal Oscar a Roma faria perfeito sentido. Afinal, ele é a pessoa que mais se aproxima de ser o “vice-papa” é também o que, incialmente, sugeriu a ideia do superdepartamento para os leigos.

Na verdade, ele disse que deveria haver um departamento à altura de uma congregação vaticana, como as congregações para os bispos, o clero e os religiosos.

Estas são apenas algumas das mudanças no departamento pessoal que Francisco estará fazendo em breve. Haverá mais, em particular com o anúncio oficial de que vários departamentos atuais irão se dissolver e terão de ser integrados em um grande escritório para a caridade, justiça e paz.

Esperemos outras surpresas também.

Até agora o Papa Francisco tem, propositalmente, se movido num ritmo lento e deliberado. Mas parece que ele está prestes a pisar no acelerador.

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